Autor: QUEIROGA, G.N.
Orientador: PEDROSA-SOARES, A .C.
Outros autores: GUERRA, K.J. [PROBIC/FAPEMIG];;
Linhas de pesquisa no CNPq: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA / GEOLOGIA
Unidade: INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
Departamento: CENTRO DE PESQUISA PROF. MANOEL TEIXEIRA DA COSTA (CPMTC)
Palavras-Chave: COMPLEXO JEQUITINHONHA - ORÓGENO ARAÇUAÍ - CICLO BRASILIANO
O Complexo Jequitinhonha representa espessa associação de gnaisses aluminosos e peraluminosos (kinzigíticos), com intensidades diversas de migmatização, que ocorre no extremo nordeste de Minas Gerais e sul da Bahia. Este complexo engloba espessas camadas de grafita gnaisse e intercalações menores de quartzito, granulito calcissilicático e leptinito. Estes gnaisses são constituídos por quartzo, feldspato potássico, plagioclásio sódico e biotita, com conteúdo variável de granada, cordierita, sillimanita e grafita. O principal processo de alteração é a sericitização. Os protolitos destes gnaisses são interpretados como sendo grauvacas pelíticas, pelitos e arcósios, depositados sob condições oxidantes em ambiente marinho, com camadas de lama rica em matéria carbonosa (hoje transformada em grafita) indicadoras de locais com baixa oxigenação. O Complexo Jequitinhonha encaixa granitos das suítes G2 e G3S, que representam diferentes estágios de granitogênese no Orógeno Araçuaí. Os granitos da Suíte G2, que ocorrem na seção entre Almenara e Itaobim, são compostos de quartzo, ortoclásio, plagioclásio sódico, biotita, granada e minerais opacos. A sericitização de feldspatos é marcante. Estes granitos mostram-se tectonicamente foliados (gnaissificados) e têm restos de paragnaisse migmatizado e outros metassedimentos, representando magma peraluminoso (tipo S) que se cristalizou durante a Orogenia Brasiliana. Nesta mesma seção, a Suíte G3S compreende corpos de cordierita-granada leucogranito sem foliação tectônica, hospedados nos granitos foliados da Suíte G2. O cordierita-granada leucogranito ocorre como veios isolados ou ramificados, bolsões e pequenos stocks, nos quais podem ser observados restos com a estrutura, textura e composição do granada-biotita granito G2. A composição mineralógica principal do leucogranito é quartzo, microclina, plagioclásio sódico, cordierita e/ou granada. A cordierita cresce sobre a granada, sugerindo cristalização a pressão inferior em relação aos granitos G2. Atributos geoquímicos, tais como enriquecimento relativo em Rb, Y e P versus empobrecimento em Sr, mostram que os leucogranitos G3S são mais enriquecidos em elementos incompatíveis (LILE, large ion lithophyle elements) que os granitos G2. As relações de campo, dados petrográficos, geoquímicos e geocronológicos indicam episódios de fusão parcial da crosta há cerca de 580-560 Ma (G2) e 540-515 Ma (G3S), nos quais o Complexo Jequitinhonha deu origem a granitos G2 e estes aos leucogranitos G3S.
Apoio: CNPq e NSF-USAp>
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