Os professores Saint Clair, Carmen Teresa e Bernardete Gatti participaram de mesa-redonda que debateu a formação docente com a escola. 
Créditos foto: professor Júlio Diniz (UFMG)

No dia 15 de agosto de 2025, foi realizado o 2º Seminário de Integração das Cátedras de Educação Básica e Formação de Professores dos Institutos de Estudos Avançados da UFMG, UFRJ e USP. As atividades tiveram lugar no auditório do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBAE-UFRJ). A gravação do seminário está disponível no canal do YouTube da instituição.

O evento, que marcou a continuidade dos esforços iniciados no 1º seminário das Cátedras de Educação Básica, realizado em abril de 2025 na UFMG, reuniu docentes da educação básica, pesquisadores e gestores para refletir sobre os desafios e as possibilidades da formação docente em diálogo com as escolas.

Na parte da manhã, a professora Carmen Teresa Gabriel, do Complexo de Formação de Professores da UFRJ, destacou a relevância do intercâmbio entre as Cátedras de Educação Básica dos Institutos de Estudos Avançados, lembrando que esse movimento, inspirado pelo professor Júlio Emílio Diniz, coordenador acadêmico da Cátedra Fundep Magda Soares de Educação Básica do IEAT/UFMG, tem potencial para institucionalizar novas formas de pensar e agir em rede.

A professora Bernardete Gatti, titular da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do IEA/USP, trouxe uma reflexão sobre a diferença entre formar na escola e formar com a escola, ressaltando a valorização dos saberes docentes produzidos por professores da educação básica.

Na sequência, falou o professor Saint Clair Marques, diretor da Escola Municipal Herbert José de Souza, em Belo Horizonte, e integrante do círculo de pesquisa “Construção de espaços híbridos na formação de professores da educação básica”, vinculado à Cátedra Fundep Magda Soares de Educação Básica do IEAT/UFMG. Saint Clair destacou como o diálogo com a universidade tem fortalecido práticas pedagógicas vinculadas às demandas reais da comunidade escolar. Ao relatar experiências com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em áreas de risco do Córrego do Onça, ele evidenciou a importância de reconhecer os fatores sociais e territoriais que afetam a vida dos alunos, como os constantes alagamentos que impactavam a frequência e o desempenho escolar. Por fim, ele ressaltou o papel ativo da escola na mobilização popular pela retirada de famílias das áreas de risco e na implementação de projetos de renaturalização do córrego, que abriram espaço para a construção de ações educativas voltadas à consciência ambiental em diferentes níveis de ensino.

À tarde, o professor Júlio Emílio Diniz apresentou as possibilidades abertas pela Resolução do Conselho Nacional de Educação CNE/CP nº 03/2024, que redefine a formação acadêmica dos licenciandos, propondo estágios ao longo de todo o curso e maior carga horária de extensão em escolas. Em diálogo com essa perspectiva, a professora Fernanda Lahtermaher, do Colégio de Aplicação da UFRJ, destacou a importância da constituição de comunidades de aprendizagem docente como estratégia para fortalecer a relação entre universidade e escola.

De acordo com a pós-doutoranda da Cátedra Fundep Magda Soares de Educação Básica do IEAT/UFMG, Raquel Augusta Melilo Carrieri, o seminário representou um espaço de convergência de ideias e de fortalecimento das parcerias entre universidades e escolas, reafirmando a centralidade da formação docente como um processo coletivo e compartilhado. “O encontro evidenciou que a integração entre os saberes acadêmicos e os saberes produzidos na educação básica é fundamental para a construção de políticas e práticas formativas mais consistentes e comprometidas com a realidade das escolas públicas brasileiras”, ressaltou Raquel Carrieri.