UFMG inaugura laboratório de bioinformática do projeto Genomas SUS
Universidade integra rede que está mapeando genomas brasileiros; iniciativa facilita diagnósticos e direciona tratamentos de doenças
Por Luana Macieira
A UFMG inaugurou, nesta quinta-feira, dia 18, o Centro de Bioinformática do projeto Genomas SUS: ampliando o impacto da saúde pública de precisão para toda a população. Trata-se de uma estrutura localizada no Bloco N1 do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade. O Genomas SUS é uma iniciativa estratégica do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.
Criado em 2023 por pesquisadores de várias universidades públicas, o projeto integra o Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão (Genomas Brasil) e tem a finalidade de fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico nacional na área da genômica e da saúde de precisão, além de estabelecer modelos práticos e passíveis de implementação no Sistema Único de Saúde (SUS).
O novo Centro de Bioinformática sediado na UFMG é uma das nove âncoras do projeto distribuídas pelo país. As demais estão instaladas na Universidade de Brasília (UnB), no Instituto Aggeu Magalhães (IAM-Fiocruz), em Recife, no Laboratório de Genética Humana e Médica (LGHM-UFPA), em Belém, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), no Instituto de Biociências (Genoma USP), em São Paulo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto de Pesquisa do Câncer (IPEC), em Guarapuava, e no Instituto Carlos Chagas (ICC Fiocruz), em Curitiba. Os nove laboratórios colaboram ativamente na coleta de amostras, na geração de dados de sequenciamento e na capacitação de profissionais, com o objetivo de devolver à população e ao SUS informações que contribuam para o cuidado em saúde.
“A UFMG já é referência em bioinformática e genética de populações. No nosso centro, vamos armazenar a informação dos genomas dos brasileiros e as suas análises. Até o momento, o Projeto já sequenciou quase 20 mil amostras genômicas, mas nossa intenção é chegar a 70 mil amostras”, explica o professor Eduardo Tarazona, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução do ICB e coordenador do centro âncora sediado na UFMG.
Tarazona explica que informações sobre origem e ancestralidade dos indivíduos podem ser utilizadas no desenvolvimento de terapias mais eficazes e de estratégias de prevenção de doenças. No entanto, segundo o pesquisador, esse tipo de estudo ainda se baseia predominantemente em dados de populações de ascendência europeia.
“Existe um viés no conhecimento que é um produto histórico. No mundo, faz-se mais pesquisa em saúde e em genética em indivíduos europeus. Quando não se é 100% europeu, como a maioria dos brasileiros, que também descendem de africanos e indígenas, a medicina sabe menos sobre como a sua genética influencia nas doenças. Assim, analisar o genoma de brasileiros nos ajuda a mitigar esse viés de conhecimento por meio da produção de informação sobre a nossa população e sobre a nossa ancestralidade”, diz.
Além de analisar os genomas da população brasileira, os nove centros âncoras do Genomas SUS também contribuem para a formação de recursos humanos em bioinformática em todo o país. Em menos de dois anos, o projeto capacitou mais de 100 profissionais para atuar em pesquisa clínica de padrão internacional.
Notícias relacionadas:
Pesquisa e Inovação Sequenciamento genético conecta povo indígena dos EUA a sítio arqueológico sagrado
Para testar sua ancestralidade, representantes de um povo indígena dos Estados Unidos recorreram a um grupo de geneticistas. O objetivo dos pouco mais de 300 representantes dos Picuris Pueblo era verificar, por meio de análise genômica, que eles estão conectados a uma população antiga que habitava a região de Chaco Canyon, distante 275 quilômetros de […]
Diagnósticos genômicos e câncer
Eduardo Tarazona afirma que o trabalho desenvolvido pelo Genomas SUS fornece subsídios para a consolidação da medicina de precisão no Brasil. Essa área utiliza informações sobre o histórico clínico do paciente, bem como dados biológicos e genéticos, para aprimorar o diagnóstico de doenças e personalizar terapias e tratamentos, considerando as características individuais de cada pessoa.
“A medicina de precisão ajuda a diminuir as reações adversas aos tratamentos e a identificar os fármacos indicados para cada doente. Nos casos de câncer de mama, por exemplo, a partir de mutações genéticas que a paciente pode apresentar, alguns tratamentos são mais indicados que outros”, exemplifica o professor.
