No Centro Cultural, ‘ensaios visuais’ de Paulo Penna transitam entre desenhos, gravuras e fotografias
O Centro Cultural UFMG abre, nesta quinta-feira, dia 27, a exposição individual Constelações assim como metamorfoses: ensaios visuais de Paulo Penna, do próprio artista visual Paulo Penna. A mostra, presente na sala Celso Renato de Lima, apresenta um recorte da produção do artista ao longo dos últimos 15 anos, reunindo produções que transitam entre o desenho, a gravura e a fotografia. As obras poderão ser vistas até 27 de setembro, com entrada gratuita e classificação livre.
As imagens reunidas pelo artista são resultado da observação das especificidades de cada meio e das possibilidades abertas pelas operações e justaposições de figuras produzidas em técnicas distintas, de modo a explorar as múltiplas e variáveis relações da linguagem gráfica.
“As matrizes das xilogravuras e das gravuras em metal, assim como os arquivos fotográficos, geram figuras que se cruzam e se hibridizam, configurando constelações de imagens em constante metamorfose”, destaca-se no texto de divulgação. Delas, surge um cenário que, como observa o professor Fernando Amed, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP “é sobre o ponto de vista do observador distante do que antes consistia como o seu lugar, que se faz a obra como um percurso, do qual não se supõe o início e se aquieta com um fim, posto que se trata de exposição. E entre ramificações e biomorfismos, o trabalho artístico de Paulo Penna manifesta a fina sensibilidade da opção pela interposição de linguagens”.
Na construção deste imaginário, elementos de diferentes origens se misturam por meio de técnicas de manipulação visual. Figuras como barcos, corpos e árvores são realocados para diferentes perspectivas e meios. “Constelações e metamorfoses que se dão temporalmente, por sucessivos processos de transformação da matriz e da impressão, em (re)gravações e (re)impressões, e espacialmente, na articulação entre impressões de matrizes de madeira e metal, arquivos fotográficos e desenhos e, por fim, na maneira como essas obras se relacionam e se distribuem no espaço expositivo”, completa o texto.
Ainda segundo Fernando Amed, “somente o hibridismo oferecido pelas diferentes linguagens adotadas pode dar lugar para o tanto de vida interior que Paulo Penna nos oferece. Caminhar pelas obras aqui dispostas é um convite que se faz ao contato mais dedicado com as marcas, traços e relevos, todos tênues e consistentes, que nos introduzem em uma percepção da natureza que não deixa de ressoar a melancolia”.
Sobre o artista
Nascido em 1970, na cidade de São Paulo, onde vive e trabalha, Paulo Penna é doutor em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo, com estudos de pós-graduação na Byam Shaw School of Art, em Londres. Ele também fez estágio de pós-doutoramento na Universidade do Quebec, em Montreal, e na Universidade de São Paulo, também na área de artes visuais. Atualmente, é professor nos cursos de Artes Visuais da Fundação Armando Álvares Penteado e do Centro Universitário Belas Artes e coordena o Ateliê de Gravura do Museu Lasar Segall.
Ao lado de Adalgisa Campos, atua na Casateliê, espaço independente dedicado à produção, ao ensino e à venda de arte na capital paulista. Seu trabalho é exposto regularmente no Brasil e no exterior.
Entre suas exposições individuais, destacam-se Corpo, mapeamentos, na Galeria Gravura Brasileira, Desenho, fluxo, imagem, nas Oficinas Culturais Oswald de Andrade, A que se destina, no Centro Universitário Maria Antonia (São Paulo) e Figuren aus brasilien, na Galerie Wildeshausen, em Wildeshausen, Alemanha.
Paulo Penna participa com frequência de exposições coletivas. Entre as mais recentes, destacam-se Do museu ao ateliê, do ateliê ao museu, no Museu Lasar Segall; Gravidade, no Espaço das Artes; Fabulações matriciais, no Espaço Cultural Arte Sesc – Rio de Janeiro; Xilo, corpo e paisagem, no Sesc Guarulhos e no Sesc Pinheiros; Gravura extrema – europalia Brasil, no Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, em La Louvière, Bélgica e a V Biennale internationale de la gravure d’Île de France, em Versalhes, França.
Ele realizou os projetos de arte pública Pélago e Tamanduateí, na cidade de São Paulo, e, em 2022, recebeu o prêmio de reconhecimento de carreira Individual Support Grant, da Adolph and Esther Gottlieb Foundation. Sua obra integra coleções particulares e públicas, entre elas a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Brasileira da FAAP e o Museu de Arte Contemporânea Dragão do Mar, em Fortaleza.
27 de agosto a 27 de setembro
Evento gratuito
Local: Centro Cultural UFMG
Endereço: Avenida Santos Dumont, 174 – Centro, Belo Horizonte