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Cogecom

Lúcia Pellanda, do MEC, defende comunicação como força estratégica para a universidade do futuro

Professora da UFCSPA e as reitoras da UFMG e da UFSCar, que participaram da mesa de abertura do encontro de gestores, destacaram o trabalho em rede para enfrentar desafios como a desinformação e o ataque às instituições

Por Matheus Espíndola

A imagem mostra uma mulher de cabelos escuros e lisos, usando óculos de armação colorida, em pé atrás de um púlpito. Ela veste um blazer branco com bolinhas azuis e um broche em sua lapela. A mulher está falando em um microfone no púlpito, que possui um emblema em relevo. Um laptop aberto é visível sobre o púlpito. Ao fundo, uma tela de projeção branca exibe texto em letras azuis e vermelhas, com frases como "Ataques sistemáticos às Universidades" e "Desinformação".
Lúcia Pellanda recorreu à série Star Wars para discutir desafios contemporâneos da educação superior
Foto: Raphaella Dias | UFMG

A coordenadora-geral de Relações Estudantis e Serviços Digitais do Ministério da Educação (MEC), Lúcia Pellanda, ministrou, na tarde desta segunda-feira (24), a conferência de abertura do Encontro Nacional do Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (Cogecom), no Centro de Atividades Didáticas 2 (CAD 2) da UFMG. Com a palestra Gestão, ciência e comunicação: a universidade que queremos, a docente propôs uma reflexão sobre o papel da comunicação na formulação da nova Política Nacional de Educação Superior, processo que, segundo ela, deve combinar rigor técnico, participação democrática e clareza conceitual.

A professora recorreu a metáforas alusivas à série de filmes Star Wars para discutir desafios contemporâneos da educação superior. Assim, apresentou os Jedi como guardiões do conhecimento e da ética – símbolo do compromisso formativo das universidades. Já o Império representaria as ameaças que se impõem ao ensino superior: anticientificismo, desinformação, ataques às instituições e retrocessos na garantia de direitos.

Tomando documentos da Comissão Europeia de Educação como referência, Lúcia Pellanda destacou que as universidades enfrentam mudanças tecnológicas, culturais, climáticas e demográficas que exigem adaptação constante. Para ela, competências como pensamento crítico, criatividade, flexibilidade, letramento científico e habilidades digitais já não são opcionais. “As instituições precisam evoluir para cumprir sua missão principal: formar estudantes para um mundo complexo e interconectado.” Nesse cenário, como pontuou, a comunicação ganha centralidade, não apenas como ferramenta de gestão, mas como condição de inteligibilidade das políticas públicas e ponte entre universidade e sociedade.

Crise de confiança
Ao tratar das tensões atuais, Lúcia Pellanda lembrou ataques sistemáticos às universidades e à ciência, bem como o contexto de anti-intelectualismo e negacionismo. A professora mencionou a decisão recente do STF que determinou a retirada de perfis das redes sociais de conteúdos antivacina e compartilhou episódios de desinformação ocorridos na pandemia, nas enchentes do Rio Grande do Sul e em situações de crise em que informações falsas se espalharam com rapidez. “Essa comunicação insidiosa, mal intencionada, vinda de pessoas que têm liderança de opinião, é muito perigosa”, disse, acrescentando que as universidades públicas têm sido fundamentais na oferta de informação segura.

Lúcia Pellanda e Sandra Goulart: comunicação como eixo central da gestão universitária
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Em seguida, a conferencista detalhou a retomada da ideia de formulação de uma nova Política Nacional de Educação Superior (a última data de 1968). Ela apresentou os marcos legais que fundamentam o processo e explicou as etapas previstas no plano de ação. De acordo com Lúcia Pellanda, que foi reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) de 2017 a 2025, o MEC assumiu a elaboração da política como um compromisso estratégico. “Queremos uma política transformadora, inovadora, que deixe legado, não apenas um papel entregue ao TCU”, reivindicou.

‘Openness’
A professora relatou sua participação no Encontro Mundial de Reitores, na China, ocasião em que discutiu o conceito de openness, que reúne ideias de abertura, acessibilidade, acolhimento, transparência, inovação e equidade. Para ela, o conceito dialoga profundamente com o papel das universidades brasileiras diante das crises contemporâneas. Comentando as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, recordou que a comunicação pública foi essencial para orientar as ações da população. Exemplos semelhantes, segundo Lúcia Pellanda, ocorreram em Minas Gerais e no Espírito Santo após desastres ambientais, e na pandemia, episódios em que a comunicação universitária se tornou referência.

Outra experiência compartilhada pela professora ocorreu na Caravana Iaraçu, entre Manaus e Belém, projeto que integrou estudantes, pesquisadores e comunidades tradicionais em ações de comunicação, extensão e pesquisa. “A iniciativa combinou escuta de territórios ribeirinhos, diplomacia científica, divulgação em redes sociais feita por estudantes e valorização de soluções comunitárias diante das mudanças climáticas”, descreveu. Por fim, Lúcia Pellanda criticou a ideia de universidade como “fábrica de diplomas”, defendeu a integralidade da experiência universitária e recuperou sua citação preferida de Star Wars: “Assim vamos ganhar: não lutando contra o que odiamos, mas salvando o que amamos”.

Ana Beatriz: ação colaborativa para viabilizar avanços duradouros e respostas mais consistentes
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Trabalho em rede
A professora Ana Beatriz de Oliveira, reitora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e vice-presidente da Andifes, enfatizou a centralidade do trabalho em rede para enfrentar os desafios contemporâneos da comunicação nas universidades federais, especialmente em um cenário de ataques sistemáticos à educação pública e de crises que se multiplicam diariamente. Ana Beatriz defendeu que somente a ação colaborativa viabiliza avanços duradouros e respostas mais consistentes. Segundo ela, a Andifes tem buscado fortalecer essa integração, articulando colégios, fóruns e comissões para identificar pautas prioritárias, alinhar esforços e superar a lógica de atuar apenas diante de crises emergentes.

A reitora Sandra Goulart destacou os desafios enfrentados pelas universidades brasileiras nos últimos anos e enfatizou o papel do grupo de reitoras – do qual ela, Lúcia Pellanda e Ana Beatriz fizeram parte – como resistência diante de crises e ataques institucionais, sobretudo no contexto de governos negacionistas. A gestora também enfatizou a importância da comunicação pública como eixo central da gestão universitária, comemorando a criação de uma comissão de reitores e reitoras dedicada ao tema.

Para Kamilla Bossato, diretora de Comunicação da UFC e coordenadora do Cogecom, a comunicação universitária é “uma essência humana que precisa se materializar em outros meios para alcançar mais pessoas”. Em sua avaliação, o evento de gestores de comunicação oferece uma oportunidade única para gestores trocarem experiências e aprenderem coletivamente.

Anfitriã do encontro, a diretora do Centro de Comunicação (Cedecom) da UFMG, Fábia Lima, ressaltou que o cerne do Cogecom consiste na construção de uma agenda voltada à ampliação da reflexão e da ação em comunicação universitária. Segundo ela, o objetivo central é fortalecer a capacidade das universidades de trabalhar em rede, promovendo articulações entre instituições brasileiras e latino-americanas, tecendo parcerias estratégicas e consolidando práticas para ampliar o impacto da comunicação pública universitária. “O encontro busca combinar aprendizagem, troca de experiências e planejamento coletivo, de modo que, ao final da semana, os participantes estejam mais preparados e fortalecidos para enfrentar os desafios futuros na gestão e na estratégia de comunicação acadêmica”, projetou.

Categoria: Institucional

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