Tese da Psicologia vai investigar valoração de recompensa e comportamento suicida
Doutorando busca voluntários com idade igual ou superior a 18 anos para preencher questionário on-line; sigilo das respostas está garantido
Por Teresa Sanches
A prevenção do suicídio é um dos grandes desafios para a saúde pública em todo o mundo. Estudos revelam que a ideação suicida é fator que antecede todas as tentativas, mas nem todas as pessoas que pensam em suicídio chegam a agir. Estima-se que, para cada suicídio consumado, ocorram de dez a trinta investidas, e até 37% dos indivíduos que experimentam ideação suicida tentam o suicídio em algum momento da vida. Isso leva a uma questão fundamental: por que algumas pessoas fazem essa transição da ideação para a tentativa, enquanto outras não?
Para o doutorando do Programa de pós-graduação em Psicologia: Cognição e Comportamento da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) Elder Gomes Pereira, identificar fatores que diferenciam indivíduos que apenas pensam sobre o ato suicida daqueles que, de fato, tentam, pode ajudar a desenvolver intervenções mais direcionadas e eficazes para a prevenção desse “fenômeno tão complexo e desafiador”.
Valoração de recompensa
Sob a orientação do professor Maycoln Leôni Martins Teodoro, do Departamento de Psicologia da Fafich, Elder Gomes, que também é professor da PUC Minas, explica que sua pesquisa investiga um mecanismo psicobiológico chamado “valoração de recompensa”, que se refere à forma como o cérebro avalia ganhos e custos ao tomar decisões. “Esse processo influencia nossas escolhas diárias, desde decisões simples, como comer ou não um delicioso, porém, calórico doce de leite, até escolhas mais complexas, como desistir ou persistir em um curso de graduação”, exemplifica.
A hipótese da pesquisa, baseada em estudos anteriores, é que déficits na valoração de recompensa podem aumentar a vulnerabilidade ao comportamento suicida. Elder Gomes explica que, “se uma pessoa apresenta alterações nesse processo, ela pode ter uma avaliação custo-benefício distorcida, percebendo o suicídio como uma solução mais viável do que realmente é. Isso poderia, de certa forma, tornar a opção pelo suicídio excessivamente atrativa em momentos de desespero, facilitando a transição do pensamento suicida para a tentativa”.
Voluntários
Para explorar a relação entre valoração de recompensa e o comportamento suicida, o pesquisador conta com a colaboração de voluntários, que devem responder a questionário on-line sobre tarefas de escolhas econômicas, que simulam cenários de decisão do cotidiano. Elder Gomes explica que, nessas tarefas, os participantes fazem escolhas em situações onde precisam avaliar diferentes ganhos e custos. Isso permite analisar padrões nos processos de valoração de recompensa e identificar se existem diferenças significativas entre aqueles que já tentaram suicídio e aqueles que apenas pensaram sobre isso.
“Se conseguirmos identificar padrões específicos que diferenciem indivíduos em maior risco de tentativa, poderemos contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e intervenção. Isso permitiria abordagens mais direcionadas, auxiliando profissionais de saúde mental a diferenciar melhor os indivíduos que precisam de acompanhamento intensivo daqueles que apresentam menor risco”, afirma.
Os interessados em colaborar com o estudo devem ter ao menos18 anos e responder ao questionário on-line, disponível na página Laboratório de Processos Cognitivos da UFMG (LabCog). O tempo médio de resposta é de 20 minutos. Todas as respostas são sigilosas e, caso algum participante manifeste a necessidade de apoio psicológico, receberá orientação e encaminhamento para serviços gratuitos de saúde mental, na própria UFMG, ou em sua região, caso resida fora de Belo Horizonte.
Mais informações podem ser solicitadas pelos telefones (31) 99975-6365 e (31) 98320-2449 ou pelos e-mails elder.gomespsi@gmail.com e mlmteodoro@hotmail.com.
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