Artistas

Ulisses Mendes

Apresentar Mestre Ulisses Mendes, de Itinga, Vale do Jequitinhonha, me faz relembrar nossos primeiros encontros. Antes de conhecê-lo, conheci seus “Cristos” e suas “Cristas”: camponeses e camponesas; sofredores e sonhadores. Imagens que denunciam a pobreza, o desencanto, o esquecimento, a penúria, o sofrimento.

Muito tempo depois, reencontrei Ulisses. Seu ateliê fica nos fundos de sua casa, ao lado do “forno de queimar as peças”. Inúmeros vidros de água de barro compõem o cenário, juntamente com instrumentos e objetos. E os personagens, Alziras, Geraldos, Cristos e Cristas, a escrava Felícia, caixeiros viajantes, políticos, capetas…Todos permanecem ali, contando suas histórias e compondo o ambiente.

Ao falar de seu trabalho, Mestre Ulisses se transforma. Seus momentos de reflexão navegando no rio Jequitinhonha, suas andanças pelos matos, roças, cantões e brejos em busca de novas argilas, novos pigmentos e plantas para a queima de suas peças fazem parte de um ritual. O ritual do artista. A reclusão para o reabastecimento, para aguçar o olhar, para desanuviar e descobrir coisas e depois transformá-las em mensagens e ensinamentos.

Ulisses Mendes, como dizem, é o cronista da cerâmica do Vale do Jequitinhonha. Utiliza as mãos, as palavras e sua sabedoria de homem do cerrado em um discurso articulado sobre o papel do artista na sociedade atual. Participa de seminários, ministra palestras e oficinas de cerâmica, divulgando a cultura e o estilo próprio de moldar, pintar e queimar o barro.

*Trecho extraído do texto Mestre Ulisses Mendes, de Terezinha Furiati

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Mestre Ulisses Mendes