Voltar para o Início Ir para o rodapé
Pesquisa e Inovação

Estudo da UFMG caracteriza acesso a serviços de aplicativo de entrega de refeições em Belo Horizonte

Por: Assessoria de Imprensa UFMG

Um estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health por pesquisadoras da Escola de Enfermagem da UFMG e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) encontrou uma grande acessibilidade a estabelecimentos de alimentação por meio de aplicativo em Belo Horizonte, com cobertura mais ampla na área central da cidade. 

A primeira autora do estudo, Paloma Aparecida Anastácio Barros, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Saúde da UFMG, afirmou que o trabalho teve o objetivo de caracterizar o acesso a estabelecimentos de alimentação por meio de um aplicativo líder de entrega de alimentos, tanto em ambientes universitários quanto não universitários em uma metrópole brasileira.

Metodologia

Foram selecionados para análise os endereços dos campi das duas maiores universidades da cidade de Belo Horizonte, a maior instituição pública, Universidade Federal de Minas Gerais, e a maior instituição privada, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Para comparação do serviço do aplicativo, um local não universitário correspondente foi selecionado para cada campus universitário, levando em consideração a localização na mesma região administrativa, renda média semelhante e classificação idêntica segundo o Índice de Vulnerabilidade à Saúde (IVS), uma ferramenta utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a situação socioeconômica dos bairros.

A coleta de dados ocorreu entre 29 e 30 de abril de 2024, com mais de 19 mil estabelecimentos e abrangeu 16 endereços universitários e não universitários. As variáveis coletadas incluíram: nome do estabelecimento, palavra-chave utilizada pelo estabelecimento, distância de entrega entre o estabelecimento e o endereço de destino (universidade ou local correspondente) e taxa de entrega.

Resultados

De acordo com Paloma, os resultados demonstraram uma variação de 7.176 a 11.440 estabelecimentos e uma ampla cobertura do serviço de entrega de alimentos nas 16 localidades universitárias e não universitárias observadas, com uma maior cobertura na área central da cidade. “Foi observado também que os aplicativos realizavam entregas em distâncias de até 20 km, com as distâncias mais curtas em endereços universitários e áreas centrais, e as distâncias mais longas em áreas periféricas”, complementa.

A maioria dos estabelecimentos foi categorizada em palavras-chave referentes a lanches, como hambúrgueres, salgadinhos e pizza, independentemente da localização. Apenas 4,7% dos estabelecimentos ofereciam a opção de entrega gratuita, e endereços não universitários apresentavam taxas de entrega mais altas. Entre as universidades públicas e privadas, não foram constatadas diferenças significativas. “Os estabelecimentos de alimentação são amplamente acessíveis via aplicativo; no entanto, as áreas centrais tendem a ter uma maior cobertura do serviço, enquanto o ambiente universitário tem as menores taxas de entrega. Independentemente de o local ser um ambiente universitário ou não universitário, ou se for central ou periférico, há uma predominância de estabelecimentos associados a opções de alimentos não saudáveis”.

A pesquisadora enfatiza que esses resultados corroboram descobertas anteriores de que o ambiente alimentar digital influencia o acesso aos alimentos e destacam a alta exposição de populações universitárias a essas plataformas. “A combinação de opções abundantes e não saudáveis, com menores custos de entrega para ambientes universitários pode limitar a alimentação saudável por meio de aplicativos, ecoando padrões encontrados no ambiente físico. Pesquisas futuras devem integrar análises de ambos os ambientes, pois os serviços de entrega podem contribuir para contextos obesogênicos”, explica.

A conclusão do estudo, de acordo com Paloma Barros, é que aplicativos de entrega de comida são amplamente acessíveis em ambientes universitários e não universitários, caracterizados por alta disponibilidade de estabelecimentos e amplo alcance de entrega. “Ao estender o serviço para muito além dos limites dos bairros, essas plataformas penetram em áreas periféricas, embora com custos de entrega mais elevados. A predominância de categorias de alimentos não saudáveis, como lanches, foi consistente em todos os locais. Dada a popularidade e a conveniência desses serviços, os administradores universitários devem implementar políticas para promover ambientes alimentares saudáveis e investigar o uso de aplicativos por essa população. Iniciativas que ampliem a disponibilidade de opções nutritivas e de fácil acesso, reduzindo assim a dependência de aplicativos de entrega, são necessárias”, pontua.

Além de Paloma Barros, o estudo conta com a autoria da professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG Paula Martins Horta, e da professora do Departamento de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Daniela Silva Canella.

 

Clique aqui e acesse os demais releases da Assessoria

Fonte

Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG

comunicacao@enf.ufmg.br

https://www.enf.ufmg.br/

Imagem de Divulgação

Aplicativos de entrega (Imagem Pexels - Norma Mortenson) Foto: