
Visitante observa obra da exposição ‘Arte em movimento: traço, memória e a liberdade do gesto’, aberta até 24 de julho no Centro Cultural UFMG
Foto: Raphaella Dias | UFMG
Começou oficialmente, na noite dessa terça-feira, dia 14, a 58ª edição do Festival de Inverno UFMG. Autoridades, professores, pesquisadores e artistas reuniram-se no pátio do Centro Cultural UFMG para dar início à programação que segue até o dia 24 de julho, em diferentes espaços da Universidade, em Belo Horizonte e Tiradentes. Com o tema Veredas das artes, esta edição é focada nas artes produzidas em Minas Gerais e celebra os 60 anos do Festival de Inverno UFMG e os 70 anos da Escola de Belas Artes.
A mesa de abertura contou com a presença do reitor Alessandro Fernandes Moreira, da vice-reitora Alamanda Kfoury Pereira, do pró-reitor de Cultura, Fernando Mencarelli, e da pró-reitora adjunta, Mônica Medeiros Ribeiro, coordenadores do Festival.
Em sua fala de abertura, Mônica Medeiros afirmou que a realização desta edição do Festival é mais um ato de resistência como tem sido todos os anos. “O Festival de Inverno UFMG não pode deixar de existir”, afirmou.
Fernando Mencarelli salientou que, ao longo de seis décadas, o Festival de Inverno UFMG só não foi realizado em dois anos. Segundo ele, o evento é “um esforço de adaptação, repetição e recriação. Uma resposta que a UFMG dá para as agendas contemporâneas. Uma expressão de como a universidade se vê e se pensa, enquanto instituição cultural”.
Para o pró-reitor, a UFMG é uma universidade que começou cedo a celebrar sua cultura, sua diversidade e que abriu caminho para outros festivais em Minas Gerais, como os das universidades federais de Juiz de Fora (UFJF), de Outro Preto (Ufop), do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e de São João del Rei (UFSJ), que hoje fazem parte de nova parceria entre festivais universitários inaugurada em 2025. “A UFMG tem essa história e olha para o futuro”, concluiu.

Alessandro Moreira destacou a capacidade de reinvenção do Festival de Inverno
Foto: Filipe Sartoreto | Procult
Encerrando a mesa de abertura, o reitor Alessandro Moreira destacou a contribuição da UFMG e do Festival de Inverno para o cenário cultural de Minas Gerais e do Brasil, por meio de grupos como Giramundo, Corpo e Galpão, entre outros que tiveram seu surgimento e trajetória ligados ao festival. O reitor citou o escritor Guimarães Rosa, cuja obra inspirou a 58ª edição, para ilustrar a capacidade do Festival de Inverno de se renovar. “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando.” E concluiu: “Somos uma universidade e um festival em permanente construção. Uma obra belamente inacabada”.
Homenagem
No momento mais emocionante da noite, o diretor do Centro Cultural UFMG, Fabrício Fernandino, subiu ao púlpito para apresentar a exposição Arte em movimento: traço, memória e a liberdade do gesto, que homenageia artistas e professores que ajudaram a construir a história da Escola de Belas Artes da UFMG.
Aberta à visitação no Centro Cultural, a mostra reúne obras de Álvaro Apocalypse, Beatriz Coelho, Eduardo de Paula, Haroldo Mattos, Herculano Campos, Jarbas Juarez, Jefferson Lodi, Pompeia Brito, Wilde Lacerda e Yara Tupynambá. “Aqueles que souberam transformar sonhos em legado”, nas palavras de Fernandino.

Beatriz Coelho e Fabrício Fernandino: paixão e aprendizado
Foto: Filipe Sartoreto | Procult
Homenageada especial da noite, a professora emérita da UFMG Beatriz Coelho contou sua história de como chegou à UFMG no início dos anos 1970, vinda de Pernambuco, e em 1976, como vice-diretora da Escola de Belas Artes, encarou o desafio de restaurar 13 obras da Escola de Música, perdidas há mais de 10 anos. Beatriz Coelho se dedicou ao aprendizado da restauração, trabalho até então desconhecido dos professores da Unidade. O esforço rapidamente virou paixão e deu origem, em 1978, ao pioneiro curso de formação de restauradores, e à fundação, em 1980, do Cecor (Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais). As duas estruturas estabeleceram a UFMG como referência brasileira na restauração de obras de arte.
Emocionada, Beatriz agradeceu o reconhecimento do trabalho de “uma artista que, como professora, decidiu aprender algo novo para, quem sabe, poder ensinar outras pessoas”.
Encerrando a noite de abertura, o público assistiu a uma apresentação do espetáculo Cobra Norato, do grupo Giramundo. Referência mundial no teatro de bonecos, o grupo foi fundado por Álvaro Apocalypse, professor da Escola de Belas Artes, e teve a UFMG como sede por 23 anos. A apresentação foi especialmente adaptada para o auditório do Centro Cultural UFMG, com lotação esgotada.

Público reunido no pátio do Centro Cultural UFMG durante a abertura do 58º Festival de Inverno
Foto: Raphaella Dias | UFMG