Pesquisadores da UFMG falam na AML sobre ‘caminhos’ da língua portuguesa no Brasil
Gratuito, evento ocorre nesta quinta e sexta-feira, 7 e 8 de maio
Por Ewerton Martins Ribeiro
•Com Comunicação da Academia Mineira de Letras
Professores e pesquisadores da UFMG participam, nesta semana, do 2º Colóquio Diásporas da Língua Portuguesa, que será realizado na Academia Mineira de Letras (AML), em Belo Horizonte. Promovido em referência ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado em 5 de maio, o evento reunirá, nos dias 7 e 8, quinta e sexta-feira, pesquisadores de diferentes instituições – sobretudo da UFMG – para debater, em conferências e mesas de discussão, os processos históricos, políticos e culturais que marcaram a apropriação do português como língua brasileira ao longo do século 19.
O colóquio convida à reflexão “sobre os caminhos da língua portuguesa no Brasil, não apenas como instrumento de comunicação, mas como território de disputa, construção simbólica e afirmação cultural ao longo da história”, como se informa no site da Academia Mineira de Letras (AML). O evento é gratuito e aberto ao público em geral, mas, para participar, pede-se que o interessado se inscreva por meio de formulário próprio. Atualmente presidida por Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Faculdade de Letras da UFMG, a Academia Mineira de Letras fica na rua da Bahia, nº 1.466, no Centro de Belo Horizonte.
Raridade
A abertura do colóquio ocorre no dia 7, às 13h30; a primeira palestra, denominada Orthographia ou arte de escrever, uma raridade no acervo da Academia Mineira de Letras, será ministrada às 14h por Soraia de Andrade Lara Carvalho, bibliotecária aposentada da Escola de Música da UFMG que coordena atualmente o acervo da AML. O colóquio foi motivado justamente pela entrada de uma obra rara no acervo da Academia. Na sequência, às 14h30, Mônica Yumi Jinzenji, professora da Faculdade de Educação (FaE), ministra a comunicação O início da produção impressa em Ouro Preto no século XIX, ao que se seguirá a primeira sessão de debates.
A programação prossegue na tarde de quinta-feira e ao longo de toda a sexta, com participação de diversos professores e pesquisadores da UFMG. Maria Cândida Trindade Costa de Seabra, professora da Faculdade de Letras, por exemplo, ministra, no dia 8, às 14h30, a palestra Os princípios da ortografia na obra editada por José Maria da Silva Pinto. A ela se seguirá Márcia Cristina de Brito Rumeu, professora da mesma unidade, que fará, às 15h30, a comunicação As etimologizações gráficas na perspectiva de um tratado “orthografico” no Brasil oitocentista: a prescrição em cena. No mesmo dia, às 17h30, Ana Maria de Oliveira Galvão, professora da FaE, fala sobre o tema Escritas da imprensa para um público “illiterato”: Borges da Fonseca e a ortografia da pronunciação (1829-1830).
A programação completa do evento pode ser consultada no site da Academia Mineira de Letras (AML).
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‘A arte de escrever’
A programação do colóquio inclui a abertura – no dia 7 – da exposição Orthografia ou arte de escrever, que ficará em cartaz na Academia Mineira de Letras até 26 de junho. Seu ponto de partida foi a recente incorporação de uma raridade bibliográfica ao acervo da AML: o livro Orthografia ou arte de escrever, em consequencia da resolução do Exmo. Conselho do Governo da Provincia de Minas Geraes, adoptada para uso das escolas de primeiras letras, publicado em Ouro Preto em 1829 pela Typografia de Silva.
“Salvo algum novo achado, trata-se do único volume remanescente desse livro, que testemunha, poucos anos após a independência, o esforço para dotar o novo país de publicações de viés didático”, explica Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da UFMG e presidente da AML. O volume chegou à Academia junto ao acervo bibliográfico e documental da escritora e professora da UFMG Maria José de Queiroz, que foi legado à instituição após sua morte. Ela ocupava a cadeira 40 da instituição.
Juntamente com a Grammatica brasileira ou arte de falar, de 1828, e o Diccionario da lingua brasileira, de 1832 (que também consta no acervo da AML), o livro Orthografia ou arte de escrever compõe um conjunto de publicações didáticas que revelam esforços sistemáticos de normatização e ensino da língua no Brasil recém-independente. “Essas três obras levantam questões relativas, de um lado, ao ambiente político, social e educacional posterior à independência, incluindo a produção impressa e a comunidade de leitores num país de iletrados, bem como à apropriação do português como a língua brasileira, um gesto político de inegável importância”, conta Jacyntho.
Segundo o professor emérito da UFMG, também integrarão a exposição outras obras publicadas pela Typografia de Silva: Pharmacopéa chymica, medica e cirurgica, de 1834, e Elementos de pharmacia, chymica e botanica, de 1837. Todos os volumes pertencem ao acervo da AML. A mostra apresentará obras relativas a lexicografia, letramento, educação e ensino do português nos séculos 19 e 20. “Desde o raríssimo Vocabulario portuguez e latino de Raphael Bluteau, em sua primeira edição, publicada em Lisboa, entre 1712 e 1728, até obras mais recentes, o visitante poderá percorrer cerca de 200 anos de produções voltadas para questões de política educacional e linguística”, demarca o professor.
A partir dessas obras, a exposição propõe um percurso histórico, social, político e educacional em torno da formação da escrita no Brasil e da consolidação do português como língua brasileira. “Ao acompanhar a constituição da ortografia e do ensino da língua, a mostra evidencia como o português foi sendo apropriado e reelaborado pelos falantes brasileiros. Marcado pela diversidade, pelo uso cotidiano e pelo encontro de múltiplas vozes, o idioma incorpora as contribuições dos povos originários do país, de populações africanas trazidas pela colonização e de diferentes influências estrangeiras, dando forma a identidades plurais que se refletem tanto na fala quanto na escrita”, anota-se no site da AML.
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