Atividades reuniram profissionais de diversas áreas do país  

O futuro do mercado com a inserção da inteligência artificial foi o centro das discussões da mesa redonda
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

A primeira atividade do VI Simpósio de Engenharia de Alimentos (Simeali) foi a mesa redonda com o tema “Impactos e potencial de aplicação da Inteligência artificial nas Ciências Agrárias”. A atividade foi realizada no auditório do bloco C,  em formato híbrido, e contou com a participação dos professores doutores Bruno Silva, da UFMG; Jairo Pinto de Oliveira, da Universidade Federal do Espírito Santo  e do doutor Filipe Inácio Matias, Lead in Phenomics na Syngenta Seeds LATAM. Após as palestras dos convidados teve início um debate sobre o uso da inteligência artificial nas Ciências Agrárias.

O professor Jairo Pinto de Oliveira, da Univrsidade Federal do Espírito Santo, participou da mesa redonda remotamente
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Entre os questionamentos, estavam o fato de a nova tecnologia provocar o desemprego. O professor Bruno Silva foi o primeiro a expor seu ponto de vista. ” Mais especificamente na área do agro, que é a área que eu atuo de forma intensa, as perspectivas é que, pelo contrário, nós vamos precisar de mais gente. Falta gente, hoje há falta de gente. A mão de obra capacitada, especializada, ela tem falta. Principalmente com a expansão das fronteiras agrícolas, expansão dos sistemas de produção, cada vez mais a gente tem demanda de mão de obra capacitada, especializada. A suinocultura hoje não se limita só a entendimento de bases fisiológicas, bases metabólicas. A gente precisa hoje entender de inteiro. Ou seja, é uma realidade: entender de dados, entender de trabalhar esses dados, interpretação de dados, e principalmente tecnologia”. Filipe Inácio Matias, complementou afirmando que, na verdade, com as mudanças pelas quais o mercado tem passado, percebe-se o surgimento de novas funções dentro das organizações.

Para o professor Jairo Oliveira, o tempo de implementação das novas tecnologias é que o que pesa. ” A questão da capacitação técnica dos profissionais que vivem diretamente no campo, que é a cultura mais tradicional. E, obviamente, o retorno para o investidor, o retorno a médio prazo, não vai ter que ser imediato. Então, existe, de certa forma, uma barreira de mercado para que isso seja consolidado ainda”.

Outro ponto abordado, foi a diferença entre os avanços tecnológicos em pequenas propriedades e em grandes empreendimentos. “Os pequenos produtores, os pequenos sistemas de produção, onde os filhos estão assumindo o negócio. E, de uma forma geral, pelo menos na assuntocultura, na minha área de atuação, os filhos são mais abertos à tecnologia. Mais abertos porque tiveram mais passada a pandemia. Estão mais interados com a inovação tecnológica. Então, eu vejo que o pequeno produtor ou o sistema de produção de escala menor, eles têm grande potencial para implementar com a sucessão familiar. Porque a geração nova vê a importância da tecnologia. Os grandes conglomerados, os grandes sistemas de produção, a tomada de decisão para implementar tecnologia passa por custo. Puro e simplesmente custo. Ou seja, o que eu vou ter de rentabilidade, benefício, quando eu implementar esse tipo de tecnologia? A discussão toda está aí”, afirmou Bruno Silva.

Filipe Matias complementou explicando os pontos avaliados na Syngenta. “Pensando na nossa área de fenotipagem digital, em larga escala a gente sempre pensa em quatro parâmetros, que é o custo, o tempo, a melhoria da qualidade de vida de quem está no campo e a qualidade dos dados. Então, se você consegue justificar essa nova tecnologia baseado em pelo menos dois desses parâmetros, já te dá suporte suficiente para a mudança da forma de trabalho”.

Palestra e Minicursos

Palestra do professor Warley Gramacho da Silva, da Universidade Federal de Tocantins
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Após a mesa redonda, foi realizada a palestra Visão Computacional Aplicada ao Controle de Qualidade de Frutos, com o professor doutor Warley Gramacho da Silva, da Universidade Federal de Tocantins. O docente iniciou a palestra complementando o tema discutido na mesa redonda. “Parte do que foi dito é parte do que eu trabalho. No entanto, vocês vão ter uma perspectiva totalmente diferente da atuação de cada um dos profissionais. Eu, com a minha formação na área de computação, tenho uma visão totalmente diferente da exploração dos problemas e dos desafios, enquanto vocês, profissionais do outro lado, da área fim. Eu costumo dizer que a área da computação é uma área meio, que é uma área de sustentação para as demais áreas, para dar suporte justamente no contexto que foi dito. Então, vocês vão perceber que a questão do conhecimento, vamos dizer, da área meio ou da área fim, é extremamente necessária e não será substituído pelo conhecimento da inteligência artificial, uma vez que a inteligência artificial, na realidade, inclusive é um tópico que é chamado de aprendizado de máquina, que na realidade aprende sobre os conceitos e informações que as áreas e as pessoas desenvolvem. Então, há essa preocupação e, entanto, a gente precisa fazer essa reflexão”.  Em seguida, o professor explicou sobre a evolução da tecnologia e como ela impactou a sociedade, incluindo setores de pesquisa.

Minicurso Probióticos e Fermentação: conexões com a saúde
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Durante a tarde, foram realizados quatro minicursos: Introdução ao Planejamento Estatístico Aplicado, com o professor doutor João Carlos Gonçalves, do IFNMG; Tecnologia e Inovação na Garantia da Qualidade nas Indústrias Farmacêuticas e de Alimentos, com a doutora Danielle Soares Malveira; YOLO: revolucionando a análise de imagens em Ciências Agrárias, com o professor doutor Carlos Alberto Araújo Júnior e Probióticos e Fermentação: conexões com a saúde, com o doutor Hugo Calixto Fonseca.

Gustavo Souza veio de Salinas, no Norte de Minas, para participar do Simeali
Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG

Para o estudante de Engenharia de Alimentos do Instituto Federal do Norte de Minas em Salinas, Gustavo Souza, o Simpósio tem sido bastante proveitoso. “Na quarta-feira, eu apresentei um trabalho voltado para a secagem solar de frutas ali na mesma região de Salinas. Hoje, estou participando da mesa redonda, palestra e minicursos. Estou achando o evento ótimo. Os temas são bastante relevantes”.

(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)