Engenharia estuda uso do rejeito de ardósia na fabricação de tijolos
 

Material até hoje sem qualquer uso econômico e responsável pelo assoreamento de rios, o rejeito industrial da ardósia começa a ser "reabilitado" por uma pesquisa desenvolvida no departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola de Engenharia.
Coordenados pelo professor Herman Mansur, os estudos constataram que o rejeito pode substituir a cerâmica vermelha na fabricação de tijolos e tubos. Isso eliminaria mais um problema ambiental, já que a cerâmica resulta de outra atividade extremamente poluidora: a extração da argila e do barro.

As vantagens econômicas do uso desta nova matéria-prima são consideráveis. Segundo o professor, o uso do material reduziria drasticamente os gastos com a produção de tijolos e tubos, já que o rejeito de ardósia, além de nada custar, é abundante em Minas Gerais. "A região Noroeste do estado possui a maior jazida de ardósia do mundo e responde por 90% da produção nacional", informa Mansur. Cada tonelada de ardósia mineral usada na construção civil como peça de acabamento rende 300 quilos de rejeito, composto, principalmente, de pó e cascalho.

As possibilidades de aproveitamento do rejeito estão sendo avaliadas através de análises mecânicas, térmicas e químicas. "Após os testes, saberemos onde o material poderá ser utilizado: se em prédios, casas populares ou tubulações por onde passam produtos químicos", exemplifica o professor Mansur.  O emprego do rejeito de ardósia em casas populares, por sinal, é tema de outro projeto que o pesquisador está iniciando em parceria com o professor Rodrigo Oréfice, também do departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais. O estudo, que aguarda financiamento da Pró-Reitoria de Pesquisa, utiliza o rejeito juntamente com plástico processado.

Patenteado em 1997 pela Universidade, a pesquisa do professor Mansur já despertou interesse de 70 empresas da área da construção civil. "Estamos em negociações com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). É bem provável que, em seis meses, o departamento comece a desenvolver um projeto-piloto em conjunto com uma empresa do setor", afirma. Já a produção em escala industrial, segundo o professor, deverá demorar cerca de dois anos.

Fonte: Boletim  UFMG
Nº 1311 - 28.03.2001