Universidade do futuro: gestores defendem internacionalização inclusiva e sustentável
Representantes do MEC, do CNPq e da Capes falaram sobre políticas de fomento, redes multilíngues e desafios da pós-graduação brasileira
Por Matheus Espíndola
Cooperação em rede, formação de recursos humanos e promoção de uma internacionalização linguística e socialmente inclusiva são caminhos incontornáveis para as universidades. Esses atributos foram destacados na mesa Oportunidades de cooperação: fomentando a universidade do amanhã, realizada na tarde de segunda-feira, dia 10, como parte da programação do Encontro de Reitores do Grupo Tordesilhas. O painel reuniu o coordenador-geral de Assuntos Internacionais da Educação Superior do MEC, Virgílio Pereira de Almeida, a diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq, Dalila Andrade Oliveira, e o diretor de Relações Internacionais da Capes, Rui Vicente Oppenheimer. A reitora Sandra Goulart Almeida fez a mediação da mesa.
Segundo Virgílio Pereira, do MEC, a cooperação acadêmica vive um processo de mudança estrutural, impulsionado pela transformação digital e pela necessidade de inclusão linguística e social. O professor lembrou que a mobilidade híbrida – consolidada durante a pandemia – tornou-se uma tendência irreversível na educação superior.
Ao apresentar o panorama do ensino superior federal, Pereira informou que o sistema reúne 69 universidades, 1,3 milhão de estudantes e cerca de 50 mil docentes. Ele defendeu a internacionalização com caráter público e solidário. “O ensino é público, mas a internacionalização ainda não é acessível a todos”, alertou Pereira, que é graduado em Letras pela UFMG e atualmente atua como docente na Universidade de Brasília (UnB).
Pereira recomendou que o Grupo Tordesilhas, composto de 60 universidades do Brasil, de Portugal e da Espanha, amplie suas parcerias com instituições de outras regiões do mundo, e propôs, ainda, que os colégios doutorais do grupo explorem a oferta de disciplinas bilíngues e virtuais e que o consórcio reforce sua presença em feiras internacionais de educação.
Por fim, Virgílio Pereira destacou três princípios orientadores para a “universidade do amanhã”: digitalização com sentido público, internacionalização inclusiva e multilíngue e cooperação alinhada à Agenda 2030 da ONU. O dirigente reconheceu, contudo, que ainda persistem desafios como a sustentabilidade financeira das ações, o reconhecimento mútuo de diplomas e a formação continuada de técnicos e docentes para a internacionalização. “Os problemas do mundo são semelhantes, e as respostas só podem ser encontradas na cooperação e nas redes”, sugeriu.
Equilíbrio regional
Dalila Andrade ponderou que a política de internacionalização da pesquisa precisa combinar cooperação multilateral, equilíbrio regional e justiça social na distribuição dos recursos. Ela lembrou que o CNPq vem ampliando suas ações com foco na sustentabilidade, na equidade de gênero e na redução das desigualdades regionais no sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação.
Segundo a diretora, o CNPq mantém acordos de cooperação com cerca de 40 países, incluindo agências de Portugal e da Espanha, e reforçou o papel estratégico do Brasil nas redes ibero-americanas. Ela mencionou também o ingresso recente do Brasil como membro do Cern, centro europeu de pesquisa nuclear, e a continuidade da agenda de cooperação com os países do bloco Brics. Dalila Andrade anunciou novos acordos com a França, Alemanha, Angola e Uruguai, além da criação da Rede Rafic, que reúne agências de financiamento à pesquisa dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. “Essa articulação deve impulsionar a cooperação científica com países africanos e reforçar o intercâmbio em língua portuguesa”, projetou.
Dalila, que é professora da Faculdade de Educação da UFMG, destacou, por fim, que a atual gestão do CNPq tem trabalhado para restaurar parcerias internacionais interrompidas nos últimos anos e reposicionar o Brasil no mapa da cooperação científica global. “A soberania científica é condição para a soberania econômica. Por isso, precisamos diversificar nossos parceiros, fortalecer o diálogo com diferentes regiões e ampliar a presença da ciência brasileira no mundo”, conclamou.
