Campus Montes Claros surgiu como Colégio Agrícola e passou para a UFMG no dia 11 de outubro de 1968

Foto: Acervo UFMG Montes Claros
Em 11 de outubro de 1964, o Ministério da Agricultura criava o Colégio Agrícola “Antônio Versiani Athayde”. Inaugurada em 2 de julho de 1966, a instituição, com sede em Montes Claros, oferecia formação profissional de segundo grau. Em 1968, tem início uma nova fase. A escola foi incorporada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 1975, passou a oferecer cursos superiores de curta duração e recebeu a denominação de Núcleo de Tecnologia em Ciências Agrárias. Um ano depois, o núcleo foi elevado a Campus Regional de Montes Claros.

Foto: Acervo UFMG Montes Claros
A força da UFMG no Norte de Minas

Foto: Acervo UFMG Montes Claros
Em 1998, o curso de graduação em Agronomia foi instalado na instituição. A primeira turma começou a estudar no ano seguinte, em 1999. Em 2005, o campus Regional de Montes Claros passou a oferecer, o curso de Zootecnia. O nome Instituto de Ciências Agrárias (ICA) foi adotado em 2007, quando o local ganhou autonomia como unidade acadêmica da UFMG. As peculiaridades, vocações e necessidades do semiárido direcionam todo o trabalho desenvolvido no local. Hoje, o campus Montes Claros oferece cursos de Graduação em Administração, Agronomia, Engenharia de Alimentos, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia Florestal, Zootecnia e licenciaturas em Ciências da Natureza e Matemática. Juntos, somam um total de 300 vagas anuais. O campus da UFMG em Montes Claros também oferece mestrado em Produção Animal, Produção Vegetal, em Sociedade, Ambiente e Território (UFMG/Unimontes), Alimentos e Saúde e mestrado profissional em Administração Pública. A instituição tem ainda especialização em Recursos Hídricos e Ambientais e Doutorado em Produção Vegetal e Sociedade, Ambiente e Território.
Para além do conhecimento, o campus Montes Claros também avançou em estrutura. Ao longo dos anos, novas instalações foram construídas, melhorias foram realizadas. Em 2022, por exemplo, foram entregues à comunidade acadêmica as melhorias realizadas no Centro de Atividades Administrativas e Didáticas (CAAD). O prédio, adquirido em 2009, recebeu melhorias na rede elétrica e teve telhado e calhas trocados, entre outras ações. A reforma possibilitou instalar 32 salas de aula e melhorar a distribuição de setores administrativos nas instalações do campus. Uma expansão significativa do espaço da UFMG em Montes Claros.

Para o diretor do campus Montes Claros, professor Hélder dos Anjos Augusto, a presença da UFMG no Norte de Minas é uma grande contribuição para o desenvolvimento regional. “Temos falado que o campus da UFMG em Montes Claros, representa a consagração do chamado projeto de vida, de muitas famílias do Brasil e em especial os do Norte e Nordeste de Minas Gerais. É gratificante o momento sublime dos 58 anos, comemorando a conquista da nossa UFMG no Norte de Minas”.

Foto: Ana Cláudia Mendes I UFMG
O diretor destacou ainda os trabalhos para a construção de um memorial histórico do Campus Regional da UFMG em Montes Claros, cujo legado estará fundamentado no surgimento e crescimento e nas práticas educativas, de ensino, de pesquisa e extensionistas. Hélder Augusto aproveitou para agradecer à comunidade acadêmica pela contribuição na construção da história do campus. “Gostaria de agradecer aos ex-diretores, professores, técnicos administrativos e os egressos: somos nós que estamos no palco, mas este aniversário é também de vocês que pensaram, idealizaram, implementaram, construíram e fizeram crescer um grande sonho, um grande projeto, enfim, esta realidade em que se transformou em Campus Regional da UFMG em Montes Claros.
Queremos aproveitar para evocar aqui o contributo das autoridades do legislativo e do executivo, nas diversas esferas; da sociedade civil organizada e todos os anônimos que, pacientemente, contribuíram e caminharam durante esse tempo, com insistência e resiliência, que nos permitiu chegar aos dias de hoje, e que o vosso papel na sociedade é claramente reconhecido. Nosso obrigado”.
Orgulho de ser UFMG Montes Claros

