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Regina Horta - Departamento de História
pesquisador projeto

PROJETO: O MUSEU NACIONAL E AS PRÁTICAS CIENTÍFICAS NO BRASIL (1911-1945)

Período da Residência: 01/03/2008 a 28/02/2009

Departamento de História – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – UFMG

Professora Regina Horta Duarte possui graduação em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985), mestrado e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (1988 e 1993, respectivamente). Atualmente é professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Império e República, história e natureza, história da biologia na Primeira República. Integrou a diretoria da Associação Nacional de Historia (gestão ago 2007-jul 2009, ANPUH nacional), na qual atuou como editora responsável na Revista Brasileira de História. Participou da fundação da Sociedade Latino Americana Y Caribeña de Historia Ambiental (SOLCHA), e foi eleita para a primeira Junta Diretiva, gestão 2006-2010, entidade à qual pertence como membro efetivo. Permanece na Junta Diretiva dessa entidade como editora-chefe da revista Historia Ambiental Latinoamericana Y Caribeña (HALAC), publicação científica inaugurada em 2011.

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PROJETO: O MUSEU NACIONAL E AS PRÁTICAS CIENTÍFICAS NO BRASIL (1911-1945)

O objetivo do projeto é estudar as práticas de construção e divulgação do conhecimento desenvolvidas no Museu Nacional entre 1911 e 1945, a partir da trajetória e das atividades de três de seus mais destacados membros: Edgar Roquette-Pinto (1884-1954), Alberto Sampaio (1881-1946) e Cândido de Mello Leitão (1886-1948). Pretende-se utilizar o conceito de transdisciplinaridade para compreender a riqueza daquele meio intelectual. Pioneiros em campos disciplinares separados (Roquette Pinto e a antropologia, Alberto Sampaio e a botânica, Cândido de Mello Leitão e a zoologia), eles possuíam uma formação bem menos específica: todos eram ex-estudantes da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e iniciaram-se em suas especialidades através da prática profissional dentro do próprio Museu.

Ao longo dos anos, apesar das inegáveis diferenças em suas posturas políticas, construíram uma convivência científica profícua, expressa em várias atividades realizadas conjuntamente, cujo enfoque nos permitirá o debate sobre o deslizamento de conceitos entre as várias disciplinas naquele momento histórico específico. Participaram decisivamente das atividades da Radio Educativa, a PRD5, montada no pátio do Instituto de Educação em 1930, através da qual veiculavam programas de divulgação científica. Vários de seus livros integraram a Coleção Brasiliana, inaugurada em 1931 por Fernando Azevedo, artífices do projeto de “descobrir o Brasil aos brasileiros”. Fundaram a Revista Nacional de Educação em 1932, sob a editoria de Roquette-Pinto, financiada pelo governo Vargas, cujo objetivo ambicioso era levar a arte e a ciência a todos os lares do Brasil. Sob a liderança de Roquette-Pinto, transformaram o Museu Nacional em uma instituição produtora de filmes educativos, (alcançando a marca de produção de mais de 250 películas), possuidora ainda de uma espaçosa sala de cinema, aberta aos seus visitantes. Além disso, as salas temáticas e as estantes nelas arrumadas recebiam seu cuidado específico, transformando-se em verdadeiras vitrines de um Brasil que se desejava ensinar às novas gerações escolares, recebidas entusiasticamente pelos pesquisadores do Museu. Em 1933, os três foram os autores do anteprojeto do Código de Caça e Pesca, que objetivava controlar a destruição da fauna brasileira, decretado pelo governo no ano seguinte. Participaram ativamente da organização do I Congresso de Proteção à Natureza, em 1934, sob a liderança de Alberto Sampaio e amplo apoio do governo Vargas.

Assim, objetiva-se compreender como se realizou a constituição do espaço científico no Museu Nacional naqueles anos e como o conhecimento específico produzido por cada um desses autores se realizou num diálogo entre várias áreas do saber. É certo que, naquele momento, as disciplinas não se encontravam claramente definidas. Mas certamente já era possível visualizar o horizonte de sua crescente delimitação. Para citar um exemplo: Cândido de Mello Leitão se identificava e era reconhecido nacional e internacionalmente como um especialista em aracnídeos, assim como Sampaio era um botânico respeitado. A participação desses cientistas em associações as mais diversas, tais como a Academia Brasileira de Letras, a Academia Brasileira de Ciências, o Conselho Nacional de Geografia, a Sociedade dos Amigos de Alberto Torres, dentre várias outras, é expressiva dessa rica ambigüidade. A própria amplitude das atividades empreendidas evidencia a pluralidade da rede em que suas práticas se constituíram: publicação de livros, organização de exposições e eventos, organização de revistas de divulgação científica, fundação de emissoras de rádio e organização de programas educativos, participações pioneiras na produção de filmes educativos, configurando o Museu Nacional como um espaço verdadeiramente multimidiático.