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Rede de apoio

Espaços parentais em universidades acendem debate sobre cuidados do poder público com a primeira infância

Especialistas ouvidos pela Rádio UFMG Educativa explicam importância dessas ações para proteção e saúde de mães e crianças de 0 a 6 anos

Por Ruleandson do Carmo

Frequentar cursos de graduação ou pós-graduação exige grande dedicação. Esse esforço é ainda maior quando é necessário conciliar estudos e atividades acadêmicas com o cuidado de uma criança, especialmente na primeira infância, do zero aos seis anos.

“É importante lembrar que a proteção da primeira infância é uma responsabilidade de toda a sociedade, assim como do Estado. Precisamos chamar a atenção para a importância de garantir, na prática, os direitos previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirma a advogada Silvana do Monte Moreira, vice-presidenta da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional).

Segundo ela, cabe ao poder público assegurar que estudantes responsáveis por crianças tenham acesso a espaços de acolhimento e cuidado, como berçários e fraldários, além de ambientes adequados para amamentação ou extração de leite.

Na UFMG, o semestre letivo teve início com o funcionamento de espaços dedicados ao cuidado com crianças. São salas de cuidados parentais, equipadas com cadeiras para amamentação e alimentação, berço, banheira e brinquedos, além de 21 fraldários distribuídos em unidades de Belo Horizonte, como os campi Pampulha e Saúde, a Escola de Arquitetura e o Museu de História Natural e Jardim Botânico, e no campus regional de Montes Claros, no Norte de Minas.

A iniciativa foi viabilizada com recursos destinados pela deputada federal Dandara (PT-MG) e atende a demandas de coletivos estudantis, em consonância com a Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes).

A sobrecarga das mães

Mãe cuida de criança durante a primeira infância
Adobe Express

Uma das usuárias das novas salas de cuidados parentais da UFMG é a estudante de Ciências Biológicas Thamyris Dias, mãe de Lis, de quatro anos, e integrante do coletivo Mães Nascem. Sua experiência reflete dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em 2017, segundo a qual 83% das crianças de zero a três anos no Brasil têm mulheres como principais cuidadoras.

“A gente tenta trazer os pais para dentro do movimento. A gente chama, mas, nos eventos que realizamos, 90% do público é formado por mães. Além disso, temos um grupo de apoio à parentalidade, que conta com um ou dois pais entre 105 participantes”, explica Thamyris.

Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem) da UFMG, Mariana de Mattia Rocha, doutoranda em Sociologia na Universidade, confirma a predominância das mulheres nos cuidados com crianças e adolescentes. “É uma herança estrutural do patriarcado, que atribui às mulheres a responsabilidade quase exclusiva pelo cuidado com as crianças. Mesmo quando há pais participativos, a maior sobrecarga ainda recai sobre as mães, que respondem pela maior parte das demandas de cuidado”, explica.

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Para a pediatra Everlyn Eisenstein, vinculada à Sociedade Brasileira de Pediatria e integrante da Rede Nacional Primeira Infância, o investimento público em espaços de cuidados parentais representa um investimento no futuro da sociedade. “Uma mãe com curso superior é mais informada e mais bem preparada tanto para ocupar melhores espaços na sociedade, com maiores oportunidades de trabalho e ascensão social, quanto para cuidar melhor das crianças e dar o exemplo de que a educação é um investimento no futuro, inspirando as próximas gerações”, afirma.

A opinião é compartilhada pela enfermeira Márcia Machado, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do Núcleo Ciência Pela Primeira Infância. “É preciso sempre ofertar um espaço humanizado para mães e pais estudantes e para as crianças sob sua responsabilidade. Professores precisam aprender a flexibilizar aulas e trabalhos, adequando-os à realidade de quem cuida de crianças e também de gestantes”, afirma.

Ela também defende que os cursos universitários devem contribuir para a formação de uma sociedade que considere as necessidades das crianças e das pessoas responsáveis por elas. “Um engenheiro, por exemplo, precisa planejar prédios com espaços para as crianças brincarem, conviverem com a natureza. Pensar a cidade com áreas voltadas à vivência da infância”, acrescenta.

A Rádio UFMG Educativa disponibiliza a reportagem completa, em áudio, produzida pelo jornalista Ruleandson do Carmo, com sonoplastia de Cláudio Zazá, nas principais plataformas sonoras, como Spotify e SoundCloud

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