Levantamento tem caráter censitário; na UFMG, cerca de 33 mil discentes poderão responder ao questionário on-line até 4 de maio
Nos últimos 30 anos, os resultados de cinco pesquisas foram fundamentais para mapear com precisão as mudanças no perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação das universidades públicas, que passaram a espelhar a heterogeneidade presente na sociedade brasileira, e para atestar o êxito das políticas afirmativas adotadas neste século. Foram esses levantamentos que indicaram a importância de alocar, de forma permanente, recursos para a manutenção e ampliação dos programas de assistência estudantil, com vistas à permanência qualificada desses grupos historicamente excluídos do acesso ao ensino superior público.
Com um hiato de oito anos, foi lançada neste mês a sexta edição do perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação, que pretende alcançar 1,3 milhão de discentes de 69 universidades federais e dos centros federais de educação tecnológica de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Dessa vez, o levantamento conta, além da Andifes, que coordenou as pesquisas anteriores, com a chancela do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC). As outras cinco edições do censo foram realizadas em 1996, 2003, 2010, 2014 e 2018.
A pesquisa, que pode ser respondida até 4 de maio, pretende levantar informações precisas e atualizadas sobre as condições socioeconômicas, trajetória acadêmica, acesso a políticas institucionais, condições de saúde, trabalho e perspectivas em relação à formação. “Com esses dados, conseguiremos tomar decisões que impactarão positivamente a trajetória acadêmica dos estudantes”, afirma a pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFMG, Licinia Maria Correa, que contribuiu com a estruturação da pesquisa por meio de sua participação no Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace), um dos três colegiados assessores da Andifes envolvidos no levantamento – os outros são o Cogecom (comunicação) e o CGTIC (tecnologia da informação).
Adesão é fundamental
Só na UFMG, 33,5 mil estudantes de graduação estão aptos a responder ao levantamento. De acordo com Licinia Correa, por se tratar de uma pesquisa censitária, o objetivo é alcançar a totalidade ou um número bem próximo de discentes que compõem esse universo. “Os resultados das pesquisas anteriores foram muito importantes, por exemplo, para legitimar a criação de uma política nacional de assistência estudantil, que foi institucionalizada por meio de lei em 2024”, afirma a pró-reitora de Assuntos Estudantis, reforçando a necessidade de adesão ao censo.
O questionário da sexta edição da pesquisa contém 54 perguntas, que abrangem temas como identidade e pertencimento, perfil socioeconômico e cultural, escolarização do pai e da mãe, território de origem e da universidade, área de estudos e interesses de inserção profissional, projetos de futuro, participação em atividades acadêmicas, condição de saúde mental, participação em atividades culturais, de lazer, esporte, convivência e engajamento em movimentos estudantis, sociais e políticos. A estimativa é que o estudante gaste de 10 a 15 minutos para responder a todas as questões.
O objetivo é alcançar todos os estudantes de graduação, mesmo aqueles que não são contemplados por programas de assistência. “Há pessoas que precisam de algum tipo de apoio, mas nem sempre estão no radar das instituições. Esse levantamento também será importante para identificá-las”, pondera a pró-reitora da UFMG.
Licinia Correa avalia, ainda, que os resultados do censo poderão ajudar o governo federal e as universidades a compreender melhor os desafios impostos pelo processo de democratização do acesso ao ensino superior nas últimas décadas, que se deu, por exemplo, pela ampliação da reserva de vagas, que passou a incluir estudantes quilombolas. “Com esses dados em mãos, poderemos redimensionar os programas de assistência estudantil, focalizando aspectos mais eficazes para garantir a permanência no ensino superior”, conclui.