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Conexões

Vírus Nipah é perigoso, mas hoje não causa preocupação mundial, explica pesquisadora Mellanie Dutra

Professora da Unisinos ressaltou que as autoridades locais e a OMS tem sido eficazes no controle do vírus na Ásia

Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a biomédica virologista, doutora em neurociências, pesquisadora e professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) Mellanie Dutra conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

O vírus Nipah pode causar de sintomas leves até casos graves, afetando o cérebro e até levando à morte. É um quadro que preocupa a Organização Mundial de Saúde, que monitora a situação do patógeno. Atualmente, pelo menos dois casos foram notificados na Índia, especificamente no estado de Bengala Ocidental: uma mulher e um homem, profissionais de saúde que trabalham no mesmo hospital. Esse é um vírus conhecido desde 1999, e provoca surtos frequentes em países asiáticos. Segundo a OMS, este é o sétimo surto de Nipah registrado na Índia, e o terceiro no estado, após casos em 2001 e em 2007. Os locais afetados fazem fronteira com Bangladesh, onde os surtos são praticamente anuais. De acordo com o Ministério da Saúde indiano foram identificados e rastreados 196 contatos ligados aos casos diagnosticados, nenhum deles apresentou sintomas e todos testaram negativo para o vírus.

Aeroportos de países asiáticos, como Tailândia e Singapura, retomaram protocolos de segurança usados durante a crise da Covid-19. Só a menção dessa doença que causou nossa última pandemia já traz uma sensação de grande perigo, e é isso que tem se espalhado em alguns perfis nas redes sociais. Acontece que o Nipah é completamente diferente: tem alta letalidade, mas não é um vírus respiratório, ou seja, não é transmitido pelo ar. Ele é zoonótico, transmitido da secreção de outros animais para os humanos, principalmente morcegos que comem frutas, do gênero Pteropus, que não habitam o Brasil e a América Latina. Assim, a OMS e especialistas já afirmaram que o risco de o Nipah se espalhar é baixo, e de chegar ao Brasil e se tornar uma pandemia, quase nulo. A entidade classifica o Nipah como um patógeno prioritário porque ele pode causar febre e inflamação cerebral. Com uma taxa de mortalidade alta e a falta de vacina que o combata, ele precisa ser monitorado.

A professora da Unisinos destacou que as autoridade locais e a OMS tem sido muito eficientes em controlar os diversos surtos localizados que já aconteceram na Ásia. Como a doença pode causar sintomas graves, como o inchaço do cérebro, e levar à morte, é um vírus prioritário e os poucos casos registrados na Índia já acendem o alarme de surto. A pesquisadora detalhou as formas de transmissão e comentou que o Brasil está fazendo o que é preciso para não ter o vírus por aqui. Ela ressaltou que o patógeno não causa preocupação mundial no momento. Para acompanhar o trabalho de divulgação científica da professora Mellanie Dutra, acesse a página dela no Instagram

Categoria: Saúde

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