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Violência de gênero

UFMG adere à campanha ‘Alerta lilás’, de combate ao feminicídio e proteção à mulher

Compromisso foi firmado com o Ministério Público de Minas Gerais, responsável pela iniciativa

Por Redação

Com MPMG

Reitora Sandra Goulart, observada pelas promotoras de justiça Giovanna Carone e Denise Guerzoni e pelo procurador geral Paulo de Tarso Morais Filho, assina o protocolo de intenções
Foto: Camila Soares | MPMG

“Estamos em uma guerra, e todos precisamos trabalhar para construir uma sociedade da qual devemos nos orgulhar, porque essa sociedade que hoje maltrata as mulheres não é digna de orgulho”. O desabafo foi feito pela reitora Sandra Goulart Almeida durante a cerimônia de assinatura do protocolo de intenções entre a UFMG e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na tarde desta quarta-feira, dia 17. O instrumento, firmado na sede do órgão em Belo Horizonte, marcou a adesão da Universidade à campanha Alerta lilás: saúde da mulher como prevenção ao feminicídio, desenvolvida desde agosto pelo MPPG.

Em sua fala, Sandra Goulart se disse “estarrecida” com a recente onda de feminicídios e violência de gênero. “Estamos em pleno século 21, com tantas campanhas [de conscientização] já realizadas, mas ainda assim as mulheres continuam sendo violentadas e assassinadas por parceiros e pessoas que as desprezam”, indignou-se.

A reitora elogiou a iniciativa do MPMG – que estabelece as unidades de saúde como canais de acesso a direitos pelas mulheres – e pôs a universidade a serviço dela: “A lei existe, mas ela não é suficiente. É importante que a saúde seja um veículo para dizermos às mulheres que elas têm direitos, que a igualdade de gênero é um direito delas e que existe um sistema de políticas públicas para protegê-las.”

Sandra Goulart informou que a participação da UFMG começará pelas unidades de saúde (Escola de Enfermagem e Faculdade de Medicina), mas se expandirá gradativamente para outras áreas. “A presença de membros do nosso Reitorado [o vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira, pró-reitores, gestores, além de diretoras de unidades] nessa cerimônia sinaliza que estamos aqui para dar apoio a essa iniciativa”, afirmou.

Pela UFMG o documento foi assinado pela reitora Sandra Goulart, enquanto o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, e as promotoras de Justiça Denise Guersoni e Giovanna Carone Nucci Ferreira formalizaram a parceria pelo MPMG.

Denise Guersoni, que coordena o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do MPMG, disse que a parceria inaugura o segundo eixo da campanha. “Primeiro, buscamos implantar um letramento de gênero mínimo nas grandes unidades de saúde. Agora entramos na fase de capacitação, com a integração do sistema de educação, representado pela UFMG, ao de justiça, representado pelo MPMG. A ideia é que esse letramento seja incorporado aos currículos escolares e aos estágios e internatos de saúde e se transforme numa ferramenta poderosa de proteção às mulheres”, afiançou.

Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde, a promotora Giovanna Carone Nucci disse que a parceria simboliza a “convergência do saber acadêmico, da produção científica e da atuação institucional destinada à garantia de direitos”. Segundo ela, quando essas forças se unem, “ampliam-se as possibilidades de transformação social”. Giovanna Carone destacou ainda que o Alerta lilás – uma campanha que virou projeto – é uma estratégia de prevenção da violência. “Cuidar da saúde, da mente e do corpo das mulheres é enfrentar as desigualdades que as expõem a ciclos de violência e silenciamento. Esperamos que esse protocolo seja um instrumento vivo capaz de gerar ações concretas, pesquisas aplicadas, formação crítica e políticas sensíveis às questões de gênero”, afirmou.

As promotoras de justiça Giovanna Carone e Denise Guerzoni comandam o projeto do MPMG
Foto: Camila Soares | MPMG

Ao final da cerimônia, o procurador geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais, elogiou o trabalho das duas promotoras que coordenam o projeto – “elas cuidam de áreas estratégicas de atuação do MP como proteção às mulheres, saúde e educação –, celebrou o ingresso da UFMG na empreitada e prestou uma homenagem a Maria da Penha – farmacêutica e ativista que inspirou a lei de combate à violência contra a mulher – citando uma frase de sua autoria: “A vida começa quando a violência acaba”.

Capilaridade
Lançada em agosto deste ano, a campanha Alerta lilás, do MPMG, busca, em seu primeiro eixo, informar a população sobre aspectos da Lei Maria da Penha, tipos de violência, onde e como buscar ajuda e como solicitar medidas protetivas. Em outra frente, a iniciativa tem o objetivo de preparar profissionais de saúde para acolher, orientar e encaminhar as mulheres com abordagem sensível e numa perspectiva de gênero. 

Em apenas quatro meses, a iniciativa já atraiu mais de 70 instituições parceiras, tendo se espalhado de Minas Gerais para os estados do Amazonas, de Pernambuco, do Piauí, do Rio de Janeiro, da Bahia, de Santa Catarina, do Acre, do Rio Grande do Sul, de Goiás, de Mato Grosso do Sul, do Pará, do Paraná, de Tocantins, do Maranhão, de São Paulo, do Piauí e para o Distrito Federal.  

A iniciativa está presente em 360 lojas da Drogaria Araújo instaladas em Minas Gerais, em unidades do Hermes Pardini em operação em 68 municípios e em 311 unidades do Grupo Sabin que funcionam em diversos estados. Também aderiram à campanha todos os hospitais que integram a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Rede Fhemig) e a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

Cerimônia reuniu autoridades do sistema de justiça de Minas Gerais, gestores da UFMG e representantes das forças de segurança do estado
Foto: Camila Soares | MPMG

Categoria: Institucional

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