Livro analisa impacto das Formações Transversais no ensino de graduação da UFMG

Lançamento e aula inaugural serão realizados na terça-feira, dia 3

Capa do livro de Formações Transversais da UFMG

Livro reúne reflexões sobre as FTs, responsáveis por profundas transformações no ensino de graduação Foto: Luana Macieira | UFMG

Na próxima terça-feira, 3, a partir das 9h30, será realizado o lançamento do livro Formações transversais – diversidade, epistemes e novos saberes no ensino e graduação das UFMG, no auditório da Reitoria, no campus Pampulha. A obra foi organizada pelos professores Terezinha Cristina da Costa Rocha, da Faculdade de Educação (FaE), e José Alfredo Oliveira Debortoli, da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO). A versão em e-book da obra está disponível.

Segundo o professor Bruno Otávio Soares Teixeira, pró-reitor de Graduação da UFMG, o livro registra o o compromisso da Universidade com uma formação acadêmica e cidadã que articula os diversos campos do conhecimento em uma perspectiva transversal. “Essa perspectiva promove a interação entre cursos de graduação e pós-graduação, áreas e sujeitos da comunidade universitária, e também aqueles com quem ela colabora. Ao sistematizar experiências e reflexões, o livro não apenas registra um corajoso percurso institucional de inovação no ensino, mas também oferece referências para que continuemos avançando na construção de práticas pedagógicas flexíveis, críticas, colaborativas e socialmente comprometidas. Acredito que se trata de uma contribuição que ultrapassa nossos muros e fortalece o debate nacional sobre a qualidade e o sentido da formação na educação superior”, diz.

Antes do lançamento do livro, às 9h, haverá performances dos professores Mauro Rodrigues, da Escola de Música, Carlos Falci, da Escola de Belas Artes (EBA), e  Gil Amâncio, doutor em Educação por Notório Saber em 2022 pela UFMG.

Em seguida ao lançamento, a partir das 10h30, ocorre a aula inaugural das Formações Transversais da UFMG, com o professor Ricardo Takahashi, do Departamento de Matemática do Instituto de Ciências Exatas (ICEx). O evento também contará com sessão de autógrafos após a aula inaugural.

Em texto que ocupa a contracapa da obra, Takahashi situa as FTs como “caudatárias” de uma tradição latino-americana marcada pelo compromisso de suas universidades com a transformação social: “Na UFMG, diversos projetos e programas de extensão existentes há décadas convergiram, a partir de 2014, para a estrutura das FTs, assim potencializando uma maior capilaridade interna tanto em relação público estudantil quanto aos docentes de diferentes áreas de conhecimento”.

Modelo calcado na transversalidade
A partir da aprovação da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional, os cursos de graduação das instituições brasileiras de ensino superior iniciaram um movimento de transformação do modelo de currículo mínimo para um modelo baseado em diretrizes curriculares nacionais de referência. Em consonância com a nova legislação, a UFMG iniciou a formulação de uma política curricular institucional pautada na flexibilização, da qual resultaram as Formações Complementares.

As Formações Transversais da UFMG foram criadas em 2014, como evolução das Formações Complementares. Naquele momento, a intenção era que os alunos pudessem optar por cursar, como parte integrante de sua formação, um elenco de atividades acadêmicas que abordassem temáticas de interesse geral, visando incentivar a formação de espírito crítico e de visão aprofundada em relação a grandes questões do país e da humanidade.

A Formação Transversal é então proposta como um conjunto de atividades acadêmicas curriculares que compõem um minicurrículo de uma temática específica e que são ofertadas por diversos departamentos de diferentes unidades acadêmicas. Diferentemente da proposta de formação complementar aberta, que permitia ao estudante cursar um subconjunto de atividades acadêmicas curriculares de um outro curso de graduação – guardando correlação com o modelo de minor adotado especialmente em universidades estadunidenses – , a proposta de Formação Transversal extrapolou o conceito de interdisciplinaridade para o conceito de transversalidade.

No prefácio da obra Formações transversais – diversidade, epistemes e novos saberes no ensino e graduação das UFMG, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida destaca que as FTs estimulam a consciência crítica. “Elas propiciam o questionamento fundado no compartilhamento de saberes. Todas as atividades encontram pontos de convergência com a temática de formação específica dos cursos de graduação e pós-graduação. Essa linha de formação busca estabelecer condições para germinar um conhecimento transformador, preocupado com as desigualdades e construído por diversos sujeitos. Ao longo desses dez anos, as FTs têm ganhado consolidação no ensino, na pesquisa e na extensão, ao mesmo tempo que se tornaram um diferencial no perfil dos egressos da UFMG.”

A UFMG conta com 11 Formações Transversais: Acessibilidade e inclusão; Agricultura familiar e agroecologia; Culturas em movimento e processos criativos; Direitos humanos; Divulgação científica; Empreendedorismo e inovação; Estudos internacionais; Gênero e sexualidade; Meio Ambiente e sustentabilidade; Relações étnico-raciais e Saberes tradicionais. Os estudantes podem consultar as disciplinas ofertadas em cada Formação Transversal.

(Luana Macieira – Cedecom/UFMG)