Universidade lançou campanha contra o assédio e reiterou participação em projeto do MPMG

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
Na manhã desta segunda-feira, o campus Montes Claros lançou sua adesão à campanha global Banco Vermelho. A iniciativa da UFMG reforça o seu compromisso com o combate à violência de gênero e ao feminicídio por meio de um memorial visual de grande impacto estético. Na sexta-feira, foi realizado o lançamento nos campi Pampulha e Saúde, em Belo Horizonte.
Com a mensagem central “Lutamos pelo feminicídio zero. Sentar e refletir. Levantar e agir”, o banco do campus Montes Claros, traz também estatísticas de feminicídio no país. Instalado na região central do campus, ao lado da lojinha que recebe também o público externo, o assento é um convite à reflexão e ação de toda a comunidade.
Participaram do lançamento, o vice-reitor, Alessandro Moreira; o diretor do campus, Hélder Augusto; o vice-diretor Alcinei Azevedo, a pró-reitora adjunta de Graduação, professora Maria Flores; pró-reitora de Assuntos Estudantis, professor Licínia Corrêa; presidente da FUMP e integrante da Comissão Permanente de Saúde Mental, professora Teresa Kurimoto; pró-reitor de Extensão, professor Glaucinei Corrêa; e a servidora responsável pelo Setor de Inovação, Internacionalização e Cooperação Institucional, Nívea Almeida além de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes do campus.
“A professora Sandra abraçou a causa e trouxe a campanha do Banco Vermelho para a nossa Universidade. Nós estamos inaugurando três bancos vermelhos: um aqui no campus Montes Claros, e outros dois no campus Pampulha e outro no campus Saúde. São assustadores os números que o nosso Estado, nosso país, o mundo inteiro, passam em relação a isso”, destacou o vice-reitor ao falar sobre a campanha.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
UFMG contra o assédio

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
Também no dia 9 de março, foi lançada no campus Montes Claros, a campanha UFMG Contra o Assédio, um desdobramento da política institucional aprovada pelo Conselho Universitário em setembro do ano passado. A diretora do Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom), Fábia Lima, falou brevemente sobre o assunto e apresentou o site da campanha para o público. “No site vocês vão ter acesso a essa resolução que foi pensada, numa comissão que eu também fiz parte, com docentes, com técnicos, com estudantes, para a gente tipificar como formas de assédio, como formas de violência, o que é que é, e também o que não é. Para a gente deixar de naturalizar o que muitas das vezes a gente nem sabe se a gente é vítima, ou se a gente está sofrendo ou até fazendo, cometendo um ato de assédio”.
No dia seis de março, a UFMG lançou sua campanha contra o assédio e reiterou sua participação no Projeto Alerta Lilás, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), durante cerimônia na Sala de Sessões da Reitoria. O evento reuniu a reitora Sandra Goulart Almeida, a promotora Denise Guerzoni Coelho, do MPMG, e a ouvidora da UFMG, Joana Ziller, que apresentou detalhes da campanha UFMG contra o assédio, desdobramento da política institucional aprovada pelo Conselho Universitário em setembro do ano passado. De acordo com a ouvidora, a campanha coroa um esforço institucional que remonta a 2014, quando a Universidade iniciou a proibição de trotes que carregavam contornos de violência e assédio. A política de enfrentamento ao assédio da Universidade é fruto, segundo ela, de um amadurecimento coletivo de docentes, discentes e servidores técnico-administrativos.

“A resolução responde a um histórico de normativas relacionadas aos direitos humanos na UFMG. Ela amplia o entendimento sobre violações de diferentes naturezas, reconhecendo que o assédio e a violência de gênero não podem ser tolerados no ambiente acadêmico”, afirmou Ziller, que, durante sua fala, apresentou o site da campanha e exibiu vídeo produzido pela TV UFMG sobre o tema.

