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Pesquisa e Inovação

Laboratório de Hipertensão da UFMG identifica molécula com potencial contribuição para o tratamento da doença

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

Artigo publicado na revista Circulation Research, periódico oficial da Associação Americana do Coração, por pesquisadores do Laboratório de Hipertensão da UFMG, sediado no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e coordenado pelo cientista Robson Santos, discorre sobre a Alamandina-(1-5), molécula recém-identificada com potencial para aperfeiçoar o tratamento da hipertensão e de doenças cardíacas.

No artigo Identification and characterization of Alamandine-(1-5), a new component of the Renin-Angiotensin System, os pesquisadores demonstram que Alamandina-(1-5) está presente na circulação de humanos e roedores saudáveis ​​e promove diversas ações biológicas centrais e periféricas, com fortes efeitos hipotensores (que baixam a tensão arterial) e mecanismos de ação variáveis entre diferentes tecidos. A descoberta reforça o papel do grupo da UFMG como protagonista na compreensão dos mecanismos cardiovasculares e na proposição de novas estratégias terapêuticas baseadas em peptídeos (cadeias curtas de aminoácidos) bioativos protetores.

O grupo de pesquisa protagonizou descobertas pioneiras que possibilitaram um novo entendimento do controle hormonal do sistema cardiovascular. Entre elas, a identificação da Angiotensina-(1-7) e de seu receptor, a Alamandina e seu receptor e, mais recentemente, a Alamandina-(1-5). Ao todo, o laboratório é responsável pela descrição de cinco novos componentes do sistema renina-angiotensina, responsável pela regulação cardiovascular.

Reconhecimento

“Essas descobertas ampliaram os horizontes da medicina cardiovascular e nos trouxeram um reconhecimento internacional enorme”, afirma Robson Santos. Reconhecido entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo, e listado recentemente entre os cientistas mais relevantes do planeta,  segundo o ranking da Universidade de Stanford, o pesquisador é hoje uma das maiores referências em fisiologia cardiovascular.

Quarenta anos atrás, o Laboratório de Hipertensão da UFMG começou com apenas três pesquisadores – além de Santos, Maria José Campanholi e Marie Sumitani buscavam compreender os mecanismos que regulam a pressão arterial. Hoje, o grupo se transformou em um dos centros científicos mais respeitados do Brasil e do mundo, referência em fisiologia cardiovascular e em inovação farmacológica. “Nós alteramos a visão do sistema renina-angiotensina. O laboratório foi fundamental para adicionar novos componentes ao sistema e ampliar o conhecimento sobre algo que, até então, parecia consolidado”, recorda o fundador e coordenador do laboratório.

Formação e inovação

Ao longo de quatro décadas, o Laboratório de Hipertensão também se consolidou como um celeiro de cientistas. Mais de uma centena de alunos de mestrado e doutorado passaram por suas bancadas — muitos hoje são professores titulares em universidades do Brasil e do exterior, ou integram grupos de pesquisa na em países como Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Canadá. “Ver o sucesso desses egressos é uma das maiores recompensas dessa caminhada”, comenta o professor. Essa rede global de ex-alunos reforça a dimensão formadora do laboratório, que combina excelência acadêmica, colaboração internacional e compromisso com a inovação.

Mais de 60 patentes foram depositadas a partir das pesquisas conduzidas pelo grupo, algumas já transferidas para a indústria farmacêutica. A parceria histórica com grupos de pesquisa da Alemanha, iniciada em 1991, foi decisiva para o salto qualitativo das investigações, tornando o laboratório um polo de intercâmbio científico. Apesar dos desafios para transformar conhecimento em produtos no Brasil, Santos mantém o espírito pioneiro: “A inovação radical ainda é rara na indústria nacional, mas seguimos acreditando que é possível fazer ciência de ponta aqui”, ressalta.

Fonte

Assessoria de Imprensa da UFMG

assessoriadeimprensa@ufmg.br

https://ufmg.br/comunicacao/assessoria-de-imprensa