“Prisão de Bolsonaro não pode ser revertida no processo da trama golpista”, analisa professor da UFMG
Nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025, o professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da UFMG Emilio Peluso Neder Meyer conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
O ex-presidente Jair Bolsonaro já cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O STF, Supremo Tribunal Federal determinou nessa terça o fim da ação penal da trama golpista. A decisão de Alexandre de Moraes foi confirmada pela Primeira Turma do Supremo e veio após a defesa do ex-presidente não apresentar nenhum recurso na segunda etapa. Com o processo encerrado, foi decretada a prisão dos outros seis componentes do chamado núcleo crucial da trama golpista. Foram presos os generais Paulo Sergio Nogueira e Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. O general Walter Braga Netto já estava detido preventivamente desde dezembro de 2024, após tentar atrapalhar as investigações e ter acesso à delação de Mauro Cid, e teve a prisão convertida para definitiva, assim como Bolsonaro. Já o deputado federal Alexandre Ramagem, que está nos Estados Unidos, foi considerado foragido e incluído no Banco Nacional do Monitoramento de Prisões.
No último sábado, a Polícia Federal prendeu Jair Bolsonaro, em sua casa, em Brasília, de forma preventiva. De acordo com fontes da PF, uma vigília convocada pelo filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro, levou ao risco de fuga. Isso somado ao fato de o ex-presidente ter tentado violar a tornozeleira eletrônica no início daquela madrugada. “Meti um ferro quente”, afirmou Bolsonaro em vídeo divulgado pela assessoria do STF, motivado por “curiosidade”. Já na audiência de custódia, ele alegou ter sofrido um episódio de “paranoia” e “alucinação” devido ao uso combinado de remédios. Por isso, ainda segundo seu relato, ele teria acreditado que a tornozeleira pudesse conter um dispositivo de escuta clandestino, o que teria motivado a tentativa de mexer no equipamento. Após a notícia, parlamentares bolsonaristas prometeram resgatar o projeto de anistia e seus apoiadores seguiram com o discurso de perseguição política.
O professor destacou que o processo seguiu todo o rito legal e com provas robustas e que, nessa ação penal que foi encerrada, não há mais o que ser feito em relação ao cumprimento de pena. Ele também ressaltou que a prisão preventiva em 22 de novembro foi justificada porque havia indícios fortes de que o ex-presidente poderia de fato tentar uma fuga, não só pela vigília por Bolsonaro e a tentativa de violação da tornozeleira, mas também por um padrão de comportamento dos réus.
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