Maio Laranja: Criança precisa saber que há coisas que os adultos fazem que é errado, ressalta o psicólogo do CAVAS UFMG Bernardo Dolabella Melo
Doutorando em Saúde Coletiva pela Fiocruz destaca papel da conscientização, pois o abuso é um crime que acontece em segredo
Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, o psicólogo e mestre em Psicologia pela UFMG, doutorando em Saúde Coletiva pela Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais, com especialização em Saúde Mental pela PUC Minas, coordenador do setor Psicossocial da Cruz Vermelha Brasileira, afiliada Minas Gerais, e Técnico do Núcleo de Pesquisas CAVAS UFMG, Estudos Psicanalíticos sobre Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Bernardo Dolabella Melo conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
O Maio Laranja é uma campanha nacional que chama a atenção para uma das violações mais graves contra crianças e adolescentes: o abuso e a exploração sexual infantil. Mais do que uma mobilização de conscientização, a campanha busca incentivar o diálogo, fortalecer a rede de proteção e alertar a sociedade sobre a importância da denúncia. Os dados reforçam a urgência desse debate. Segundo o Disque 100, somente entre janeiro e abril deste ano foram registradas mais de 32 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes no Brasil, um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte desses casos aconteceu dentro de casa, envolvendo familiares ou pessoas conhecidas das vítimas, o que torna a identificação e a denúncia ainda mais difíceis.
Além das marcas físicas, o estupro deixa consequência emocionais profundas, que podem acompanhar a vítima por toda a vida. Em um cenário em que crianças e adolescentes também estão expostos aos riscos do ambiente digital, cresce ainda mais a necessidade de orientação, acolhimento e prevenção. Especialistas alertam que mudanças repentinas de comportamento, isolamento, medo excessivo, agressividade, queda no rendimento escolar e dificuldade de convivência podem ser sinais importantes de alerta. Muitas vítimas demoram anos para conseguir falar sobre a violência sofrida, principalmente quando o agressor faz parte do convívio familiar.
O psicólogo ressaltou a importância da conscientização de toda a sociedade, uma vez que o abuso é um crime que acontece em segredo – o abusador faz um acordo com a vítima. Ele chamou a atenção para que as crianças também sejam informadas porque elas precisam saber que há comportamentos dos adultos em relação a elas que são errados. Assim, a população infanto-juvenil precisa ter ferramentas para reconhecer esses momentos. Outro ponto destacado é para que os familiares fiquem atentos, pois muitas vezes é uma tia ou uma avó, por exemplo, que percebe a situação e faz a denúncia, que é um papel de todas as pessoas.
Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Hugo Rafael