Festival de Inverno: programação em Tiradentes é destaque no fim de semana
O campus cultural da UFMG em Tiradentes sediará a maior parte das atividades do 58º Festival de Inverno UFMG programadas para este fim de semana. Neste sábado, às 16h, Diná Marques mediará a roda de conversa Exposições, territórios e memórias, que será realizada no Museu Casa Padre Toledo (Rua Padre Toledo, 190). O bate-papo reunirá os professores Fernando Mencarelli, Fabrício Fernandino, Luiz Cruz e Márcia Duarte Santos.
Um pouco mais tarde, às 17h, será aberta a exposição Espaços topológicos, no Espaço Jardim do Museu. A série, que foi iniciada pelo professor Fabrício Fernandino, em 2005, por meio de inúmeros esboços e anotações em cadernos de registros para trabalhos em madeira, é um fragmento de amplo conjunto de obras já executadas.
As criações revelam um duplo sentido conceitual; um formal, matemático e estético, e o outro, filosófico e politico, que é potencializado pela montagem, na qual o espectador tem a oportunidade de desvelar as questões apresentadas. “Às vezes, somente a palavra não é suficiente para traduzir sentimentos”, instiga o artista ao falar sobre a exposição.
No porão revelado do Museu, ocorrerá, às 17h30, a abertura de outra exposição: Campo das vertentes, com curadoria de Fabrício Fernandino, Fernando Mencarelli, Diná Marques e da professora Patricia Franca-Huchet. A mostra, que compõe a exposição Tiradentes Passado Presente, em sua terceira fase, propõe aprofundar a investigação curatorial sobre esse território, de modo a ampliar o olhar para além da cidade e incorporar municípios que integram seu entorno histórico e cultural imediato.
O projeto busca articular o passado e o presente por meio de documentos históricos, registros visuais, cartografias e produções artísticas, promovendo uma leitura crítica e sensível da região dos Campos das Vertentes. “A região dos Campos das Vertentes, em Minas Gerais, configura-se como território de extrema relevância histórica, cultural e simbólica no processo de formação social, política e artística do país”, diz-se a sinopse da exposição. “Marcada pela presença de cidades históricas, por rotas coloniais estratégicas e por intensas trocas culturais, a região mantém até hoje uma forte relação entre patrimônio material, paisagem natural e modos de vida tradicionais”, completa.
Encerrando as atividades no campus Tiradentes, o espetáculo A Roda das chicas terá lugar no Museu, às 18h, com classificação etária livre. A roda de choro, composta por musicistas profissionais da região das Vertentes, traz à tona questões fundamentais sobre a participação feminina na música, especialmente no gênero Choro – tombado como Patrimônio Imaterial Brasileiro em abril de 2024. O choro tem quase 150 anos de existência, e o seu marco inaugural é a composição Flor amorosa, de Joaquim Callado. Na mesma época, a primeira maestrina do Brasil, a compositora Chiquinha Gonzaga, também se destacava compondo choros e polcas que se eternizavam no repertório de choro em todo o Brasil. Formada majoritariamente por mulheres, a Roda das chicas é inspirada justamente na vida e obra da compositora.
Em Belo Horizonte
A sessão Finda noite no sertão do Planetário, que começa às 14h, dá início à programação do 58º Festival de Inverno neste sábado, dia 18. A atividade busca desvendar estrelas, constelações e outros objetos astronômicos presentes no céu noturno descrito em um trecho de A estória de Lélio e Lina, em Corpo de baile, do escritor Guimarães Rosa. “Nessa experiência imersiva, o espectador tem a sensação de estar realmente no sertão, olhando para o céu”, destaca-se o texto de divulgação. Os ingressos gratuitos, sujeitos à capacidade máxima de 61 pessoas, devem ser retirados na recepção do Espaço do Conhecimento, a partir das 12h.
O quinto andar do Espaço do Conhecimento UFMG recebe, às 17h, uma apresentação do Grupo de Contadores de Estórias Miguilim. O coletivo trabalha textos retirados do livro Grande Sertão: Veredas, em comemoração aos 70 anos de publicação da obra-prima de Guimarães Rosa. A montagem proporciona uma narrativa sobre a relação entre os personagens principais do livro, permitindo “acessar os sentimentos que envolvem Riobaldo e Diadorim, bem como a paisagem que os rodeia”, destaca-se no texto de divulgação.
No fim da tarde, às 18h, a fachada digital do Espaço do Conhecimento voltará a ser iluminada por obras que dialogam com a temática do sertão e sua riqueza: O que tem no sertão? (Espaço em Rede), O Sertão é o mundo (Espaço em Rede), Por dentro do manto do vaqueiro (Espaço em Rede), O pedrês; Ave Sertão!; e Vozes em veredas, do Ars Nova Coral da UFMG.
Por fim, às 19h, a palestra cênico-literária Como ler Grande sertão: veredas, uma possibilidade de caminho, ministrada pelo ator Odilon Esteves, encerra as atividades do sábado. Nela, Esteves conduzirá o público por trechos essenciais do romance de João Guimarães Rosa, em uma leitura dramática que traz como referência a oralidade de personagens reais com quem ele conviveu durante sua infância em Novo Cruzeiro, cidade do Vale do Jequitinhonha, que é sua terra natal. “Trata-se de um convite facilitador para quem tem interesse, mas ainda não adentrou a obra de Rosa”, destaca-se no texto de divulgação.
No domingo
Encerrando a programação do fim de semana, duas atividades tomam conta do final da tarde ne domingo, dia 19, no Espaço do Conhecimento. A primeira, às 16h, é a sessão especial Finda noite no sertão, no Planetário do Museu. Os ingressos, gratuitos e limitados a 61 pessoas, devem ser retirados na recepção do museu a partir das 14h.
A partir das 18h, a fachada digital do Espaço do Conhecimento exibirá novamente as seis obras que dialogam com a temática do sertão e sua riqueza: O que tem no sertão? (Espaço em Rede), O Sertão é o mundo (Espaço em Rede), Por dentro do manto do vaqueiro (Espaço em Rede), O pedrês; Ave Sertão!; e Vozes em veredas, do Ars Nova Coral da UFMG.
18 a 19 de julho
Evento gratuito
Local: Museu Casa Padre Toledo (Campus Cultural UFMG em Tiradentes)
Endereço: Rua Padre Toledo, 190 – Centro, Tiradentes