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Arte e Cultura

Conservatório UFMG divulga programação da primeira semana de setembro

Apresentações têm entrada franca, sujeita à capacidade do espaço

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

O Conservatório UFMG recebe o concerto Vozes do Brasil, com o Ars Nova – Coral da UFMG, no dia 1º de setembro, terça-feira, às 19h30. Primeiro concerto do grupo no semestre, a apresentação também abre as celebrações da Independência do Brasil, com repertório dedicado exclusivamente a compositores brasileiros.

O programa percorre diferentes vertentes da música brasileira, reunindo obras de Sandra Mohr, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ernst Mahle, Heitor Villa-Lobos, César Guerra-Peixe, Ari Barroso e Milton Nascimento. O concerto começa com Te Deum, de Sandra Mohr, hino de ação de graças para coro e piano que incorpora ritmos e acordes presentes na música folclórica e popular brasileira. Em seguida, o grupo interpreta Ponto de Oxum e Iemanjá, do compositor e maestro mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca, fundador do Ars Nova e regente do grupo por 41 anos.

O repertório inclui ainda Cambinda Elefante, de Ernst Mahle, coletânea de quatro cantos tradicionais do maracatu; Duas Lendas Ameríndias em Nheengatu, de Heitor Villa-Lobos, obra em dois movimentos inspirada na tradição oral amazônica; e a Série Xavante, em quatro movimentos, de César Guerra-Peixe, que incorpora cantos e tradições da cultura Xavante.

A poesia brasileira aparece na parceria de Ernst Mahle com Vinícius de Moraes em A Arca de Noé, versão bem-humorada da conhecida narrativa bíblica voltada ao público infantil. O programa traz também Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, em arranjo para piano e coro de Marcos Leite.

O concerto termina com um medley de canções de Milton Nascimento em parcerias com Fernando Brant, Wagner Tiso e Caetano Veloso, escrito para coro e piano pelos arranjadores mineiros Fred Natalino e Lincoln Andrade.

Série Especial
No dia 2 de setembro, o Conservatório recebe o concerto Koellreutter 111 anos, com a Orquestra da Escola de Música da UFMG e diversos grupos de câmara. A Escola de Música da UFMG, em parceria com a Fundação de Educação Artística, celebra nos dias 1º e 2 de setembro de 2026 a obra e as contribuições de Hans-Joachim Koellreutter (Freiburg, 2/09/1915 – São Paulo, 13/09/2005) para a renovação do ensino e da linguagem musical no Brasil, com destaque para o período em que esteve regularmente em Belo Horizonte, do final da década de 1970 à década de 1980, marcando a formação de músicos, professores, compositores e pesquisadores da música.

Flautista, compositor, educador, regente e ensaísta, nascido alemão e naturalizado brasileiro, Koellreutter representou uma concepção de música livre, em movimento e em diálogo com outros campos da arte, da ciência, da estética, da sociedade e da política. Defendeu o vínculo entre desenvolvimento humano e musical por meio de uma aproximação crítica, livre e universalista da arte e da música.

No Brasil, criou o Movimento Música Viva e os Seminários Internacionais de Música de Teresópolis, foi um dos fundadores da Escola de Música da Bahia e da Orquestra Sinfônica Brasileira, criou o Centro de Pesquisa de Música Contemporânea da UFMG e participou da organização das bases para a construção de seu Programa de Pós-Graduação. O evento também comemora os 111 anos de Koellreutter, número que aponta para novos começos, ideia cara ao homenageado.

O programa do concerto do dia 2 de setembro contempla peças de Koellreutter compostas entre 1960 e 1979, obras que dialogam profundamente com a vivência do compositor na Índia e no Japão. O repertório explora elementos como a poesia japonesa, a improvisação guiada e a teatralidade na performance. Um dos destaques é Acronon, concerto para piano e orquestra que utiliza uma partitura experimental: uma esfera transparente com diagramas pintados, interpretada pelo solista de forma improvisatória. Completam o programa obras de importantes alunos de Koellreutter: Oiliam Lanna e Antônio Carlos Borges Cunha.

