
Anna Luiza Coli possui vasta experiência como pesquisadora. Com formação inicial em Filosofia, a pesquisadora é mestre em Estética e Filosofia da Arte pela UFMG e também pelo programa europeu Erasmus Mundus Europhilosophie, com foco em fenomenologia alemã e francesa. Seu doutorado foi realizado em cotutela entre a Bergische Universität Wuppertal, na Alemanha, e a Charles University Prague, na República Tcheca, concluído em 2021. Realizou também pesquisa acadêmica em nível de pós-doutorado em duas instituições — primeiro na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde cofundou o Núcleo de Pesquisa em Fenomenologia, e também na UFMG, como bolsista CAPES-PrInt, atuando na criação da Rede de Estudos sobre Democracia e Desinformação (REDD), atualmente vinculada ao programa de Grupos de Pesquisa do IEAT. Anna Coli é integrante de grupos de pesquisa ligados à estética contemporânea e ao pensamento filosófico nas humanidades. Seus temas de interesse incluem fenomenologia, desinformação, inteligência artificial, estética e filosofia da arte.
Projeto: Soberania Digital e Política
A pesquisa aborda a reconfiguração do conceito de soberania na era digital a partir da tensão entre controle e autoridade, argumentando que as transformações introduzidas pelas tecnologias digitais e em especial pela centralidade da economia de dados, pela atuação de grandes corporações tecnológicas e pelo crescente papel das mediações algorítmicas, tornam insuficiente uma compreensão da soberania baseada apenas no controle de fluxos e fronteiras. O conceito de soberania digital recupera uma discussão teórica do debate clássico para aproximar a soberania atual da categoria de metapolítica, ou seja, a capacidade do Estado de definir o que conta como questão política e quais os atores são legítimos nesse campo. Esse deslocamento se faz importante num cenário em que megacorporações de tecnologias atuam e têm peso geopolítico comparável ao dos países mais influentes. Procuramos mostrar como a crescente dependência de infraestruturas tecnológicas estrangeiras, aliado à atual crise das mediações informacionais e epistêmicas fragilizam a autonomia estatal, as instituições e as condições de exercício democrático. O cenário mostra que a regulação das plataformas é medida urgente e necessária, e todavia insuficiente para frear as novas dinâmicas de dependência. Por fim, a pesquisa aborda como as guerras atuais (principalmente a mais recente entre EUA e Irã) explicitam a fronteira em que o investimento massivo em infraestruturas digitais e no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial (IA) se confunde com objetivos militares de extermínio.