Estudante do Coltec vence Prêmio Jovem Cientista
Bernardo de Souza Cordeiro foi reconhecido na categoria Estudante do Ensino Médio com projeto de defensivo agrícola agroecológico
Por Luana Macieira
O estudante do Colégio Técnico (Coltec) da UFMG e calouro do curso de graduação em Engenharia de Controle e Automação da Universidade, Bernardo de Souza Cordeiro, conquistou o primeiro lugar no 30º Prêmio Jovem Cientista, na categoria Estudante do Ensino Médio. Sob a orientação do professor Adriano Borges, Bernardo desenvolveu um defensivo agrícola agroecológico enquanto era aluno do ensino médio e do curso técnico de Eletrônica no Coltec.
Intitulado Desenvolvimento de um dispositivo de Internet das Coisas para produção de defensivo agrícola agroecológico, o projeto consistiu na elaboração de um dispositivo seguro para produzir um defensivo agrícola sustentável. “Esse defensivo é produzido através da eletrólise de água e sal de cozinha, um processo químico feito pelo sistema. Nesse sentido, os aspectos mais importantes do projeto se resumem a duas características: uso de mecanismos de segurança inéditos na produção e automação do sistema”, explica Bernardo.
A automação do dispositivo está fundada no uso de sensores, atuadores e de um microcontrolador de baixo custo para gerenciar o processo de produção e fazer a comunicação com o usuário a distância, fornecendo, por meio da internet, visualização dos dados da produção do defensivo e controle do dispositivo em tempo real. As soluções de segurança para o dispositivo já são objeto de pedido de patente ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Além de Bernardo Cordeiro e de Adriano Borges, o trabalho contou com a participação do estudante de doutorado Guilherme Leal, do Programa de Pós-graduação em Inovação Tecnológica da UFMG (PPGIT). Para o professor Adriano, a equipe do trabalho demonstra a vocação da UFMG para realizar pesquisa de ponta em todos os níveis de ensino.
“Esse prêmio mostra que temos uma escola técnica de nível médio que possibilita a interação em diferentes níveis de formação. Mostramos excelência nos diversos níveis de ensino – médio, graduação e pós-graduação –, o que contribui para uma melhor formação dos nossos alunos.”
A cerimônia de premiação ocorreu nesta quarta-feira, dia 12, em Brasília, e contou com a presença da ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, e do secretário-geral da Fundação Roberto Marinho (FRM), João Alegria.
Iniciação científica
Bernardo, que acabou de conquistar uma vaga para o curso de graduação em Engenharia de Controle e Automação na UFMG, avalia que o trabalho de pesquisa que culminou no defensivo agrícola foi valorizado com a premiação. “Sinto que recebi o devido reconhecimento pelo esforço que tenho empregado durante todo o ensino médio e que valeu muito a pena dedicar vários fins de semana aos estudos”, diz.
O estudante, que sempre se interessou por diversas áreas do conhecimento e também é apaixonado por história, geografia e biologia, conta que o curso técnico em Eletrônica no Coltec foi essencial para que ele decidisse qual carreira seguir, pois ali descobriu o interesse pela física.
“Esse projeto que nos deu o prêmio envolve eletrônica e química, além de ser muito prático. Eu gosto bastante desse tipo de pesquisa que sai da teoria e vai para a prática”, afirma o estudante. “O prêmio me ajudou a ter certeza do que quero e vai me ajudar caso decida seguir a carreira acadêmica no futuro. Além disso, foi muito interessante trabalhar nesse projeto com o Guilherme Leal, aluno do doutorado que considero uma máquina de conhecimento. Para mim, que era apenas um estudante do ensino médio, foi uma experiência de muito aprendizado.”
Bernardo Cordeiro, que concilia os estudos com jogos de videogame, a musculação e shows de heavy metal, pretende continuar pesquisando e aguarda, com ansiedade, o início das aulas da graduação no segundo semestre deste ano. Além do projeto do defensivo agrícola, ele permanecerá na iniciação científica em outro projeto coordenado pelo professor Adriano Borges, que monitora barragens, em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
O Prêmio
O Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho (FRM) e empresas da iniciativa privada. O objetivo do prêmio é revelar talentos, impulsionar a pesquisa no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram soluções inovadoras para os desafios enfrentados pela sociedade brasileira.
Considerado um dos mais importantes reconhecimentos aos jovens cientistas brasileiros, o prêmio apresenta, a cada edição, um tema relevante para o desenvolvimento científico e tecnológico que atenda às políticas do governo federal e seja de relevância para a sociedade brasileira.
Ao longo de sua trajetória, o Jovem Cientista já contemplou mais de 194 pesquisadores e estudantes, além de 21 instituições de ensino médio e superior. A 30ª edição registrou 801 inscrições, em cinco categorias: Mestre e Doutor, Estudante de Ensino Superior, Estudante de Ensino Médio, Mérito Científico e Mérito Institucional. Os três melhores trabalhos em cada uma das categorias receberam premiações, extensivas aos orientadores.
Neste ano, os valores variaram de R$12 mil a R$40 mil. Os três primeiros contemplados nas categorias Mestre e Doutor, Estudante de Ensino Superior e Estudante de Ensino Médio também receberão bolsas de estudo com prazo de até 24 meses. As instituições premiadas na categoria Mérito Institucional – Instituição de Ensino Superior e Instituição de Ensino Médio – receberão, cada uma, R$ 40 mil.
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