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Copa 2026: Coordenador do GEFuT UFMG, Silvio Ricardo da Silva, faz balanço da competição, que envolveu autoritarismo, pressão sobre a arbitragem e outros temas

O professor da UFOP comentou a condescendência da Fifa diante de ações de Trump que prejudicaram o torneio, questões econômicas e de futebol

Nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, o professor titular da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e coordenador do Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcida, da UFMG (GEFuT), Silvio Ricardo da Silva, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

A Copa do Mundo de futebol masculino FIFA 2026 chegou ao fim. A final foi no último domingo, com a Espanha bicampeã e show no intervalo, interrompendo a partida por quase meia hora entre os dois tempos. A maior edição do campeonato, que contou pela primeira vez com 48 seleções e 3 países sede, foi palco para novas histórias e grandes emoções, mas também para polêmicas.

Não foram poucas as inovações: chip na bola, pausa para hidratação e ingressos com preços variáveis. Fora de campo, o governo dos Estados Unidos em conflito com Irã causou dificuldades para a seleção do Oriente Médio, com os jogadores ficando hospedados no México enquanto disputavam as partidas em território estadunidense.

O árbitro somali Omar Artan, considerado um dos melhores do continente africano, foi impedido de entrar nos Estados Unidos, barrado no aeroporto de Miami. Chamou atenção, ainda, a suspensão automática de um jogador depois de levar um cartão vermelho. A reclamação veio do presidente Donald Trump e, mais do que isso, ela foi acatada. Teve ainda muita discussão sobre racismo, principalmente em torno da torcida argentina, e debates acalorados sobre a arbitragem pelo menos em dois confrontos: Argentina e Egito, nas oitavas, além da própria final, que teve gol da Espanha anulado na prorrogação.

O professor comentou que a ampliação de times, que pode ser ainda maior em 2030, tem relação com o desejo da Fifa de obter maior capital político e com uma hipermercantilização do futebol no mundo. Isso pode ser visto também nos preços dos ingressos, que afastam os mais pobres dos estádios, como tem acontecido também no Brasil, como lembrou o convidado. Ele também destacou uma série de questões lamentáveis de Donald Trump, como a interferência na suspensão automática de um jogador do EUA, que escancararam o autoritarismo do presidente, que contou com a condescendência da Fifa.

Silvio Ricardo ressaltou como esse clima aumenta a pressão sobre os árbitros, que precisam ter liberdade para dirigir o jogo de acordo com as regras. O pesquisador espera que determinados problemas não voltem na Copa masculina seguinte e exaltou a próxima edição feminina do torneio, que vai ser disputada no Brasil, no ano que vem.

Produção: Ingrid Mensil e Isabella Ludwig, sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória

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