Estudo UFMG: Inovação ganhou força em Minas e no Brasil, mas país se mantém em posição intermediária no mundo
Achado é de pesquisas desenvolvidas por grupo que investiga a economia da ciência e da tecnologia
Por: Itamar Rigueira Jr. (Cedeplar)
Uma pesquisa concluída em 2026 e liderada pelo Grupo de Pesquisa Economia da Ciência e Tecnologia, vinculado ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG, mostra que, nos últimos 20 anos, a inovação conquistou espaço significativo em Minas Gerais. Cresceu o número de instituições, especialmente ligadas ao governo do estado, como laboratórios e parques tecnológicos, de novas universidades e institutos e de unidades Embrapii, que produzem conhecimento científico e buscam conectar-se à indústria por meio de modelo ágil e investimentos não reembolsáveis. Outra mudança nos arranjos institucionais é a implementação de novas e melhores legislações e regulamentações no âmbito estadual.
“Olhamos para Minas Gerais sobretudo sob o ângulo da cooperação das empresas com as universidades. E constatamos a ampliação das colaborações em áreas do conhecimento relevantes para o setor industrial, bem como o fortalecimento de cooperações em áreas tradicionais no estado, como Engenharia de Minas e Engenharia de Materiais e Metalúrgica. Também observamos a presença de um novo ator, as startups, com participação mais frequente do que nas pesquisas anteriores. Contudo, ainda precisamos entender melhor o papel que essas empresas estão desempenhando para a inovação em Minas”, informa a professora Márcia Rapini, do Departamento de Economia da Face, que coordenou o estudo.
Márcia Rapini enfatiza que o estudo identificou que a cooperação entre empresas e universidades tem se consolidado como estratégia relevante para impulsionar a inovação e ampliar a competitividade do setor produtivo. “Ao aproximar conhecimento científico e demandas de mercado, essa interação favorece tanto o desenvolvimento de novos produtos quanto o aperfeiçoamento de soluções já existentes. Gera, portanto, benefícios para a população: provê novos medicamentos, melhora a qualidade do trânsito, reduz os prazos da construção civil, mitiga os danos ambientais. Além disso, o vínculo contínuo com instituições acadêmicas contribui para a qualificação da força de trabalho e fortalece a capacidade das empresas de absorver, adaptar e aplicar novos conhecimentos em seus processos produtivos”, ela resume.
A pesquisadora lembra que, quando começou a estudar o tema, no fim dos anos 1990, ninguém falava em inovação. “Hoje o assunto é moda, embora nem todos o entendam de forma correta”, afirma. Segundo ela, a inovação passou a orientar políticas públicas federais e estaduais, ao mesmo tempo que se tornou parte do discurso de muitas empresas. “Mas a inovação é uma estratégia de concorrência que envolve risco e incerteza, um investimento diferente dos convencionais, que requer prazos longos.”
Nacional e internacional
A investigação em território mineiro é parte do projeto Sistemas de Inovação e Transformações Estruturais, desenvolvido pelo grupo da UFMG em parceria com diversos outros no país. A iniciativa tem também as vertentes nacional e internacional. De acordo com o professor Eduardo Albuquerque, também ele vinculado ao Departamento de Economia e ao Cedeplar, o ranking dos sistemas de inovação entre os estados tem São Paulo na liderança, e Minas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, entre outros, compõem um segundo grupo.
“O estágio de São Paulo pode ser definido, segundo um grupo de pesquisadores nossos parceiros, como ‘primazia declinante e liderança persistente’. A pós-graduação e a produção científica e tecnológica cresceram em todas as regiões, mas cresceram menos em São Paulo. E estados como o Piauí registraram maior incremento relativo desses indicadores”, explica Albuquerque.
O professor informa que um achado importante da pesquisa é o aumento do número de instituições de ciência e tecnologia em novos estados e cidades. “A criação de fundações de apoio à pesquisa (FAPs), novas instituições de ensino superior e programas de pós-graduação compõem o fenômeno que estamos identificando como ramificação e enraizamento dos sistemas de inovação no Brasil”, explica.
O grupo e o projeto
Criado em 1998, o Grupo de Pesquisa em Economia da Ciência e da Tecnologia tem história marcada por apoio de importantes agências de fomento – como CNPq, Fapemig, BNDES, IDRC (Canadá), FeSBE, BDMG e VHTEC – e atuação em redes, colaborando com grupos em Minas, no Brasil e em países como África do Sul, Índia, Coreia do Sul, Inglaterra, Uruguai e Suécia. O tema central das pesquisas do grupo é o sistema de inovação, que está na raiz do progresso tecnológico e da riqueza das nações.
Os últimos resultados das pesquisas do grupo do Cedeplar e de seus parceiros deram origem ao livro Sistemas de inovação no Brasil: enraizamento e novas bases para o desenvolvimento, que está em fase final de produção e será lançado em workshop durante o Seminário de Diamantina, agendado para 17 a 22 de agosto, na cidade histórica mineira. A obra aborda todos os 26 estados e o Distrito Federal. “Esse trabalho tão abrangente é inédito no Brasil, até onde sabemos”, afirma Eduardo Albuquerque, organizador da obra juntamente com Sílvio Cário (UFS), Márcia Diniz (UFPA), Carla Almeida (UFMT), José Ricardo de Santana (UFSE) e Vanessa Oliveira (Ufop).
Leia o texto completo de Itamar Rigueira Jr., do Cedeplar, no Portal UFMG