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Remy Lestienne - Centre National de la Recherche Scientifique
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Remy Lestienne é Diretor Honorário do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, Paris). Seus trabalhos são desenvolvidos em diversos campos do conhecimento, incluindo estudos em neurociências, epistemologia do tempo e física de alta energia. Lestienne é autor de inúmeras publicações em revistas internacionais, além de ser autor de vários livros, o mais recente deles intitulado ‘‘Dialogues sur l’Emergence’’, pela editora Editions Le Pommier de Paris, ainda sem tradução para o português.

Do tempo da “emergência” até a “emergência” do tempo

Data: 19/11/2012
Auditório 3, ICEX/UFMG

Na palestra Lestienne irá tratar sobre como, ao longo do tempo, filósofos e sábios têm debatido e proposto a ideia de emergência de propriedades novas quando adentramos a escala de complexidade: das partículas elementares até o Universo ou da bactéria até o Homem. Neste sentido, para explicar como tais propriedades emergem, surge a aplicação ‘bottom-up’ – que busca compreender a partir do elemento mínimo para o todo, partindo da física para a química e até a biologia, com passos marcantes a passagem da matéria até a vida, pois da vida até a consciência.

Segundo Roger Sperry (Nobel 1981), no estudo de pacientes nos quais cirurgiões selecionavam, por razões medicinais, uma estrutura no cérebro denominada corpo caloso, estava inescapável a conclusão de que na consciência está uma propriedade emergente do cérebro em sua globalidade. Tendo a mente a capacidade de operar uma causação descendente sobre os processos neurofisiológicos, ou, em outros termos, de provocar bifurcações nas atividades das redes de neurônios do cérebro. Partindo dos exemplos de Sperry, Lestienne discorrerá sobre recentes postulações sobre o tema, como a do físico Robert Laughlin (Nobel 1998), que propõe a aplicação do conceito de emergência ‘top-down’, do todo para o elemento mínimo. Trata-se de uma visão segundo a qual devemos considerar que as leis elementares da física e as constantes associadas, na verdade, são consequências da organização global do Universo, e não o reverso.

Lestienne abordará a concepção do tempo, apresentando como físicos, procurando compreender a história do Universo, na qual as teorias da Relatividade e Mecânica Quântica são reconciliadas, têm tratado da ausência do tempo na origem. Segundo ele, pode-se pensar que o tempo não “atua” da mesma maneira sobre os seres e as coisas aos vários patamares da complexidade. Para um fóton, condenado a sempre voar com a velocidade da luz, a noção relativista de tempo próprio não existe. Com um só átomo de substância radioativa, não se pode construir um relógio, pois este átomo sempre tem a mesma probabilidade de desintegrar-se no segundo seguinte. Relógios baseados nas leis da mecânica racional e os planetas sobre suas orbitas permitem definir um tempo, pois esses movimentos obedecem às leis de Newton que regram as sucessões pela causalidade mecânica. Instaura-se segundo Lestienne, o conflito, uma vez que o tempo de Newton está incompatível com a relatividade de Einstein.

A palestra tratará também do fato de que ainda que os físicos tenham conseguido teorizar alguns caracteres do tempo, como índice da causalidade na teoria da Relatividade, ou como índice de irreversibilidade no crescimento da entropia nas tracos de calor, eles não são capazes ainda de incluir, na abordagem, a realidade essencial a qual denominamos o presente.

Isso ocorre porque, segundo ele, só os sistemas abertos, trocando energia e entropia com o mundo, podem ser caracterizados por um presente. Ou seja, com os seres vivos, organizados por ciclos em fase com os ciclos do mundo, surge não somente o presente vivido, mas também a antecipação de um futuro cada vez mais distante e a lembrança de um passado cada vez mais profundo à medida que se ultrapassam os graus de complexidade do vivo, da ameba até o rato e do rato até o homem.  O que parece, segundo Lestienne, anunciar uma teoria emergentista do tempo.