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Conexões

Dia da Memória do Holocausto: Pesquisadora da UFMG lembra o alerta do genocídio causado pelo nazismo

Coordenadora do NEPAT, Anna Carolina Viana, comenta pesquisa que mostra desconhecimento sobre o tema por muitos brasileiros

Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a coordenadora do Núcleo Brasileiro de Estudos de Nazismo e Holocausto (NEPAT), doutoranda em história na UFMG, professora do ensino básico e pesquisadora do Projeto República, vinculado ao Departamento de História da Universidade, Anna Carolina Viana, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é lembrado em 27 de janeiro. A data foi escolhida por remeter à libertação de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, o maior de todos os campos de concentração controlados pela Alemanha nazista, há exatos 81 anos, homenageando os mais de 6 milhões de mortos pelo regime liderado por Adolf Hitler. Os mais perseguidos foram os judeus, mas também foram vítimas grupos como os negros, população LGBT+, pessoas com deficiência, comunistas, feministas e opositores da ditadura alemã em geral.

Para marcar a data, foi lançada na última semana, uma pesquisa apresentada pelo Grupo ISPO a respeito do conhecimento sobre esse momento fúnebre da História mundial. Ela aponta que a maior parte dos brasileiros, cerca de 60%, já ouviu falar do Holocausto, mas somente a metade deles, aproximadamente 53%, sabe a definição correta. De acordo com o estudo, o conhecimento sobre o tema se mostra ainda mais frágil quando são analisados elementos específicos, como o reconhecimento de que Auschwitz-Birkenau foi um campo de concentração e de extermínio do povo judeu, o que foi feito por apenas 38% dos entrevistados. A pesquisa também demonstrou que a escolaridade é o fator mais determinante para o nível do conhecimento sobre o Holocausto.

Entre os entrevistados com pós-graduação, aproximadamente 86% acertaram a definição. Por sua vez, apenas 27% das pessoas com Ensino Médio completo sabiam a resposta. O mesmo ocorre com a renda familiar: somente cerca de 43% daqueles que recebem até dois salários-mínimos conheciam a definição correta do Holocausto, contra quase 90% daqueles com renda superior a 10 salários mínimos.

Na análise da doutoranda, a pesquisa mostra que não atingimos o nível adequado de ensino do Holocausto nas escolas. Ao mesmo tempo, ela ressalta que o Brasil ainda valoriza pouco a cultura de museus e espaços de memória e que são necessárias políticas fortes de estímulo a esses locais. Anna Carolina ainda enfatiza que o Holocausto serve como alerta e mostra que vivemos na mesma sociedade que o produziu, estando sujeitos às mesmas consequências. Assim como não se pode negar o sofrimento do povo judeu, não se pode fechar os olhos para as violações causadas ao povo palestino hoje pelo Estado de Israel, conclui.

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