Palco Livre
O Palco Livre apresenta, no dia 3 de setembro, quinta-feira, o coletivo Vende Peixe-se em Tudo o que se pode ouvir, com lançamento ao vivo do single Chama Chama Ninguém Atende”.

O Vende Peixe-se é um coletivo formado por Cesco Napoli, Raphael Sales, Danilo Derick e Pablo Campos, músicos com trajetórias ligadas à cena independente de Belo Horizonte. Desde 2025, o grupo desenvolve uma pesquisa sonora que aproxima música experimental, canção popular, improvisação e colagem, trabalhando a escuta como matéria de criação. Guitarras, baixo, bateria, lira, sintetizadores, samples, transmissões, ruídos urbanos e fragmentos melódicos são reorganizados e manipulados ao vivo, fazendo de cada apresentação uma construção aberta às circunstâncias do encontro e à improvisação.

A pesquisa do coletivo parte da ideia de uma iconografia sonora: assim como a experiência contemporânea é atravessada por imagens, memes, signos e fragmentos que circulam continuamente, o Vende Peixe-se trabalha com sons capazes de acionar reconhecimento e memória. Canções, ruídos cotidianos, referências da cultura popular e materiais eletrônicos são apropriados, desmontados e deslocados de seus contextos originais, criando relações entre familiaridade e estranhamento, memória musical e experimentação.

Em Tudo o que se pode ouvir, o coletivo apresenta ao vivo o repertório desenvolvido em seus encontros e processos de criação, tendo como eixo o single Chama Chama Ninguém Atende, primeiro lançamento fonográfico do Vende Peixe-se. Gravada ao vivo em fita de rolo, sem utilização de computadores, a faixa incorpora materiais sonoros reconhecíveis do cotidiano contemporâneo — notificações, alarmes, ambiências urbanas e sinais eletrônicos — em uma composição que aproxima experimentalismo e estrutura de canção.

No palco, essa lógica é expandida: as obras não são tratadas como estruturas fechadas a serem reproduzidas, mas como dispositivos para improvisação, interferência e reorganização sonora. O repertório reúne Peixe-peixe, Chama Chama Ninguém Atende, Pia da da, The International Anthem, baby, Molenga, Complexo de épico e Jogo (pro cantão), estabelecendo aproximações com referências da música brasileira como Tom Zé, Alípio Martins, Caetano Veloso e Gal Costa, que aparecem não como citações estáveis, mas como materiais reconhecíveis submetidos a deslocamentos, sobreposições e transformações.

Tudo o que se pode ouvir propõe, assim, uma experiência em que canção, ruído, memória, improvisação e cultura cotidiana ocupam o mesmo campo de escuta. O reconhecível funciona como porta de entrada, mas é progressivamente desorganizado: uma música pode carregar outra música, um ruído pode assumir função melódica e uma referência familiar pode reaparecer transformada. No Vende Peixe-se, uma coisa é sempre outra coisa.

Serviço
CONEXÕES MUSICAIS

Vozes do Brasil

Ars Nova – Coral da UFMG

Concerto coral

Data: 1º de setembro de 2026 / Terça-feira

Horário: 19h30

 

ESPECIAL

Koellreutter 111 anos

Orquestra da Escola de Música da UFMG e grupos de câmara

Data: 2 de setembro de 2026 / quarta-feira

Horário: 19h30

 

PALCO LIVRE

Tudo o que se pode ouvir

Coletivo Vende Peixe-se

Data: 3 de setembro de 2026 / Quinta-feira

Horário: 19h30

Local: Conservatório UFMG – Av. Afonso Pena, 1534 – Centro BH/MG

Entrada franca / Info: 3409-8300

Fonte

Setor de Comunicação do Conservatório UFMG

comunica@conservatorio.ufmg.br

http://www.conservatorio.ufmg.br/