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Conexões

O Agente Secreto: Documento histórico da ditadura e da atualidade, realça professora da UFMG Miriam Hermeto

Professora do Departamento de História ressalta a importância do cinema resgatar a memória do regime militar

Nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, a professora do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História da Fafich, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Miriam Hermeto conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.

“O Agente Secreto” fez história no Globo de Ouro e levou dois prêmios pra casa. O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste último domingo em Los Angeles, com o feito inédito de vencer em mais de uma categoria de uma das mais renomadas premiações da indústria cinematográfica. O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. A produção também concorria a “Melhor Filme de Drama”, considerada a principal categoria, mas essa ficou com “Hamnet: A vida antes de Hamlet”. As vitórias consolidam o cinema brasileiro na premiação, dando sequência à vitória de Fernanda Torres em 2025 como melhor atriz em filme de drama por “Ainda Estou Aqui”, categoria vencida por Fernanda Montenegro em 1999, com “Central do Brasil”.

A produção vem em campanha para o Oscar 2026 e já acumula mais de 50 prêmios pelo mundo até o momento. A ficção ambientada no Recife, capital de Pernambuco, da década de 1970, em pleno período da ditadura militar, acompanha a trajetória de Marcelo, um professor com um passado misterioso que se vê envolvido em uma complexa rede de vigilância, perseguições e jogos de poder. Interpretado por Wagner Moura, o protagonista atua como uma peça-chave em um sistema marcado pela repressão e pelo controle, enquanto enfrenta dilemas morais que atravessam sua vida pessoal e profissional.

A professora Miriam Hermeto destacou diversos aspectos históricos do filme e seu valor documental, tanto em relação à época que pretende retratar, a ditadura empresarial-militar, quanto do tempo em que o longa foi produzido e filmado. Ela ressaltou que no contexto de uma justiça de transição fraca, “O Agente Secreto” tem muitos acertos ao colocar em pauta um outro momento da ditadura, um período já dito como mais brando, quando o governo autoritário prometia uma abertura “lenta, gradual e segura”. A professora também chamou a atenção para a valorização da pesquisa acadêmica no longa em tempos de ataque à universidade e à ciência.

Categoria: Arte e Cultura

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