Bad Bunny e a importância de trazer o orgulho latino em tempos de perseguição são tema de entrevista
Pesquisador em comunicação e cultura pop Antonio Lira destaca atual momento do rapper porto-riquenho e política anti-imigração nos EUA
Nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, o jornalista, músico e pesquisador em comunicação, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco e membro do Grupop UFPE, Grupo de Pesquisa em Comunicação, Música e Cultura Pop, Antonio Lira conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Bad Bunny vive, provavelmente, o melhor momento que um cantor de língua não inglesa já viveu. Nascido em Porto Rico, Benito Antonio Martinez Ocasio, conhecido profissionalmente como Bad Bunny, foi o artista mais ouvido no Spotify global, em 2020, 2021, 2022, e 2025 e tem várias músicas no topo das paradas pelo mundo, além de bater o recorde de música em espanhol mais ouvida em 24 horas na plataforma.
No início deste mês, o rapper recebeu o prêmio de álbum do ano no Grammy, consagrando-o como o primeiro artista latino a vencer com um álbum cantado totalmente em espanhol. Na ocasião, Bad Bunny ressaltou o posicionamento contra as políticas anti-imigratórias de Donald Trump, que lhe renderam comentários negativos do presidente dos Estados Unidos. Logo depois, em 8 de fevereiro, o artista participou do show de intervalo do Super Bowl, um super evento esportivo anual, sendo um dos mais vistos no mundo, e o de maior audiência nos Estados Unidos. Ao fim da apresentação, Bad Bunny relembrou aos estadunidenses, todos os países que compõem a América.
Nessa carreira de rápida ascensão, iniciada em 2018, enquanto ele trabalhava em um supermercado, ele ficou marcado pela valorização de ritmos latinos e letras que produzem discussões sobre gênero, feminismo, migração e principalmente questões políticas de Porto Rico. Bad Bunny tem shows marcados no Brasil para hoje e amanhã, em São Paulo, os únicos marcados aqui no país.
O pesquisador ressaltou a origem de Bad Bunny, em Porto Rico, o que ajuda a entender sua arte, vinda de um território que pertence aos EUA e é fundamental para a indústria musical. O jornalista destacou que o momento de maior sucesso da carreira do rapper se soma ao cenário de perseguição que os imigrantes latinos vivem no governo Trump. Para Lira, é importante que Bunny aproveite a visibilidade de eventos como o Grammy e o Super Bowl para colocar em pauta questões políticas, mas sem perder de vista as contradições e os acordos com a indústria pop.
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