Protestos no Irã: Regime tenta sobreviver e EUA usam cautela, analisa o professor Danny Zahreddine
Pesquisador especialista em Oriente Médio comenta momento iraniano delicado e destaca a complexidade do conflito
Nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o professor do Departamento de Relações Internacionais e do programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da PUC Minas e líder do grupo de pesquisa Oriente Médio e Magreb, Danny Zahreddine, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Irã devolve ameaça feita pelos Estados Unidos e afirma que está preparado para reagir a intervenções militares. Após a escalada dos protestos iniciados no final de 2025, a República iraniana viu, no dia 8 de janeiro, a maior noite de manifestações nacionais até agora. Originadas em queixas econômicas, as demonstrações de descontentamento foram respondidas com repressão, mortes e bloqueio de internet, o que revelou rachaduras mais profundas no regime dos aiatolás e resultou nas ameaças de intervenção externa.
Em resposta a violência contra os manifestantes, que já deixou mais de 2 mil mortos, o presidente Donald Trump impôs sanções econômicas por meio de tarifas de 25% sobre os países que costumam negociar com o Irã. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, “o 8 de janeiro deve ser considerado uma extensão da Guerra de 12 dias”, ou seja, grande parte da repressão letal empregada pelo regime iraniano se deve a uma acusação, ou suspeita, de colaboração com Israel.
Em 1979, o Irã passou por uma Revolução Islâmica, instaurando um regime teocrático regido pelo Alcorão e expulsando a monarquia dos xás. Nesse momento, sementes desse conflito retornam na figura de Reza Pahlavi, filho exilado do xá deposto em 79, que pede pelo retorno de um Irã monárquico, chegando a apoiar a intervenção dos Estados Unidos. Apesar de Trump estar considerando várias opções, desde ataques militares a novas sanções contra figuras do regime ou setores da economia iraniana, como energia ou o setor bancário, o Irã afirmou estar disposto a retomar negociações mais diplomáticas, mas não vai abrir mão do enriquecimento de urânio, um combustível nuclear que pode ser usado para construir uma bomba se refinado a altos níveis.
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