Foto: TV UFMG
A história da UFMG no Norte de Minas vai além da formação de profissionais, se entrelaça também com histórias de vida. Júlia Maria de Andrade ingressou como professora do Colégio Agrícola em março de 1979. A imagem das instalações do local estão vivas na memória. Um espaço totalmente diferente do atual. “Era uma fazenda que faltava muito para ser construída. Era distante do centro da cidade, era zona rural. E a gente tinha que buscar tudo fora. Então, esse buscar fora fez com que a comunidade interna, os docentes e os servidores buscassem levar o que se tinha aprendido e conhecido fora para dentro do campus e oferecer oportunidade para os nossos alunos”, relembra.
Com atuação marcante em atividades de extensão nas quais contribuiu para levar conhecimento a produtores rurais do Norte de Minas, a docente, hoje aposentada, acompanhou de perto o desenvolvimento da instituição, passando de Colégio Agrícola a Núcleo de Tecnologia em Ciências Agrárias e Instituto de Ciências Agrárias, Campus Regional de Montes Claros. “Ver o campus da UFMG em Montes Claros crescer foi uma coisa que era o anseio de toda uma comunidade e da sociedade e teve a participação de toda essa comunidade, porque foi maravilhoso, porque a gente construía junto e buscava realizar esse desejo da sociedade de Montes Claros” afirma.

Foto: TV UFMG
Durante o Domingo no Campus, realizado em setembro em Montes Claros, a professora foi homenageada pelos serviços prestados à UFMG. Para ela, ter presenciado e participado de todos estes processos são motivo de muita alegria. “Foram mais de 48 anos. Então, fazer parte dessa história, ver crescer cada parte, a criação do primeiro curso que foi Agronomia… Depois de dez anos veio o de Zootecnia. E depois, com a participação de todos, os quatro cursos do REUNE. Ver crescer e chegando novos docentes, novos técnicos, novas instalações… Perceber que a UFMG em Belo Horizonte estava enxergando o campus Montes Claros é gratificante, né? Deixar toda essa construção consolidada foi muito importante”, conclui Júlia Maria de Andrade.

Foto: Edijane Gonçalves I UFMG
De aluno a professor

Foto: TV UFMG
Quem também tem sua história marcada pela UFMG Montes Claros é o professor Ernane Ronie Martins. A história do docente com o campus começa bem antes de ministrar aulas. Ele foi aluno do curso técnico em Agropecuária entre 1985 e 1987. “Foi um período que considero extremamente importante para minha formação pessoal e profissional. A experiência proporcionou um modelo de ensino bastante distinto daquele ao qual eu estava habituado na escola estadual, destacando-se pela forte integração entre conteúdos teóricos e atividades práticas.
Além da qualidade do ensino, guardo lembranças muito positivas do companheirismo entre os colegas e da excelente relação com os professores, fatores que contribuíram significativamente para o meu desenvolvimento e para a construção de vínculos duradouros”.
Ele também se lembra dos desafios enfrentados naquela época. “O deslocamento até o campus representava um desafio considerável. Os horários limitados de ônibus e a distância entre minha residência e a instituição tornavam a rotina mais difícil, exigindo organização, esforço e persistência para acompanhar as atividades do curso”, relata.

Foto: TV UFMG
O professor foi aprovado no concurso para docente em 1999, tomando posse no ano seguinte. Ele conta que o retorno ao lugar onde havia estudado anos atrás não foi planejado, mas veio como uma grande oportunidade. “Eu nunca imaginei que voltaria, mas, quando surgiu a oportunidade, senti que era uma chance única, daquelas que não se pode perder. Retornar significava estar novamente perto da minha família e, ao mesmo tempo, voltar a um lugar importante na minha trajetória, onde eu poderia contribuir com minha experiência e meu trabalho. Estar no Cerrado foi também decisivo e, de certa forma, direcionou a carreira científica”.
No ano 2000, o professor Ernane Martins relata ter percebido algumas mudanças em relação aos tempos de estudante. Entretanto, afirma que as maiores transformações vieram anos depois. “Os prédios continuavam praticamente os mesmos. A principal melhoria foi a pavimentação do acesso ao campus. Mas as instalações ainda eram bastante precárias. Ainda tínhamos uma cancela na portaria principal do campus, remetendo a uma mera fazenda. Naquele período, o curso técnico ainda estava em funcionamento, e o cotidiano institucional mantinha características semelhantes às de uma escola de ensino médio. A consolidação do ensino superior e a incorporação de uma cultura acadêmica mais própria dessa modalidade ocorreram gradualmente, exigindo um período de adaptação por parte de toda a comunidade”.

Foto: Edijane Gonçalves I UFMG
Revisitando a história do campus e a própria trajetória, o professor reconhece grandes avanços. E também com olhos em passos futuros para a instituição e a comunidade acadêmica. “Sinto-me muito realizado por ter podido contribuir para essa trajetória de transformação. Ao longo de mais de 20 anos, acompanhei o campus avançar, consolidar-se e alcançar um novo patamar na região e na UFMG. É gratificante perceber que esse crescimento foi construído pelo esforço coletivo de muitas pessoas e que, de alguma forma, também fiz parte desse processo. De apenas um curso superior chegamos a oito cursos de graduação e várias pós-graduações Stricto sensu, não é pouco. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há um caminho importante a ser percorrido”.
(Ana Cláudia Mendes I Cedecom UFMG Montes Claros)