Pampulha, Direito e Montes Claros abrigam atividades do Abril Indígena UFMG
Programação nos dias 24, 25, 28, 29 e 30 inclui marcha pelo campus, fórum de debates e rodas de conversa
Por Ewerton Martins Ribeiro
Até o fim deste mês, será realizada a quarta edição do Abril Indígena UFMG, evento que vem se consolidando no calendário oficial da instituição dentro da perspectiva de uma universidade que também se apresenta como território indígena. Essa ideia tematizou a primeira edição do evento, realizada pela primeira vez em 2022, e seguiu como inspiração para as edições seguintes.
A lista de atividades confirmadas até agora está reproduzida no fim desta matéria, com eventos já programados para pelo menos os dias 24, 25, 28, 29 e 30 de abril. Contudo, alterações ou novas atividades podem ser incluídas ao longo do evento, que é aberto a toda a comunidade da Universidade. Informações atualizadas devem ser consultadas no Instagram do Coletivo dos Estudantes Indígenas (Colei) da UFMG.
Planejadas pelos próprios estudantes, as atividades foram pensadas para ocorrerem “nos próprios espaços que os alunos indígenas já frequentam”, comenta Anaíne Anikualo Taukane, aluna do 6º período do curso de Direito.
“Também estamos buscando uma união com outros grupos, principalmente com estudantes quilombolas, para lutarmos juntos para tornar a educação democrática e acessível, sem perdermos nossa ancestralidade”.
Do acesso à permanência
O Abril Indígena é realizado pelo Colei, em parceria com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da UFMG – em particular, com sua Diretoria de Ações Afirmativas, também responsável pelo Novembro Negro UFMG.
O objetivo é chamar a atenção para as lutas indígenas e, particularmente, para a importância da democratização do ensino superior indígena no país, entendido como essencial para a transformação das universidades brasileiras em espaços mais representativamente diversos, plurais e inclusivos.
Em seus primeiros anos, o evento teve foco no acesso indígena à educação superior. Na medida em que os estudantes indígenas começaram a chegar à Universidade, intensificou-se também a preocupação com a sua permanência, que é hoje o principal desafio enfrentado. “Observamos, ao longo desses quatro anos, uma crescente mudança na pauta indígena. Não falamos mais em ‘presença’; buscamos a efetivação de uma formação superior que chegue aos povos indígenas sem ferir nossas identidades”, explica o Colei, em comunicado coletivo.
“Somos cobrados quanto ao rendimento padrão, sem a validação dos nossos saberes. A Universidade precisa se adaptar às mudanças. Quando trouxemos o lema do ‘território indígena UFMG’, em nosso levante pela educação, a ideia era fazer realmente um grito de existência. Seguimos fortes, mas agora em um levante pela educação democrática. Esse é o tema de 2025”, explicam os integrantes do coletivo. Formalmente, o tema deste ano está registrado nos seguintes termos: Raízes que educam: democratização do ensino superior indígena. chegar, ocupar e permanecer para transformar a Universidade.
“Nossa proposta é discutir o papel da Universidade na formação de jovens lideranças através do ensino superior e seus caminhos para a efetivação da presença, indo além da permanência, refletindo sobre a importância da identidade e sua diversidade como um direito”, anota-se no instagram do coletivo. “Pensar as trocas de conhecimento e a sua valorização é o caminho para alcançar a democracia e estabelecer estratégias coletivas ao combate das desigualdades. Por isso, contamos com atividades que buscam essa reflexão, marcando a resistência dos povos indígenas que vão além do mês de abril.”
A programação até o momento
24 de abril, quinta-feira
18h – 4º seminário Reflorestar a psicologia junto aos povos indígenas e quilombolas, com o tema “Permanência, pertencimento e resistência: reflexões sobre a qualidade na vivência acadêmica de estudantes indígenas e quilombolas na UFMG”
Local: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), sala 3020
25 de abril, sexta-feira
9h às 10h – Cerimônia de abertura do Abril Indígena no campus regional de Montes Claros
10h às 12h – Jogos indígenas, com participação livre
14h às 17h – Cine indígena, seguido de roda de conversa
18h às 21h – Cine indígena, seguido de roda de conversa
Local: Campus regional de Montes Claros (gramado central, em frente à cantina)
(Para atualizações sobre a programação do Abril Indígena no campus regional Montes Claros, acompanhe o instagram específico do Colei)
28 de abril, segunda-feira, 16h às 18h
16h às 18h: Marcha indígena pelo campus Pampulha
18h – Inauguração do Espaço de Convivência Indígena (El) na Praça de Serviços, sala 26, segundo andar
Locais: Faculdade de Educação (concentração), gramado da Reitoria (dispersão), Praça de Serviços (inauguração do EI)
29 de abril, terça-feira
14h às 17h: Fórum Raízes que educam, com debate entre lideranças indígenas e representantes da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) sobre o programa de Vagas Suplementares Indígenas da UFMG
Local: Auditório B106 do Centro de Atividades Didáticas 3 (CAD 3)
30 de abril, quarta-feira
17h às 19h – Roda de conversa Educação jurídica e povos tradicionais: passado, presente e futuro
Palestrantes: Raquel Portugal Nunes, assessora jurídica do Ministério Público Federal (MPF), e Ana Cláudia da Silva Alexandre Storch, defensora pública que atua na Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (DPDH) da Defensoria Pública de Minas Gerais
Local: Faculdade de Direito (auditório Francisco Luiz da Silva Campos, 16º andar, Edifício Villas Boas)
Na galeria a seguir, algumas fotos da primeira edição do Abril Indígena UFMG, realizada em 2022. Para visualizá-las, clique na imagem e arraste para o lado.
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