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Conexões

Pacto contra o feminicídio é avanço, mas tem desafios, analisa professora do IFB Camila Galetti

Pesquisadora destaca que ações envolvem os 3 poderes, mas vão enfrentar resistência de quem nega o aspecto estrutural da violência de gênero

Nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília e professora no Instituto Federal de Brasilia (IFB) Camila Galetti conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.

Em resposta à escalada da violência de gênero, que registra quatro mulheres vítimas de feminicídio a cada vinte e quatro horas no país, os Três Poderes da República lançam pacto para enfrentamento desse tipo de crime no país. Com o nome “Pacto Nacional – Brasil contra o feminicídio”, a iniciativa une esforços do governo federal, do Congresso Nacional e do Poder Judiciário.

Dentre os objetivos da proposta está acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade. Para garantir a efetividade das ações, foi criado o Comitê Interinstitucional de Gestão, que vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, buscando assegurar acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.

Outra estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que reúne informações sobre o pacto, apresenta canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de disponibilizar um guia com informações sobre os diferentes tipos de violência.
O anúncio da medida chega no momento em que o Brasil atingiu número recorde de vítimas de feminicídios, em 2025.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram mais de 1.500 mulheres assassinadas. Uma média de quatro por dia. Entre elas, está o caso emblemático de Tainara Souza Santos, que perdeu as pernas e morreu após ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-namorado em São Paulo. Os dados do sistema de justiça também evidenciam a dimensão e a urgência do combate. Em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, quarenta casos de feminicídio por dia, totalizando mais de quinze mil julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. Já o Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, registrou, em média, 425 denúncias diariamente.

A professora destacou que envolver os três poderes, inclusive vários ministérios do governo federal, é um avanço e sinaliza que o combate à violência de gênero passa por aspectos diversos. Por outro lado, ela ressaltou como grandes desafios a necessidade de definir um orçamento real e da boa vontade para colocar o pacto em ação nos estados e municípios. Galetti também reforçou que é fundamental que a igualdade de gênero esteja no processo educacional e que o pacto vai sofrer resistência daqueles que negam que a violência contra a mulher é estrutural.

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