Timothy Ingold - University of Aberdeen
CÁTEDRA IEAT/FUNDEP: HUMANIDADES, LETRAS E ARTES
Período: de 02 a 10 de outubro de 2011
Indicação: Ana Maria Rabelo Gomes, DECAE, Faculdade de Educação da UFMG
Tim Ingold é professor de Antropologia Social na Universidade de Aberdeen, no Reino Unido. Um dos mais respeitados antropólogos da atualidade, é autor dos livros Perception of Environment (2000), Lines (2007) e Being Alive (2011). Alguns dos temas tratados em sua produção: abordagem ecológica em antropologia e psicologia / relações entre as abordagens biológica, psicológica e antropológica sobre a cultura e a vida social / relações homem-animal / percepção do ambiente, linguagem, tecnologia, conhecimento e prática / antropologia, arqueologia, arte e arquitetura.
1. “Aprender Cada Vez Mais: Contra a Transmissão”
A ideia de que a aprendizagem implica na transmissão de conhecimentos prontos de uma geração para a outra está profundamente enraizada na teoria e na prática educacional. Essa ideia se baseia em um modelo genealógico, cujo elemento definidor é a separação da aquisição do conhecimento das configurações de sua realização prática. Esse mesmo modelo também está na raiz das explicações correntes da genética, bem como da transmissão cultural. Em ambos os casos, o modelo é invalidado por uma falácia simples, que é supor que as informações podem ser especificadas de forma independente dos processos de produção e crescimento que lhe deram origem. Para sair da falácia, é necessário inverter a priorização que se assume convencionalmente do conhecimento sobre a habilidade. O conhecimento é o resultado sempre emergente da prática qualificada, em vez de ser a pré-condição necessária para ela.
2. “Aprender Cada Vez Mais: pelo “Enskillment”
Na aprendizagem e ensino, cada geração contribui para a próxima definindo as tarefas e estabelecendo as condições que permitem que os novatos possam crescer com a sabedoria de seus antecessores, e talvez superá-la. Mesmo quando se trata de cópia, o aprendizado é na prática um processo criativo. Tal prática implica o alinhamento de movimentos, de especialistas e novatos, através de uma coordenação da ação e da percepção que é da essência da habilidade. Assim concebida, a prática qualificada é um movimento itinerante e improvisado ao longo de um modo de vida, entendida como um caminho a ser seguido e não um corpo de regras e representações transmitidas a partir de ancestrais. Assim, o conhecimento passa por contínuo crescimento e renovação dentro da vida cotidiana, através da imersão de gerações que se sobrepõem em um fundo comum de suas existências.
3. “Projetando Ambientes para a Vida”
Nos debates, científicos e populares, sobre as mudanças ambientais, dois significados diferentes do ‘ambiente’ são comumente confundidos. O primeiro veicula o mundo fenomenal da nossa experiência imediata; no segundo sentido, o ambiente é um mundo cuja realidade física é dada de forma totalmente independente da nossa experiência dele, e que podemos conhecer somente através da compilação de dados extraídos da observação imparcial e da medição, transmitidos em seguida na forma de gráficos, diagramas e imagens. Para a maioria das pessoas, o ambiente da vida cotidiana é entendido no primeiro sentido. No entanto, é o segundo que predomina nos discursos da tecnociência e na elaboração de políticas. Sob essa confusão de sentidos, a distância entre essas duas concepções, entre o “mundo que nos rodeia” e do “ambiente” da ciência e discurso político, longe de diminuir, tornou-se cada vez maior. Para as disciplinas de arte e design, antropologia e arquitetura, capturadas entre esses entendimentos contrários e comprometidas com a mediação entre eles, tal situação coloca um grande desafio. Para enfrentar o desafio, precisamos encontrar formas de obter uma expertise técnico-científica desenhada em conjunto com a sabedoria dos habitantes, em um plano comum de projetar ambientes para a vida.


