Aprenda a reconhecer informações falsas e se proteger da desinformação no meio científico

 

24 de março de 2026

 

Ilustração: Paula Villar, via Jornal da USP

 

Por Maria Clara Ottoni Alvarenga, 

estudante de jornalismo da PUC Minas

 

Já ouviu falar que o uso de micro-ondas causa câncer porque “altera as moléculas dos alimentos”? Já recebeu mensagens afirmando que vacinas contêm chips de rastreamento implantados por empresas de tecnologia?  Ou quem sabe, se deparou com vídeos virais que defendem a ideia de que a Terra é plana, ignorando séculos de evidências científicas amplamente verificadas? Esse é o complexo e turbulento universo da desinformação científica, onde dados sem comprovação ganham ares de verdade e boatos se espalham mais rápido do que pesquisas confiáveis.

 

As fake news são informações falsas elaboradas intencionalmente para confundir ou influenciar a percepção do público. Normalmente, possuem uma aparência jornalística e são compartilhadas em páginas da web, plataformas e aplicativos de bate-papo. Na era de dinamicidade nas mídias sociais e de ascensão da inteligência artificial, esse contexto tem se tornado cada vez mais grave e constante.

 

Desde os primórdios da civilização, a mentira e a distorção de informações acompanham a história humana. A manipulação maliciosa para diversos fins não é algo recente ou oriundo de nossos tempos. Na Antiga Roma, por volta de 33 a.C., Otaviano conduziu uma campanha de difamação contra Marco Antônio, levantando questões sobre sua lealdade à Roma devido ao seu relacionamento com Cleópatra. Em resposta, o casal se defendeu ao investigar as origens de Otaviano: ele era descendente de Júlio César apenas pela linha materna. Nesse embate simbólico, ambos os lados recorreram à cunhagem de moedas com imagens e mensagens cuidadosamente escolhidas, utilizadas como instrumentos de promoção pessoal e fortalecimento de suas respectivas imagens públicas.

 

Fake news x Desinformação

Fake news são uma forma de desinformação com raízes históricas. Elas surgiram no século XXI e distorcem o conceito de notícias por meio de plataformas e tecnologias digitais que facilitam a ampla circulação de dados. Essas desinformações são produzidas intencionalmente para confundir ou influenciar a percepção das pessoas, adotando uma apresentação típica de reportagens.

 

Em contraste, existe a desinformação, que se refere a um espaço comunicativo que é hostil em relação à informação. Ela se distingue, pois pode abranger notícias falsas, mas não se limita a elas, incluindo também conteúdos que são distorcidos, fora de contexto ou manipulados, como os deepfakes. É o efeito geral da disseminação de fake news e de outros recursos para enganar ou manipular públicos com fins inescrupulosos, ou seja, que não hesitam em usar meios desonestos para alcançar seus objetivos. Na era da desinformação, a capacidade social de distinguir fato e opinião se torna mais dispersa! 

 

Muitas são as questões que também complexificam os contextos de desinformação, que aumentou de maneira “explosiva” nos últimos anos. Entre elas, estão as revistas científicas consideradas predatórias, que focam no lucro e não apresentam rigor ou transparência em seu processo editorial. Uma das consequências disso é que o debate na sociedade fica sobrecarregado por uma quantidade significativa de dados, muitas vezes não qualificados, ampliando as oportunidades para a disseminação de desinformação científica.

 

Como combater as fake news?

A luta contra as fake news é uma tarefa desafiadora. Os processos de criação e disseminação de informações enganosas são bastante eficazes e ocultam as estruturas de poder que estão por trás dos crimes. Para quem navega na internet, o essencial é ser capaz de reconhecer uma notícia falsa ou exagerada e evitar a propagação de conteúdos questionáveis.

 

Como identificar uma fake news. (Foto: Tribunal Regional Eleitoral – SP).

 

A Central de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) publicou uma cartilha com orientações sobre como identificar boatos e fake news na internet. O material destaca sinais característicos de notícias falsas, como títulos chamativos e alarmistas, falta de autoria ou fontes desconhecidas, e ausência de data e local do fato noticiado. 

 

É sempre importante relembrar que notícias com credibilidade não possuem:

  • Imagens sensacionalistas;
  • Pedidos para compartilhamento e divulgação;
  • Linguagem emotiva;
  • Erros ortográficos ou gramaticais;
  • Textos opinativos como se fossem notícia;
  • Sites ou canais desconhecidos.

 

E uma notícia com credibilidade deve ser:

  • Objetiva;
  • Equilibrada;
  • Apresentada com evidências;
  • Apresentada com fontes especialistas;
  • Atribuída e assinada por alguém.

 

Há também, diversas agências de checagem de fatos, que podem auxiliar na verificação de informações científicas, como: 

  • Aos Fatos: Plataforma jornalística de investigação de campanhas de desinformação e checagem de fatos;
  • Fato ou Fake: Iniciativa do grupo Globo que apura notícias falsas com uma equipe de jornalistas;
  • E-Farsas: Site criado em 2001 que avalia boatos espalhados na internet.

 

E para finalizar, lembre-se: na dúvida, não compartilhe!