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Mapa-múndi Equal Earth, aprovado pela ONU, busca corrigir “mensagem subliminar” do modelo de Mercator, analisa o professor da UFMG Rodrigo Affonso de Albuquerque Nobrega

Docente do Instituto de Geociências destacou os avanços do novo modelo e comentou outras representações do mapa mundial

Nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, o professor do Departamento de Cartografia do Instituto de Geociências da UFMG (IGC), conselheiro do Centro de Computação Científica da Universidade, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais e membro fundador da Sociedade Brasileira de Ciências Ambientais, Rodrigo Affonso de Albuquerque Nobrega, conversou com jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma nova representação do mapa-múndi, para corrigir distorções do modelo mais usado. Inclusive, o Brasil “cresceu” no modelo, o que é modo de dizer, porque o que aconteceu, na verdade, foi aproximar o tamanho do país no mapa proporcionalmente ao tamanho real. Essa é a proposta da projeção Equal Earth, representar os países do mundo com maior precisão.

A aprovação da resolução é resultado da campanha “Corrija o mapa”, apoiada pela União Africana. A resolução se deu no último dia 4. Foram 164 votos favoráveis e um voto contrário, dos Estados Unidos, além de 6 abstenções, da Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia. A recomendação é que a projeção Equal Earth substitua a de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para navegação e continua recomendada para esse uso, já que representa as rotas de modo a facilitar o deslocamento de embarcações. A medida não é impositiva e se aplica a contextos educacionais e institucionais.

Créditos: Reprodução

O professor ressaltou que os questionamentos à representação de Mercator são antigos, mas não é questão de jogar o mapa fora, uma vez que é impossível representar a Terra de maneira exata em um único plano. Ele explicou que o modelo Equal Earth, criado em 2018, é muito mais moderno, baseado em cálculos complexos, e tem objetivo de trazer uma certa justiça à representação. Várias regiões são contempladas, como o continente africano, que aparece com tamanho muito mais próximo ao real. Para o docente, o mapa tradicional, que mostrava os países do norte global de tamanho maior, trazia uma espécie de “mensagem subliminar”. Ele também comentou outras representações do mapa-múndi.

Produção: Ingrid Mensil e Isabella Ludwig, sob orientação de Alessandra Dantas

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