Esta foi a primeira vez em que a UFMG participou da organização da Semana Nacional do Cerrado

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais, por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRPq), realizou nesta sexta-feira, dia 12, o evento Cerrado Vivo: Construindo o Futuro de um Bioma Ameaçado. Com uma programação composta por mesas redondas, visitas guiadas de escolas e uma mostra de plantas e produtos do cerrado, a atividade compõe a quinta edição da Semana Nacional do Cerrado (Senacer), realizada em todo o país, em mais de 80 instituições com mais de 130 atividades. Em Montes Claros, o evento reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos como Unimontes, Emater, Prefeitura, Codevasf, estudantes universitários e da educação básica, além de membros de comunidades tradicionais.
A programação começou uma apresentação do coral ICAnto. Na abertura, a pró-reitora adjunta de Pesquisa, professora Jacqueline Aparecida Takahashi, destacou a importância do evento e o motivo de sua realização no campus Montes Claros. “É uma semana muito importante porque homenageia o Cerrado. Nós tivemos a criação, em 2023, por um decreto nacional, a instituição do dia 11 de setembro como Dia Nacional do Cerrado. Então, a gente tem que fazer jus a esse bioma e reconhecer a importância dele para a vida, como um todo, a UFMG, esse ano, participa da organização. Esse seminário Cerrado Vivo:Construindo o Futuro de um Bioma Ameaçado, foi pensado com muito carinho e é uma grande alegria que ele esteja acontecendo aqui no campus da UFMG em Montes Claros, porque, o Instituto de Ciências Agrárias tem uma importância muito grande, ele é fundamental para as pesquisas, para as atividades de extensão e de ensino, de formação de estudantes dentro do contexto do bioma cerrado”.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
O diretor do campus Montes Claros, professor Hélder dos Anjos Augusto, falou sobre a relevância do evento para a integração entre os saberes. “Esse é o momento de conhecimento, de integração entre os pesquisadores, os professores, os agricultores aqui presentes, os agroestrativistas, que compõem todo esse território do cerrado, como uma forma de compatibilizar os conhecimentos científicos e os conhecimentos tradicionais. Nesse momento ímpar, que os nossos estudantes têm essa oportunidade de se adentrar nesse processo formativo. Outro ponto que eu gostaria também de mencionar, é que entender e preservar o cerrado, é missão da UFMG, especificamente aqui na nossa unidade acadêmica. A missão da interiorização da UFMG está nesse sentido também. Então, eu acho importante nós termos ciência e este momento é um momento de oportunizar esse compartilhamento das experiências, dos agricultores, dos agroestrativistas do cerrado com os conhecimentos que são adquiridos aqui na nossa unidade acadêmica. E terceiro ponto, é pensar o papel do Cerrado onde se envolve todo um processo do fluxo circular da venda em várias categorias das atividades sociais. Esse é um alerta. O cerrado não é só o bioma, mas as consequências desse bioma. O uso consciente desse bioma”.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
A reitora da UFMG, professora Sandra Goulart Almeida participou do evento de forma remota. Durante a abertura, Sandra Goulart destacou que esta é a primeira vez que a UFMG participa da organização da Semana Nacional do Cerrado. “Eu queria começar a falar da minha satisfação de estarmos realizando este evento que ocorre no contexto da 5ª Semana Nacional do Cerrado, que tem por tema Povos, Saberes e Natureza do Cerrado: resistência à crise climática. No caso da UFMG que participa, pela primeira vez nesta semana, de forma institucional, o nosso tema é Cerrado Vivo: construindo o futuro de um bioma ameaçado. Esse bioma, é o segundo maior bioma do nosso país e já teve 50% de seu espaço de uma certa forma destruído e nós precisamos não apenas recuperar, mas também preservar”, afirmou.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
A reitora ressaltou ainda a importância de preservação do bioma. “Ao preservar o Cerrado, nós estamos preservando mais do que esse ecossistema riquíssimo. Preservamos a nossa própria saúde, a saúde dos animais, as plantas também, todo o ecossistema que nós temos, garantindo esse conceito de saúde global, saúde única que é tão importante para todos nós. Então, eu espero que esse evento continue e seja um evento anual e que a gente possa, como universidade, contribuir não apenas para um país mais democrático, mas um país também mais sustentável, com um meio ambiente preservado”.
Programação diversificada
Após a abertura, tiveram início, no auditório do bloco C, as mesas redondas com os seguintes temas:
- Uma breve história social, cultural e produtiva do Cerrado;
- Uso sustentável da biodiversidade do Cerrado: manejo e valorização de espécies medicinais, frutíferas e oleaginosas;
- Águas, alimentos e populações: a experiência de pesquisa do SAT no Cerrado;
- Salvar o Cerrado: conservação, restauração e compromissos de futuro.
As mesas redondas foram realizadas durante a manhã e tarde.
No gramado central, foi realizada uma mostra com produtos á base de frutos do cerrado e plantas que compõem o bioma. Os visitantes puderam conhecer melhor algumas espécies, saborear sucos e picolés de frutos do cerrado e até mesmo fazer arte.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
Paralelamente, foram realizadas visitas guiadas de estudantes de escolas da educação básica pelo campus. Os alunos conheceram laboratórios, viveiros de mudas e também o Sítio Saluzinho, onde participaram de oficinas.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
As atividades no sítio incluíram quatro oficinas:
- Tintas da terra;
- Plantas medicinais;
- Coco macauba;
- Brincadeiras tradicionais.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
Os alunos foram divididos em grupos que participaram de cada uma das atividades. Além de estudantes de graduação do campus, representantes de comunidades tradicionais apresentaram os temas aos visitantes.
Para a professora da Escola Estadual Deputado Esteves Rodrigues, Rejane Pereira, o evento foi uma oportunidade para que os alunos vissem na prática o que aprendem em sala de aula. “Aqui eles têm uma ampliação do conhecimento, interagem com o ambiente universitário e com os povos tradicionais. E isso é muito importante para enriquecer o aprendizado, vendo de forma prática o que mostramos na escola”.
(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)