Autor: VIEIRA, F.E.
Orientador: OLIVEIRA, L.C.V. DE
Outros autores: ;
Linhas de pesquisa no CNPq: LINGÜÍSTICA, LETRAS E ARTES / TEORIA LITERÁRIA
Unidade: FACULDADE DE LETRAS
Departamento: SEMIÓTICA E TEORIA DA LITERATURA
Palavras-Chave: DESCRIÇÃO - ANÁLISE - NUMA VÉSPERA DE NATAL
Durante muito tempo, a questão da descrição foi relegada a uma situação de quase indigência literária, sendo reconhecido seu estatuto de discurso literário apenas no final do século XVIII e início do século XIX. É com o desenvolvimento da corrente realista-naturalista, e seu largo emprego na mesma, que o fenômeno descritivo ganha maior projeção. Antes considerado como um discurso intruso, não-literário e específico de outras áreas do conhecimento, tais como a lógica, a filosofia e a ciência, a descrição consegue, como instrumento fundamental para a construção dos romances realistas, adquirir sua legitimidade dentro da esfera literária. Mas esta legitimidade não significou o fim da polêmica descritiva. Uma vez aceita como uma ferramenta literária, a descrição teve o seu papel subestimado em relação à narração, ou seja, foi (e ainda o é por muitos teóricos) considerada como um parasita da narração. A dicotomia narração-descrição, então, cristaliza-se como sendo formada por dois blocos estanques, distinguíveis por uma rede maniqueísta de qualitativos, isto é, os pares: ação-suspensão da ação, dinâmica-estática, sintagma-paradigma caracterizariam de modo absoluto o texto narrativo e o texto descritivo, respectivamente. E é para compreender a especificidade deste discurso, que pretendo analisar os processos descritivos no conto Numa véspera de Natal, de Josué Montello.
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