Foto: Raphaella Dias | UFMG
Joana Ziller destacou que a instituição tem trabalhado numa perspectiva que considera as vulnerabilidades específicas de mulheres negras, trans e com deficiência. “Nossa política prevê um monitoramento rigoroso dos casos pela Ouvidoria Geral e o fomento a uma gestão participativa e solidária, em consonância com a cultura da paz e da comunicação não violenta”, pontuou.
A ouvidora também ressaltou a importância da dimensão educativa da campanha. De acordo com Joana Ziller, a temática do assédio será incluída de forma perene em treinamentos de integração de novos servidores, recepção de calouros e até mesmo na qualificação de profissionais de empresas terceirizadas que prestam serviço à instituição. “A formação deve ser o princípio central. Precisamos qualificar nossa comunidade para identificar e encaminhar adequadamente qualquer situação de risco ou violência”, concluiu.
Letramento de gênero
Para a coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica, promotora Denise Guersoni, a parceria com a UFMG é estratégica por permitir que o conhecimento científico e o ambiente acadêmico sirvam de barreira contra o feminicídio. Segundo a promotora, o Alerta lilás utiliza os sistemas de saúde e educação como portas de entrada para que a mulher vítima de violência acesse seus direitos fundamentais.
“Agimos baseados em dados objetivos extraídos do sistema de segurança, que nos orientam sobre quais políticas públicas percorrer”, explicou Denise Guersoni, ressaltando que Minas Gerais registrou 170 feminicídios consumados em 2025. Ela destacou que a qualificação de profissionais e alunos é o segundo eixo da campanha, promovendo um letramento de gênero necessário para identificar sinais de abuso e garantir o sigilo e a autonomia da mulher no atendimento.

Foto: Raphaella Dias | UFMG
A reitora Sandra Goulart Almeida reforçou o papel da universidade como espaço de resistência e promoção dos Direitos Humanos, lembrando que a UFMG tem um histórico de enfrentamento a posturas misóginas e racistas. “Não há brincadeiras inocentes quando estamos tratando de violência de gênero ou racial”, posicionou-se a reitora, rememorando as ações institucionais adotadas pela instituição para banir práticas degradantes nos campi. Em seu entendimento, a instalação dos bancos vermelhos e a adesão ao Alerta Lilás – objeto de protocolo de intenções assinado com o MPMG em dezembro – são atos concretos que vão além do simbolismo de datas comemorativas.
Sandra Goulart criticou a visão estereotipada do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, defendendo que a data deve ser um momento de reflexão e luta e não apenas de homenagens vazias. “Não me dê flores, combata a violência por meio de políticas públicas”, sentenciou.
Normativa
No ano passado, a UFMG estabeleceu sua política institucional de enfrentamento à violência e ao assédio no âmbito acadêmico. A resolução 07/2025, que estabelece os termos da normativa, foi aprovada em sessão do Conselho Universitário realizada em meados de setembro e publicada no Boletim UFMG em outubro.
Entre outros aspectos, a política define os diferentes tipos de assédio (como o sexual e o psicológico) e de violência (agressão física e cibernética). Além disso, ela determina procedimentos de prevenção, enfrentamento, denúncia, acolhimento e mediação que devem ser adotados em cada caso.
A resolução traz a seguinte definição geral para violência e/ou assédio na Universidade: “qualquer ação ou omissão que provoque ou possa provocar dano físico, psicológico, sexual, moral, econômico ou de outra natureza, como ameaça ou ação consumada, praticada por um membro da comunidade universitária no âmbito da UFMG”. A normativa determina que essa definição alcança tanto as práticas de assédio descendentes (isto é, vindos de níveis hierárquicos superiores) quanto as horizontais (procedentes de mesmo nível hierárquico) e ascendentes (provenientes de níveis hierárquicos inferiores).
(Ana Cláudia Mendes I Cedecom Montes Claros e Matheus Espíndola I Cedecom Belo Horizonte)