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'O que é o ser humano?'

Livro resgata curso em que Foucault discute a questão antropológica e dá pistas da formação de seu pensamento

Obra, lançada no Brasil pelas editoras UFMG e Via Verita, é considerada um marco da trajetória intelectual de um dos maiores pensadores do século 20.

Por Redação

Com Assessoria de Comunicação da Editora UFMG

Capa do livro ‘A questão antropológica’, que oferece um panorama da formação do pensamento de Michel Foucault
Imagem de capa: Divulgação

Em 2026, quando se celebra o centenário do nascimento de Michel Foucault (1926–1984), o público brasileiro passa a ter acesso a um documento fundamental para compreender a formação de seu pensamento. A questão antropológica, curso inédito do filósofo francês, chega ao Brasil pelas editoras UFMG e Via Verita. Organizada por Arianna Sforzini, sob a responsabilidade editorial de François Ewald, a obra é um marco da trajetória intelectual de um dos pensadores mais influentes do século 20. A tradução é de Marco Casanova, com revisão de Cassiana Lopes Stephan.

“O que é o ser humano?” A pergunta que atravessa séculos da filosofia é o ponto de partida desse curso ministrado entre 1954 e 1955 – muito provavelmente na Universidade de Lille, para estudantes de psicologia. O livro revela um Foucault ainda em formação, mas já profundamente comprometido com questões que marcariam toda a sua obra: a historicidade do ser humano, a constituição dos saberes, a gênese dos discursos e as relações entre filosofia, psicologia e antropologia.

Michel Foucault, em 1970: no curso ministrado anos antes, o filósofo põe a antropologia no centro do pensamento moderno
Foto: Wikipedia | Domínio Público

Antropologia como eixo do pensamento moderno
Em A questão antropológica, Foucault reconstrói historicamente a emergência da antropologia como eixo do pensamento moderno. O percurso começa na filosofia clássica de Descartes, Malebranche e Leibniz, passa pela crítica transcendental de Kant, alcança autores como Feuerbach e Dilthey e culmina em Nietzsche, cuja filosofia representa, para Foucault, o desmantelamento da própria ideia de uma natureza humana estável.

Embora anteceda livros fundamentais como As palavras e as coisas, o curso já anuncia conceitos e preocupações que se tornariam centrais no pensamento foucaultiano. A análise da formação dos saberes, a crítica às categorias universais e o interesse pela historicidade da experiência humana aparecem aqui em estado nascente, o que possibilita acompanhar o desenvolvimento de uma das obras filosóficas mais influentes da contemporaneidade.

A publicação evidencia também a erudição do jovem Foucault, que percorre a filosofia grega, o cristianismo medieval, a tradição moderna e autores como Heidegger e Ludwig Binswanger para compreender como a condição humana passou a ser pensada pela filosofia e pela psicologia.

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Ao questionar os fundamentos da psicologia moderna e colocar em xeque a ideia de uma estrutura psíquica fixa, Foucault antecipa debates contemporâneos sobre subjetividade, identidade, normalização e produção dos saberes.

Como observa o filósofo Alexandre Marques Cabral, responsável pelo texto de apresentação da edição brasileira, a obra demonstra que a condição humana é atravessada por tensões e abismos que não podem ser simplesmente eliminados, mas precisam ser compreendidos historicamente.

Celebrado cem anos após seu nascimento, Michel Foucault continua sendo uma referência incontornável para as ciências humanas. Suas reflexões atravessam áreas como filosofia, história, sociologia, psicologia, educação, direito e saúde coletiva e dialogam diretamente com debates contemporâneos sobre gênero, sexualidade, racismo, instituições, biopolítica e relações entre saber e poder.

Nesta entrevista publicada no site da Editora UFMG, Marco Casanova comenta a edição brasileira de ‘A questão antropológica’.

Leia um trecho do livro.

Livro: Michel Foucault – A questão antropológica: Curso. 1954-1955

Tradução: Marco Casanova e Cassiana Lopes Stephan

Edição: Editoras UFMG e Via Verita

Preço: R$ 84,85

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