Além de esclarecer dúvidas sobre o trabalho da equipe, o presidente da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão da UFMG abordou questões históricas relacionadas à política de cotas

Professores, servidores técnico-administrativos e estudantes que vão compor a Comissão Complementar à Autodeclaração Racial do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG participaram, nesta terça-feira, 7 de março, de uma oficina formativa sobre o assunto. O presidente da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão da Universidade, professor Rodrigo Ednilson de Jesus, explicou a relevância desse trabalho e o envolvimento da comunidade acadêmica.
“A participação da comunidade acadêmica como um todo engloba dois pontos centrais. Primeiro, é fundamental que a política pública seja participativa e que as pessoas entendam e ao mesmo tempo operem a política. Há também a dimensão pedagógica: quando as pessoas se envolvem com essa temática, elas vão refletir sobre conceitos fundamentais relacionados a raça, racismo, miscigenação, identidade racial etc. E isso as torna capazes de multiplicar as ações dentro e fora da Universidade”, explicou.
Na parte em que resgatou um pouco da história das ações afirmativas e da política de cotas, Rodrigo Ednilson lembrou que, muitas vezes, o cumprimento de uma lei é encarado apenas como uma imposição de cima para baixo. “Trazer o elemento da construção histórica de uma reivindicação de igualdade, reconhecendo que a gente produziu desigualação histórica, é fundamental para pensarmos a lei não como uma imposição, mas como um projeto de sociedade. Uma lei que se propõe a promover a diversidade nos espaços acadêmicos está associada a uma ideia de universidade mais democrática, mais plural, que represente mais a cara da sociedade brasileira”, afirmou.
Comissão Complementar à Autodeclaração Racial
A secretária da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão da UFMG, Sheila Coelho, acompanhou o evento e detalhou as atividades desenvolvidas pelos membros da Comissão Complementar à Autodeclaração Racial. “No mínimo três membros da Comissão devem ver o candidato como integrante do público-alvo da política. O objetivo é evitar fraudes ou mau uso da lei, porque nem sempre é má-fé do candidato. Pode ser que, até aquele momento, ele não tenha questionado sua condição de público-alvo. Na banca de heteroidentificação, ele vai ser lido pelos representantes da sociedade, que são também membros da comunidade universitária, no que se refere aos seus traços físicos, e isso vai determinar se ele deve ser beneficiado por essa política de ação afirmativa”, explicou.
“A banca não define a identidade de ninguém. A banca avalia se a pessoa é socialmente lida como uma pessoa negra, porque a política é para pessoas negras. Trata-se de reconhecer uma pessoa pelo conjunto das características fenotípicas. Ela é alvo potencial do racismo no Brasil? Essa é a pergunta que deve ser respondida”, reforçou Rodrigo Ednilson.

O presidente da Comissão de Heteroidentificação do ICA, professor Maximiliano Soares Pinto, falou sobre a dinâmica de trabalho da banca, que é formada por cinco pessoas. “Cada um dos membros avalia o candidato e registra os dados no sistema. Com um número maior de integrantes da comissão, é possível mudar a composição nas diferentes bancas. A banca recursal, por sua vez, é necessariamente composta por membros diferentes da primeira. Também por isso, um maior número de participantes é importante”, ressaltou.
A professora Júlia Ferreira, que participou da banca de avaliação em anos anteriores, avaliou a oficina como muito produtiva. “Achei superimportante, principalmente para quem vai participar pela primeira vez, porque as pessoas costumam ter dificuldade na hora de fazer a identificação. O Rodrigo trouxe um histórico, o que torna mais fácil a pessoa integralizar o conteúdo para participar da banca.”
O procedimento de verificação e validação da condição dos candidatos que passam pelas bancas de heteroidentificação é realizado de forma presencial, conforme escala de atendimento divulgada no site Sisu UFMG. Em Montes Claros, a verificação é realizada no campus do ICA, localizado no bairro Universitário.
(Ana Cláudia Mendes/UFMG)