Um grupo de estudantes do curso de Licenciatura em Dança da Escola de Belas Artes da UFMG, coordenado pelo estudante André Sousa, percebendo a ausência de discussões étnico raciais dentro do curso e a partir de reproduções de pensamentos racistas de colegas, deflagrou-se o desejo de organizar uma ação intitulada EnegreSer.

Com o evento, o grupo de alunos pretende discutir “a Arte e a Dança fazendo um recorte das relações étnico raciais e a negritude, pensando que essas relações são potentes e frutíferas”, diz André. A programação do projeto integra apresentações artísticas, rodas de conversa e oficinas com professores e pesquisadores da UFMG, artistas locais e do Rio de Janeiro.

Os estudantes justificam a realização do projeto a partir do parecer do CNE/CP n.º 3, de 10 de março de 2004, do MEC que diz que “a Educação de Ensino Superior é responsável, dentre muitas outras coisas, a “inclusão de discussão da questão racial como parte integrante da matriz curricular, tanto dos cursos de licenciatura, (…) como de processos de formação continuada de professores, inclusive de docentes no Ensino Superior”. Assim, eles argumentaram que “Como ainda este tema não é presente no Projeto Politico Pedagógico, recorrer à Chamadas PRAE é uma forma alternativa de cumprir às demandas formativas dos graduandos e graduandas no sentido de trazer e discutir diferentes abordagens artísticas acerca da cultura negra”.

 

 

Para André Sousa esta edição do evento “ainda não recebeu a devida atenção dos alunos e professores do próprio curso, mas sim de pessoas e grupos de fora da UFMG”. André completa dizendo que “realizar este projeto é muito gratificante e acho que ele é uma formação complementar muito importante, pois produzir um evento da dimensão do Enegreser é uma experiência muito rica que vai além da sala de aula”.

O II Encontro EnegreSer, que aconteceu nos dias 28, 29 e 30 de setembro, foi financiado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis através das Chamadas PRAE – Ações Afirmativas 2017, e recebe também o apoio do Colegiado de Dança e da Diretoria da Escola de Belas Artes, além do apoio artístico-cultural da Temporada FAN 2017 (Festival de Artes Negras de Belo Horizonte).