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Assédio no BBB: “Programa tinha obrigação de intervir de imediato”, afirma professora Marlise Matos

Para a coordenadora do Nepem UFMG, produção do programa demorou para agir e dá o recado de impunidade a homens assediadores

Nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, a professora do Departamento de Ciência Política da UFMG e coordenadora do NEPEM, Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da UFMG, Marlise Matos, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória.

Em mais uma edição, o Big Brother Brasil tensiona os limites do entretenimento em reality shows. A edição 26 do BBB começou há apenas uma semana e já trouxe diversas situações problemáticas. No último domingo, o participante Pedro Henrique Espíndola apertou o botão da desistência após tentar agarrar e beijar à força a participante Jordana. A Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá apura o caso como importunação sexual. De acordo com o comunicado enviado pela delegacia “as imagens serão analisadas e o ex-participante será chamado para prestar depoimento”. Em mais de duas décadas, já houve casos parecidos em outras temporadas do programa, que nem sempre resultaram em expulsão do homem acusado. O apresentador do BBB, Tadeu Schmidt, lamentou o ocorrido e ressaltou que caso Pedro Henrique não tivesse deixado o reality por conta própria, ele teria sido expulso. A repercussão foi grande na internet e dentro da própria casa.

Pedro Henrique vinha sendo muito criticado pelos colegas de confinamento mesmo antes do episódio. Por outro lado, houve quem dissesse estar com dó do agora ex-BBB, mesmo concordando que ele fez algo errado. Nesse início de reality ainda teve o retorno do quarto branco, um ambiente totalmente branco, onde todos usam roupas brancas, sem janelas e com iluminação intensa dia e noite. Após mais de 120 horas de privação de sono e comida, a participante Rafaella desmaiou. Em veículos de imprensa estrangeiros, essa dinâmica chegou a ser comparada a formas de tortura. Outro caso preocupante foi o do ator Henri Castelli, que sofreu dois episódios de convulsão na casa, o primeiro durante uma prova de resistência.

A professora chamou a atenção de a atitude de Pedro Henrique Espíndola não se trata de um “erro”, mas de crime previsto no Código Penal, por isso o programa tinha a obrigação moral e ética de intervir naquele momento, de maneira imediata. O participante sequer foi expulso, saindo do programa por conta própria. Para ela, a lentidão da resposta da produção dá o recado de impunidade a homens assediadores. Marlise Matos também comentou outros casos problemáticos do BBB, afirmando ser lamentável que o programa use de situações de violência e abuso para se manter tanto tempo no ar, deixando a reflexão para a audiência sobre o consumo desse tipo de produto audiovisual.

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