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Conexões

Ações truculentas do ICE são mais um reflexo da erosão democrática nos EUA, reflete a presidenta da Comissão de Relações Internacionais da OAB/MG, Amina Guerra

Especialista ressalta que é preciso buscar soluções humanitárias para a questão da migração, e não criminalizar e desumanizar os imigrantes

Nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a conselheira da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e Presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/MG , professora Amina Welten Guerra, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

Nas últimas semanas, temos acompanhado nos noticiários as ondas de protestos e confrontos contra o ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega nos Estados Unidos. Placas com o lema “ICE OUT”, em português “Fora ICE”, escancaram a escalada de tensões no país e o descontentamento da população com o serviço norte-americano. Criada em 2003 com a missão de combater a imigração ilegal que ameaçaria a segurança do país, o orçamento do ICE triplicou, na atual administração de Donald Trump, chegando a quase trinta bilhões de dólares ao ano, segundo cálculos do Conselho Americano de Imigração. O valor destinado à fiscalização e deportação de imigrantes supera as Forças Armadas de quase todas as nações do mundo, com exceção de dezesseis delas, segundo dados de despesas militares da SIPRI Fact Sheet, referência mundial no tema. A instituição ainda contratou mais doze mil agentes no primeiro ano do governo Trump, chegando a vinte e dois mil policiais, um aumento de 120% em relação ao efetivo anterior.

Por conta do volume altíssimo de candidaturas, os critérios de admissão chegaram a ser colocados em dúvida por alguns analistas. Outros quarenta e cinco bilhões de dólares foram destinados à construção de centros de detenção para imigrantes. Isso representa um aumento de 265% no orçamento anual da agência para detenção. 62% maior do que todo o sistema prisional federal. Agora, a ICE é a responsável por cumprir uma das principais promessas de campanha de Trump: a de deportar, em média, um milhão de imigrantes sem documentos por ano. Embora essa política tenha como foco o endurecimento das ações migratórias, a atuação da agência passou a ganhar grande repercussão por episódios marcados pela frieza e pelo uso excessivo da força, incluindo duas mortes a tiros de uma cidadã e um cidadão estadunidenses durante operação anti-imigração, o que tem provocado manifestações e ampliado o debate sobre violência e direitos humanos nos Estados Unidos.

A especialista ressaltou que é preciso buscar soluções humanitárias para a questão da migração, e não criminalizar e desumanizar os imigrantes, como tem acontecido nos Estados Unidos. Ela comentou que a migração é um tema complexo e fundamental na história da humanidade, responsável pelo povoamento de muitos lugares, mas a professora não acredita em recuos significativos de Donald Trump na condução dessa questão. O ICE foi criado há mais de 20 anos, mas foi reforçado nesse segundo mandato do presidente com poderes ampliados, efetivo mais que duplicado e orçamento triplicado.

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