Vitória de António Seguro é um respiro para a esquerda portuguesa, analisa o doutor em Ciência Política Eduardo Barbabela
Pesquisador da UERJ também comenta preferência por André Ventura, da extrema direita, entre brasileiros aptos a votar no país europeu
Nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, o doutor em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), na mesma instituição, e investigador auxiliar do Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Eduardo Barbabela, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Portugal escolheu neste domingo seu novo presidente da República em um segundo turno histórico. O socialista António José Seguro venceu o candidato do Chega, partido de extrema direita, André Ventura, marcando o retorno da esquerda ao Palácio de Belém após vinte anos. Com um eleitorado superior a onze milhões de pessoas aptas a votar, Seguro teve mais de três milhões de votos contra aproximadamente um milhão e seiscentos mil do adversário. A eleição também foi marcada por elevada abstenção, próxima de 50%.
O resultado coloca o presidente eleito em um grupo restrito da história democrática portuguesa. Desde 1976, apenas cinco eleições presidenciais registraram vencedores com mais de três milhões de votos. Outro destaque é que o pleito presidencial foi decidido no segundo turno pela primeira vez em 40 anos, como um indicativo da grande fragmentação do eleitorado. No primeiro turno, onze partidos participaram, outra marca histórica.
Durante a campanha, Seguro se posicionou como um candidato moderado que vai cooperar com o governo minoritário de centro-direita de Portugal, conquistando setores de esquerda, de centro e até da direita. Já a atuação de Ventura foi pautada por declarações xenófobas, propostas de política anti-imigratória e desclarações de orgulho da história colonialista de Portugal. Mesmo assim, o candidato da extrema direita foi o mais escolhido entre brasileiros com direito a voto. Em seu discurso após eleito, António José Seguro afirmou que o resultado das eleições é uma vitória da democracia e dos portugueses.
O pesquisador destacou que moderação é uma palavra que define o presidente eleito e foi esse elemento e a disposição para o diálogo desde o primeiro turno que o levaram ao triunfo. Barbabela ressaltou que, mesmo com a derrota de André Ventura, a extrema direita mostra cada vez mais força e pode até vencer as próximas eleições legislativas. O especialista explicou o sistema de governo em Portugal e resgatou o histórico político de Seguro, realçando que seu desafio imediato é evitar a derrubada do atual primeiro-ministro, Luís Montenegro.
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