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Conexões

Tragédia-crime da Vale em Brumadinho completa 7 anos e ação penal avança para a fase de audiências

Carolina de Moura, do Observatório das Ações Penais sobre a Tragédia em Brumadinho, realça importância da responsabilização criminal dos réus

Nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, a moradora da Jangada, em Brumadinho, ambientalista, jornalista especializada em gestão do ambiente e sustentabilidade, membro do Instituto Cordilheira e assessora de comunicação do Observatório das Ações Penais sobre a Tragédia em Brumadinho, Carolina de Moura, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.

No dia 25 de janeiro, completam-se 7 anos de uma das maiores tragédias-crimes que assolaram o Brasil: o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais. Responsável por matar 272 pessoas e causar danos a moradores de 26 municípios da bacia do rio Paraopeba, em 2019, os efeitos se prolongam até os dias de hoje. De acordo com uma pesquisa da UFMG, no âmbito do Projeto Brumadinho, cerca de 70% dos domicílios de Brumadinho relataram algum tipo de adoecimento físico ou mental desde o rompimento. Ao mesmo tempo, 76% das famílias enfrentam dificuldades de acesso a consultas, exames e tratamentos, em uma rede pública pressionada pela alta demanda e pelas transformações no território. Além disso, mesmo diante de um dos maiores acordos socioambientais da história do país, cerca de 38 bilhões de reais, firmado em fevereiro de 2021 entre a Vale, o Governo de Minas Gerais e o Ministério Público, os resultados concretos ainda estão abaixo do esperado.

Depois de anos de mobilização e luta, a ação penal que apura as responsabilidades do crime avançou para a fase de audiências, que começam no mês que vem. De acordo com o cronograma apresentado pelo Juízo da 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte, vão ser 76 dias de audiência, com término em maio de 2027. Além da mineradora Vale, 16 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal como réus por crimes ambientais e 270 homicídios dolosos, em especial o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman. A participação de atingidos, familiares das vítimas e outros interessados está garantida no plenário do Tribunal Regional Federal da 6 Região, em Belo Horizonte, o que só foi possível pela articulação da Avabrum, Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho. Entre os atos que ocorrem durante essa semana, a cidade de Belo Horizonte tem manifestação hoje do Movimento dos Atingidos por Barragens, com programação de manhã e pela tarde.

Carolina de Moura destacou a importância da luta pela responsabilização criminal dos réus. Ela ressaltou que, conforme mostraram as investigações, havia um cálculo financeiro do risco de rompimento da barragem. Assim, enquanto não houver responsabilização criminal, as mineradoras vão preferir assumir o risco de matar. A moradora de Brumadinho também abordou a conquista do Memorial às vítimas denunciou a retomada das operações da Vale no município.

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