Importância da pós-graduação
Rui Oppenheimer, da Capes, sublinhou o papel estratégico da pós-graduação brasileira para o desenvolvimento científico e social do país. Ele lembrou que a agência, criada em 1951, atua de forma complementar ao CNPq: enquanto este fomenta a pesquisa e a inovação, a Capes é responsável pela formação e qualificação de recursos humanos de alto nível.
Segundo Oppenheimer, o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) é um dos mais robustos do mundo, com 4.659 programas e 7.105 cursos de mestrado e doutorado, presentes em todas as regiões do país. Apesar da expansão, ainda há fortes assimetrias regionais, sobretudo nas regiões Norte e Centro-oeste. O dirigente ressaltou que o novo Plano Nacional de Pós-Graduação estabelece diretrizes para ampliar a presença de programas nessas áreas e adotar critérios de avaliação que valorizem o impacto social e a inserção regional dos cursos, superando a ênfase exclusiva em indicadores bibliométricos.
Entre as novas prioridades da Capes, Oppenheimer destacou a necessidade de ampliar a empregabilidade de doutores fora do meio acadêmico, aproximando universidades e setor produtivo, e de fortalecer a cooperação internacional em bases mais equilibradas. Ele apresentou dados que mostram a predominância de bolsas destinadas ao “Norte Global” – como França, Estados Unidos, Portugal e Alemanha – e defendeu a retomada da cooperação Sul-Sul, especialmente com países da América Latina, Caribe e África. O diretor enumerou iniciativas que buscam consolidar essa virada, como o Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior, o Programa de Estudantes-convênio de Pós-Graduação e o recém-lançado Capes Global, destinado à criação de redes nacionais de universidades com estágios de internacionalização e cooperação científica. “A pós-graduação brasileira é a principal base da ciência nacional. Internacionalizar é ampliar o alcance desse conhecimento e colocá-lo a serviço da sociedade”, concluiu.
Mais lidos
Semana
-
expansão Ministro da Educação visita instalações do futuro campus da UFMG em Betim
Leonardo Barchini foi recebido pelo reitor Alessandro Moreira e pelo prefeito Heron Domingues
-
Alimentação Café da manhã e jantar mudam de restaurantes no campus Pampulha
Alteração, que entra em vigor no próximo dia 5, tem o objetivo de ajustar a distribuição das refeições de acordo com as necessidades operacionais dos RUs e da comunidade acadêmica
-
Contagem regressiva UFMG lança site sobre o centenário
Página reúne notícias, fotografias e informações históricas
-
PREPARAÇÃO ‘Aulão do Enem’ reúne milhares de estudantes na UFMG
Evento é fruto de parceria entre o MEC e a Universidade; ministro da Educação destacou poder transformador do exame
-
Formação Lançado edital do processo seletivo do Coltec para 2027
Inscrições serão abertas na segunda, 14 de setembro; 180 vagas são oferecidas em cinco cursos técnicos integrados ao ensino médio
Notícias por categoria
Internacional
-
Classificação de universidades UFMG avança nas cinco dimensões do ranking mundial da Times Higher Education
Levantamento divulgado nesta semana mostra evolução da Universidade em áreas como patentes, reputação na pesquisa e no ensino e citações de impacto
-
Cooperação internacional UFMG amplia diálogo com a Itália em ciência, cultura e formação acadêmica
Alessandro Moreira recebeu o cônsul-geral do país, Pietro Tombaccini; ainda nesta semana o reitor reuniu-se em Brasília com 30 diplomatas africanos
-
RANKING DE XANGAI UFMG está entre as 50 melhores universidades do mundo na área de Veterinária
Resultado por área aferido pelo Global Ranking of Academic Subjects (GRAS) 2026 é o melhor da Universidade em sua série histórica
-
IEAT Programas que recebem pesquisadores de projeção internacional têm inscrições abertas
Cátedras de Curta Duração e Visitas Internacionais vão selecionar até oito pesquisadores para atividades acadêmicas na UFMG entre maio de 2027 e abril de 2028
-
Governança global Universidades dos Brics ampliam cooperação em estudos jurídicos
Cinquenta estudantes de 19 instituições participam, nesta semana, de programa conduzido pela UFMG
Feed RSS
Receba atualizações das últimas notícias publicadas.