Durante a inauguração do Centro de Bioinformática da UFMG, o grupo liderado por Tarazona apresentou os primeiros resultados incorporados aos relatórios de pesquisa já produzidos pelo projeto: diagnósticos genômicos de alta complexidade para pacientes com câncer em Minas Gerais. “Os genomas desses pacientes estão sendo sequenciados para encontrarmos a variante genética que pode causar alguns tipos de câncer hereditários. Analisamos os genomas de 48 pacientes para entender as mutações genéticas que favorecem o aparecimento desses tipos de câncer.”
Segundo o Ministério da Saúde, serão liberados R$ 179 milhões para a segunda etapa do Genomas SUS, que se inicia agora e possibilitará ampliar o escopo e o impacto do projeto. A nova fase prevê a ampliação do número de amostras sequenciadas, aprofundando o conhecimento sobre a variabilidade genética da população brasileira; a aquisição de novos sequenciadores genéticos para os centros âncoras das regiões Norte e Nordeste; a substituição dos equipamentos existentes por modelos mais modernos nos centros de Curitiba, Guarapuava e São Paulo; a implementação do centro âncora da região Centro-Oeste, em Brasília; o desenvolvimento de 20 pangenomas nacionais como referências genômicas brasileiras; e a realização da imputação genômica com base em dados nacionais, aprimorando a precisão das análises genéticas.
Mais lidos
Semana
-
SAÚDE BUCAL Professor da Odontologia é autor de obra pioneira no país sobre manutenção e controle em implantodontia
Já disponível no site da editora em pré-lançamento, livro está sendo apresentado aos pares, nesta semana, em congresso internacional
-
ELEIÇÕES na ufmg Comissão promove seminário sobre proporcionalidade nas consultas para reitor e vice-reitor
Durante o evento, com transmissão pelo YouTube no próximo dia 30, serão apresentadas propostas sobre o tema, cuja deliberação final ficará a cargo do Conselho Universitário
-
Formação Lançado edital do processo seletivo do Coltec para 2027
Inscrições serão abertas na segunda, 14 de setembro; 180 vagas são oferecidas em cinco cursos técnicos integrados ao ensino médio
-
RANKING DE XANGAI UFMG está entre as 50 melhores universidades do mundo na área de Veterinária
Resultado por área aferido pelo Global Ranking of Academic Subjects (GRAS) 2026 é o melhor da Universidade em sua série histórica
-
Bem-estar e NATUREZA Abertas inscrições para a corrida e a caminhada da Semana do Servidor
Atividade ocorrerá no dia 8 de outubro, na Estação Ecológica, no campus Pampulha; primeiros colocados receberão premiação
Notícias por categoria
Pesquisa e Inovação
-
Ética e tecnologia Evento debate responsabilidades no uso da Inteligência Artificial
Edição do Café com IA desta sexta-feira, dia 25, receberá professor da UFV, que abordará situações em que os sistemas moldam decisões que impactam a vida das pessoas
-
EDITORA UFMG Carlos Brandão, da Escola de Arquitetura, lança livro sobre o valor da sensibilidade e do imaginário para as cidades
Evento será na quinta-feira, 24 de setembro, das 18h30 às 20h30, na livraria Quixote, na Savassi
-
Escola de Enfermagem Uso de aplicativos de entrega de alimentos tem relação com sedentarismo
Pesquisa sobre fatores sociodemográficos, estado nutricional e estilo de vida dos usuários foi publicada no Journal of Food Sciences and Nutrition
-
ESCUTA SIMBÓLICA Tese da Faculdade de Direito analisa relação entre liberdade de expressão, discurso de ódio e pornografia
Pesquisa mostrou que a censura, além de não ser efetiva para coibir manifestações ofensivas, pode restringir liberdades legítimas
-
Conservação Pesquisadores usam aprendizado de máquina para aprimorar mapeamento da biodiversidade
Modelo desenvolvido pelo Centro de Sensoriamento Remoto capta variações de riqueza não alcançadas pelos mapas tradicionais
Feed RSS
Receba atualizações das últimas notícias publicadas.