Resumos da XI Semana de Iniciação Científica
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LINGÜÍSTICA, LETRAS E ARTES

Imagens de Portugal nas poesias de Cesário Verde e Al Berto

Autor: SOUSA, A.S.

Orientador: REIS, E.P.

Outros autores: ;

Linhas de pesquisa no CNPq: LINGÜÍSTICA, LETRAS E ARTES / TEORIA DA LITERATURA

Unidade: FACULDADE DE LETRAS
Departamento: LETRAS VERNÁCULAS

Palavras-Chave: ALTERIDADE - IDENTIDADE CULTURAL PORTUGUESA - POESIA PORTUGUESA

A originalidade da obra de Cesário Verde é o ponto principal para, primeiro, apontar a emblemática ruptura com conceitos estéticos e ideológicos comuns a uma época, portanto, sem parâmetros que o determinem ou o encerrem em algum estilo. Segundo, a originalidade é, ainda, identificada pela análise social, literária, lingüística e estética da obra, sobretudo em O sentimento dum ocidental. O tratamento dispensado à obra concede a seu autor o papel de um dos principais ou o principal representante da modernidade em Língua Portuguesa. A intertextualidade com Charles Baudelaire e Luís de Camões, entre outros, e a apropriação de temas apontam a incansável busca de Cesário por uma 'escrita-identidade' já que o poeta soube, como nenhum outro, utilizar técnicas de desconstrução/reconstrução vocabular com o objetivo de gerar um texto Cesárico. A aproximação do nome de Al Berto com os nomes dos poetas heterônimos pessoanos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro são representações semióticas de um corpo que, embora separado (Al e Berto), revela vínculos. Interstício - metáfora da separação do corpo e da alma, Eros e Tanathos, objetivo e subjetivo; antagonismos chave que comandam as vidas dos seres humanos. Espaço entre nomes - entre-lugar - talvez um artigo determinante (árabe Al) e seu determinado - Berto). Ocorrem várias significações e possibilidades: Al (determinante) + Berto (determinado), Alberto (nome do poeta, Alberto Pidwell Tavares), Alberto (alusão ao heterônimo pessoano). Todas essas suposições acerca do nome ou 'epíteto' escolhido pelo poeta, apenas ressaltam o caráter enigmático e, talvez, epigráfico do autor de Salsugem. Os espaços portuários, pouco assépticos, escuros e povoados por uma 'polifonia poética' ávida por experiências marcantes e passageiras, transformam-se no locus onde ocorre a busca por experiências do sujeito poético albertiano. Nestes ambientes ou num quarto pequeno, o ritual da escrita ou da inscrição da memória ocorre. A produção de ou a busca por uma identidade a partir da escrita, visceralmente associada à memória cultural portuguesa, é fato marcante na obra dos dois poetas em tela.

Apoio: FAPEMIGp>

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
25 a 29 de Novembro de 2002
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA
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